26 de January de 2012

Cortês, não perca sua porção Phil Lynnot

identifica

Caro Cortês, pare com essa história de modificar o próprio nome e volte a desfilar seu estilo de vida descomplicado. Só assim voltará a ser aquele Cortês que agradou a todos no Botafogo e fez bela partida com a seleção brasileira, justamente contra a Argentina.

Ok, após aquele jogo você sumiu, mas o crédito continua alto. Foi este saldo positivo que o levou a chegar com ânimo ao São Paulo, clube que há pelo menos quatro anos, desde a saída do Júnior, não tem um lateral-esquerdo que encante.

Leio com preocupação que você agora quer ser Cortez, com “z”, de Zorro. Que papo é esse de ficar se preocupando com esse tipo de coisa? Ok, não sou a pessoa mais identificada para falar sobre isso, já que vivo me atrapalhando com o Pinto. (Explico: há um Pinto no meu sobrenome, o qual, vergonhosamente, optei por esconder em público).

Sabe, Cortês, aquela foto da sua festa de casamento em uma loja do Habib´s mexeu com muita gente ano passado. Gente que sonha com um estilo de vida mais descomplicado e verdadeiro, em meio às fantasias de consumo nas quais corremos o risco de naufragar.

Vai, Cortês. Volte a empunhar aquela foto e, com seu estilo simplório e corajoso entorte seus marcadores! Serás então uma espécie de Phil Lynott do nosso futebol atual! Um herói da resistência.

Ah, Phil Lynott, com quem eu acho você meio parecido, é um dos meus músicos favoritos. Líder da importantíssima banda Thin Lyzzi (aquela que tomava uísque na jarra), Phil passou a vida nadando contra a corrente.

Nascido na Inglaterra, mas criado em Dublin, tinha orgulho de ser irlandês. O “detalhe” é que Phil não era um típico garoto de Dublin. Phil era negro, filho de mãe irlandesa e pai da antiga Guiana Inglesa, hoje apenas Guiana, aqui na América do Sul.

Em meio ao preconceito, Phil soube se impor, mas nunca negou suas origens ou se comportou como um astro pop. Talvez por conta disso, hoje não tem o reconhecimento que merece como grande líder de banda, baixista e compositor.

Em Dublin, ao menos, Phil é querido. Morte precocemente no começo de 1986, vítima do vício e da depressão pelo fim da banda, o músico tem uma popular estátua em sua homenagem.

Cortês, nunca apague sua porção Phil Lynott. Talvez assim, após você conquistar algum título, você ouça ressoar na sua mente “The boys are back in town”.

          

23 de January de 2012

Valdívia, o babaca

por @FChiorino

Valdívia não conquistou o Campeonato Brasileiro. Não foi o herói da última Libertadores. Não fez o gol do título no Mundial Interclubes. Valdívia simplesmente fez uma boa partida boa contra o Bragantino. E seguindo seus princípios, isso foi o suficiente para conceder uma entrevista coletiva reclamando de todos que duvidam de sua “magia”.

Sobrou pra todo mundo. Para o já combalido presidente Arnaldo Tirone, que publicamente demonstrou insatisfação pelas indisciplinas do jogador. Para o empresário Osório Furlan, que disse ter perdido dinheiro com Valdívia. Para os torcedores e imprensa, que o cobram insistentemente. Abusou da ironia para responder a todos os desafetos.

Um mísero Paulista (2008) e alçaram o chileno ao status de ídolo. Valdívia não é ídolo. É uma migalha que o torcedor palmeirense se apegou nos últimos anos por falta de opção e títulos mais relevantes. Os mais fanáticos atribuíram ao seu famoso “chute no vácuo” a mesma importância que o elástico de Rivellino, a bicicleta de Leônidas, a cabeçada de olhos abertos de Pelé. Até o dia em que o meia se machucou fazendo isso numa semifinal contra o Corinthians e virou motivo de piada.

