“Tenho muita lenha para queimar”. É assim, em alto-astral e com confiança, que o tenista Thiago Alves responde qual será o seu papel no circuito em 2010, quando completará 28 anos. Geralmente caracterizado pela raça e pela competitividade em quadra, agora ele sente que adquiriu um novo ingrediente para melhorar os resultados e escalar posições no ranking internacional: a maturidade.
Em entrevista a este blogueiro, originalmente preparada para Tenisbrasil, o tenista de São José do Rio Preto, número 149 do mundo e terceiro melhor do País, contou ter vivido em Wimbledon “um dos grandes momentos da carreira”.
Pode-se dizer que foi uma das maiores emoções da sua carreira furar o classificatório e vencer uma partida na chave principal de Wimbledon?
Com certeza Wimbledon esse ano foi um dos meus melhores momentos na minha carreira. Era um torneio onde eu nunca aspirei ter um grande resultado devido ao piso, mas nesse ano consegui me adaptar muito bem. Apesar de ter entrado como lucky loser consegui ganhar grandes jogos e ainda ter chances na segunda rodada contra o Simon, que na época estava top 10. Me sinto muito mais maduro e experiente para enfrentar esse circuito, que é tão desgastante mentalmente.
Você obteve grandes resultados no primeiro semestre, mas caiu de produção no segundo. Essa alternância de desempenho se deve a uma questão física ou à oscilação na confiança?
O tênis é um esporte em que você compete por muito tempo o ano todo. É muito difícil você manter alta a energia o ano todo. Eu, particularmente, preciso estar sempre com essa energia muito alta para jogar devido ao meu estilo de jogo. O fator confiança é muito importante, também. No segundo semestre, acabei perdendo um pouco dos dois e deixei escapar muitos jogos nos detalhes.
Existe um consenso que diz que o calendário extenuante abrevia a carreira dos atletas. E outro que diz que no Brasil os jogadores amadurecem mais tarde do que a média. Em 2010, você completará 28 anos. Como vê seu papel no circuito agora? Crê que, como no caso do Marcos Daniel, a maturidade trará