Pra piorar, virou persona non grata na seleção do Chile, depois de chegar bêbado na concentração, aparecer com mulheres e promover depredações com os colegas nos hotéis. Era titular absoluto, mas logo virou reserva de luxo. Já tomou gancho atrás de gancho e agora corre o risco de nem participar das Eliminatórias para a Copa de 2014.

Valdívia é um jogador nada confiável. Quando parece estar em melhor forma física, provoca cartões estúpidos e fica de fora de jogos decisivos. Esconde-se nos momentos em que o Palmeiras mais precisa dele. Salário milionário e retorno pífio. Algumas partidas boas contra clubes inexpressivos lhe dão a notoriedade já não mais merecida.

O chileno ainda ganha destaque porque é rodeado por jogadores medianos. Aproveita-se do buraco em que o Palmeiras se meteu nos últimos tempos para disfarçar suas próprias falhas como atleta e como pessoa. Quem hoje aplaude o jogador sofre da abstinência de ídolos de verdade, intensificada pela aposentadoria de Marcos. Para mim, Valdívia é um babaca. Com algum talento, é verdade, mas ainda assim um babaca.

          

21 de January de 2012

Ser o melhor da atualidade é pouco para Djokovic

Por @maia_otavio

Lá se foi a primeira semana do Australian Open e a principal dúvida do torneio já está respondida.

Depois de uma queda abrupta de rendimento no final da temporada passada, todos queriam saber como Novak Djokovic chegaria ao primeiro Grand Slam do ano.

Com três partidas disputadas, fica fácil cravar a resposta: ninguém, absolutamente ninguém tem condições de tirar o título do sérvio neste ano – a não ser que ele não mantenha o nível que está apresentando.

Isso é evidente e por uma razão muito simples: Nole reencontrou em 2012 o mesmo nível que o levou ao topo do ranking e que fez monstros como Roger Federer e Rafael Nadal parecerem coadjuvantes no ao passado.

Em 2011, quando o sérvio começou a dominar o circuito, era preciso esperar para ver se ele apenas vivia uma grande fase ou se havia evoluído e alcançado um patamar ao qual nenhum outro tenista era capaz de chegar naquele momento.

O tempo mostrou que a segunda opção era a verdadeira: Djokovic aprimorou seu jogo e hoje possui um pacote mais completo e poderoso do que seus principais rivais. Isso inclui arsenal de golpes, preparo físico, velocidade e força mental. Federer e Nadal podem ter mais história, mas hoje têm menos jogo do que o sérvio.

Em três jogos no Aberto da Austrália 2012, Novak jogou perdeu apenas dez games. Ele aplicou três vezes o placar de 6/0, três 6/1, dois 6/2 e o máximo de dificuldade que encontrou foi um 6/3, contra o colombiano kamikase Santiago Giraldo. É como se jogasse contra atletas de categoria inferior. Chega a parecer covardia.

Se nada sair do script, Djokovic se tornará tricampeão em Melbourne no próximo domingo. Será o seu quinto Grand Slam. Assim, vai deixar para trás gente grande, como Guillermo Vilas e Manolo Santana. E vai dar mais um passo para ocupar o papel que merece.

Para ele, ser o melhor do momento é pouco; Novak merece estar no panteão ao lado dos maiores de todos os tempos – e vai acumular troféus até chegar lá. É só esperar.

          

20 de January de 2012

O que a Copa do Mundo não fez pelo Brasil

Quando o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014, fui a favor. Achei que o compromisso de construir estádios, renovar aeroportos e realizar obras de mobilidade urbana seria uma forma de forçar o poder público a levar melhorias para a vida de vários estratos da população. Em maio de 2011, eu já havia virado a casaca, diante do ridículo da situação das cidades-sede para o mundial.

Nesta semana, o Jornal Nacional mostrou uma reportagem que me fez pensar que havia salvação para o “legado” que o país terá. O JN mostrou que ex-moradores de rua estavam sendo treinados e recrutados para trabalhar nas obras da Arena Fonte Nova, estádio de Salvador para a Copa, uma iniciativa genial, que permitiu e permitirá que alguns brasileiros voltem a ser cidadãos.

Fui pesquisar sobre o projeto e descobri que é uma iniciativa da Igreja da Trindade em uma parceria com a Odebrecht (que com a OAS ergue o estádio). A obra é a Fonte Nova, um estádio da Copa, por acaso. Poderia ser uma ponte, um prédio. Aparentemente há pouco, ou nenhum, envolvimento do poder público. Infelizmente, não é uma surpresa.

Confira a reportagem:

          

18 de January de 2012

Os vovôs da NBA

Por @FChiorino

Não é só no futebol que veteranos estendem suas carreiras à procura de mais algum reconhecimento, ou simplesmente por não conseguirem se imaginar fora de atividade. Na NBA não é diferente. Abaixo uma lista de 10 jogadores que praticamente se arrastam pelas quadras da liga americana. Alguns mais úteis do que outros, mas ainda assim todos sem o brilho do passado nem tão distante assim.

Jason Kidd (38 anos e 17 de carreira)
Time: Dallas Mavericks
Média atual de pontos por jogo: 4.7
Títulos: 2011 – Dallas Mavericks

“Mr. Triple Double”. Esse é o apelido que Jason Kidd carregou durante toda a vida. Surgiu em 1994 no Mavericks, onde participou do título no ano passado e provavelmente deve encerrar sua carreira. No seu primeiro ano na liga, foi eleito Rookie of the Year junto com Grant Hill. Bicampeão olímpico (2000 e 2008) e participou 10 vezes do All-Star Game. Cinco vezes líder da NBA em assistências.

Vince Carter (34 anos e 13 de carreira)
Time: Dallas Mavericks
Média atual de pontos por jogo: 9.5

Surgiu no Toronto Raptors apontado como um (dos tantos já apontados) sucessores de Michael Jordan. Eleito Rookie of the Year em 1999 e campeão pelos EUA nas Olimpíadas de 2000. Foi escolhido para o All-Star Game por 8 anos seguidos e venceu o NBA Slam Dunk em 2000. No Raptors, chegou a atingir a média de 27.6 pontos por jogo (2000-2001).

Ben Wallace (37 anos e 15 de carreira)
Time: Detroit Pistons
Média atual de pontos por jogo: 1.4
Títulos: 2004 – Detroit Pistons

“The Big Ben” venceu a temporada 2003-2004 pelo Detroit Pistons, quando atingiu a incrível marca de 15.4 rebotes por jogo. Quatro anos seguidos no All-Star Game e quatro vezes eleito NBA Defensive Player of the Year. O pivô também já liderou a média de tocos (2002) e rebotes (2001 e 2003) da liga.

Juwan Howard (38 anos e 17 de carreira)
Time: Miami Heat
Média atual de pontos por jogo: 1.0

Nunca foi um jogador espetacular, mas surgiu como sensação no então Washington Bullets em 1994, após se destacar no basquete universitário Dois anos depois, participava do All-Star Game. Chegou a atingir a média de 8.1 rebotes e 22.1 pontos por jogo (1995-1996) pelo Washington. Participou da última final da NBA, quando o seu Miami Heat foi derrotado pelo Dallas Mavericks. Um dos cavanhaques mais tradicionais da liga.

Tracy McGrady (32 anos e 14 de carreira)
Time: Atlanta Hawks
Média atual de pontos por jogo: 7.6

“T-Mac” começou sua história no Toronto Raptors, como o primo Vince Carter. Mas se destacou quando jogou pelo Orlando Magics e pelo Houston Rockets. Sete vezes seguidas no All-Star Game e duas vezes eleito All-NBA First Team. Em 2003, pelo Orlando, atingiu incríveis 32.1 pontos por jogo. Também ficou marcado por um jogo histórico contra o San Antonio Spurs, quando marcou 13 pontos nos 33 segundos finais e deu a vitória ao Rockets.

Jerry Stackhouse (37 anos e 16 de carreira)
Time: Atlanta Hawks
Média atual de pontos por jogo: 2.5

No seu primeiro ano com o Philadelphia 76ers, Stackhouse atingiu a média de 19.2 pontos por jogo e foi eleito para o NBA All-Rookie Team. Participou duas vezes do All-Star Game. Na temporada 2000-2001, pelo Detroit Pistons, alcançou a média de 29.8 pontos por jogo. Mais de 15 mil pontos em toda a carreira.

Marcus Camby (37 anos e 15 de carreira)
Time: Portland Blazers
Média atual de pontos por jogo: 3.4

Camby surgiu no Toronto Raptors em 1996, quando atingiu a maior média de pontos de sua carreira: 14.8. Mas teve maior destaque pelo New York Knicks e Denver Nuggets, quando participou de 3 e 5 playoffs, respectivamente. Eleito NBA All-Rookie First Team em 1997 e NBA Defensive Player of the Year em 2007, este último quando já jogava pelo Nuggets.

Derek Fisher (37 anos e 15 de carreira)
Time: Los Angeles Lakers
Média atual de pontos por jogo: 4.9
Títulos: 2000, 2001, 2002, 2009 e 2010 – Los AngelesLakers

Fisher é aquele veterano que ainda dá um caldo. Na última terça-feira, decidiu uma partida pelo Lakers com uma cesta de 3 pontos no último segundo. É visto como um líder não só do time, como também de toda a liga. Afinal, esteve à frente de todas as negociações durante o período de locaute. Não tem estatísticas muito significativas, o que é irrelevante para um jogador com cinco anéis da NBA.

Grant Hill (39 anos e 16 de carreira)
Time: Phoenix Suns
Média atual de pontos por jogo: 7.9

O mais velho dessa lista, mas com passagens por apenas três franquias. Começou a carreira na temporada 1994-1995 pelo Detroit Pistons, quando foi eleito Rookie of the Year ao lado de Jason Kidd. Sete participações no All-Star Game e eleito para o All-NBA First Team em 1997. Na temporada 1999-2000, atingiu a média de 25.8 pontos por jogo. No ano seguinte, se transferiu para o Orlando Magics e, desde então, as estatísticas só caíram. Em três ocasiões levou o NBA Sportsmanship Award, que premia o jogador que mais personifica os ideais de ética, fair play e integridade da liga.

Tim Duncan (35 anos e 14 de carreira)
Time: San Antonio Spurs
Média atual de pontos por jogo: 12.8
Títulos: 1999, 2003, 2005 e 2007 – San Antonio Spurs.

Por que um jogador com média de dois dígitos em pontos por jogo figura nessa lista? Simplesmente porque estamos a falar de um pivô quatro vezes campeão da NBA e que já atingiu média de 25.5 pontos por jogo. E tudo isso jogando apenas pelo Santo Antonio Spurs, onde ganhou o apelido conjunto de “Torres Gêmeas”, ao lado de David Robinson. Duas vezes eleito NBA Most Valuable Player, sendo apontado também como o jogador mais valioso em três finais. NBA Rookie of the Year em 1998 e nada menos do que 13 participações no All-Star Game. E mais: 9 vezes eleito para o All-NBA First Team e 8 para o All-Defensive First Team. Sorte de quem viu esse vovô jogar.

          

17 de January de 2012

Verdades e mitos sobre Marcos x Rogério

Beatles

São muitos os mitos que parecem tomar conta de coração e mente daqueles que se negam a admitir a coexistência harmoniosa entre Marcos e Rogério. Só se pode exaltar um rebaixando o outro…

Para ajudar neste processo de paz, derrubamos algumas inverdades históricas:

- Marcos gostaria de continuar com a banda, mas Rogério exigiu o fim
Mito: Embora tenha composto músicas mais idealistas, como “All You Need Is Glove” (Tudo que você precisa é de uma luva), enquanto Rogério sempre tenha sido mais prático, como em “Hey Juve”, uma canção de apoio ao presidente Juvenal Juvêncio, ambos defenderam o fim da banda.

Além do mais, os outros dois integrantes também se cansaram. Ronaldo formou a banda “Os Impedidos”, enquanto Dida seguiu carreira solo no Museu de Cera da Madame Tussauds.

- Marcos gostaria de continuar com os shows ao vivo, mas Rogério se negou
Mito: O grito histérico e tresloucado de fãs como “Carlão da Mancha” e “Tião da Independente” impedia a concentração da banda, o que os forçou a preferir as atuações em estúdio.

- Rogério não aceitava a interferência da esposa de Marcos
Verdade: Ao voltar do Japão após as excursões de 1999 e 2002, Marcos se apaixonou e passou a encarar o mundo de forma ainda mais idealista, chegando a recusar proposta milionária para gravar na Inglaterra. Rogério e os demais integrantes estranharam tais decisões e culparam a esposa do parceiro.

- O Rogério verdadeiro foi substituído por um sósia em 2004 e Marcos se calou
(A transformação de Rogério, que passou a ser um “líder positivo” e a colecionar conquistas pessoais a partir de 2005 gerou uma onda de boatos. Este goleiro atual seria um sósia do original, que se aposentou para plantar soja em Sinop. Marcos teria aceitado a troca, mas espalhou pistas em pôsteres e declarações para tentar denunciá-la).

Mito: Não há provas sobre o caso, fruto da mente fértil de alguns fãs. Se bem que é mesmo estranho Rogério ser sempre o terceiro em pé, da esquerda para a direita, o que, de acordo com a filosofia cropo-pseudo-prosaico-xintoísta indica ser aquele que se aposentou para plantar soja.

- Rogério e Marcos jamais fizeram as pazes
Mito: A dupla superou as brigas, as crises de ciúmes e nos últimos anos se encontrava com frequência nos gramados, embora sempre tenham descartado totalmente uma reunião como a de 2002.

Na foto acima, Rogério e Marcos em início de carreira, com a seleção sub 23.

          

16 de January de 2012

Brad Pitt é Billy Beane, o homem que mudou o jogo

Não são muitos os filmes de respeito que tratam de esportes. Um Invictus ou um Rocky, Um Lutador não se lança todos os anos. Que se preste atenção, então, quando um astro como Brad Pitt se envolve em um destes projetos. O Homem que Mudou o Jogo, ainda sem data de lançamento no Brasil, tem o ator no papel de Billy Beane, ex-jogador de beisebol e hoje sócio do Oakland Athletics.

O filme tem roteiro de Aaron Sorkin, vencedor do Oscar por A Rede Social, e é baseado em livro homônimo lançado em 2003 por Michael Lewis. É o mesmo autor de The Blind Side, que conta a história de Michael Oher e deu origem ao filme Um Sonho Possível. Por O Homem que Mudou o Jogo, dirigido por Bennett Miller (Capote) Brad Pitt foi indicado ao Globo de Ouro.

Beane mudou o jogo ao mudar o sistema para escolher jogadores que contrataria para sua equipe. Não tinha dinheiro, usou a criatividade. Jogou contra o sistema, contra a velha guarda do esporte. O método que usou passou a ser copiado pelas demais equipes da liga americana. Veja o trailer do longa, que tem ainda o genial Philip Seymour Hoffman.

          

15 de January de 2012

O dia em que o árbitro levantará o braço de Dana White

Por @maia_otavio

E na madrugada deste domingo foi tudo igual. Basta um brasileiro disputar um cinturão no UFC que o assunto pipoca por todos os lados: as redes sociais ficam efervescentes, os portais de notícias esportivas dão ao assunto sua manchete principal e o tema vira conversa de elevador. No meio desse burburinho todo, misturam-se os fãs entusiasmados e os críticos que não conseguem entender como essa pancadaria toda pode ser classificada como esporte. UFC vai, UFC vem e a discussão continua em pauta: afinal, o MMA é um esporte emocionante ou um disparate, uma competição primata, algo como uma rinha de humanos que deveria ser imediatamente proibida?

Sem entrar no mérito de quem está certo e quem está errado, arrisco dizer que esse debate já tem um vencedor definido. Por enquanto, ele está minando o seu rival para vencer por pontos ao final de mais alguns rounds, mas já sabe que terá seu braço levantado pelo árbitro na decisão. Exceto se houver algum acidente de percurso, o MMA tem um caminho reto para passar no teste de aceitação, em especial no Brasil.

Podemos listar ao menos cinco razões para isso:

1. Acostume-se
Socos, joelhadas e pontapés que fazem o adversário cair apagado na lona são chocantes. Mas, sem fazer juízo de valor, a verdade é que quanto mais você assiste, menos chocante fica. A gente se acostuma. E, ao notar as estatísticas sobre morte nos esportes, começa a pensar no argumento de que a vida dos atletas está menos em risco no UFC do que na Formula Indy, por exemplo. Eu provavelmente entraria em coma com chute de raspão daqueles, mas os lutadores são incrivelmente preparados para agüentar pancadas violentíssimas e estão lá por livre e espontânea vontade, muitíssimo bem remunerados.

2. MMA e você, tudo a ver
Galvão pode ser um chato e a Globo pode ser, para alguns, o Monstro do Lago Ness do jornalismo nacional. Mas não dá pra duvidar de que quando a maior emissora do País abraça o MMA, a coisa ganha credibilidade aos olhos do cidadão comum. Os Gladiadores do Terceiro Milênio são apresentados como heróis e como orgulho da nação, sem qualquer reflexão sobre a violência da modalidade. Isso altera a percepção de muita gente, que passa a ver o MMA como algo normal e aceitável, e mostra que a Globo escolheu um lado em definitivo. E se a emissora até já elegeu presidente neste País, pode tranquilamente desequilibrar o debate entre fãs e críticos do MMA.

3. Brasil,il,il,il!
Rodrigo Borges disse que brasileiro não gosta de esporte, mas de vitórias. Isso faz com que até o futebol de areia continue tendo sobrevida na programação da TV aberta. E alimenta a nova paixão pelo MMA, que tem o Brasil disputando com os EUA palmo a palmo o título de dono da modalidade.

4. It is about money, Bebê
O UFC é acima de tudo um show. Portanto, vai sempre escolher as melhores formas de fazer dinheiro. Se for preciso, vai adaptar suas regras para tornar a competição mais palatável aos olhos do grande público e continuar crescendo.

5. Ultimate Fashion Championship
Quanto maior o hype, maior o volume com que gritam os críticos. Mas, passa o fervor do debate, os disparos contrários se amenizam. Basta notar que o boxe passou pelo mesmo processo. E que hoje há quem detone o MMA ao mesmo tempo em que chama o esporte de Ali, Frazier e Foreman de “nobre arte”.

É pagar para ver: gostem ou não, o MMA só vai ganhar espaço nos espaços de discussão no Brasil, até o momento em que o debate sobre sua natureza estará encerrado. E o árbitro fatalmente levantará os braços de Dana White e dos irmãos Fertitta.

          

12 de January de 2012

Cliques em Buenos Aires

por @FChiorino

No final do ano de 2011, passei rapidamente por Buenos Aires. Apenas dois dias na cidade, mas com uma missão na cabeça. Fotografar para o blog Esporte Fino tudo que de alguma forma remetesse à paixão do argentino por futebol. Com um roteiro turístico pouco flexível, foi difícil conseguir uma boa variedade de temas. Enfim, o resultado final vocês conferem na apresentação abaixo.

 

          

11 de January de 2012

A morte de São Marcos

Vi em casa minhas coisas de treino e pensei: “Rapaz, morri mesmo”
Marcos, ex-goleiro, sobre ter constatado que um atleta morre pela primeira vez ao aposentar.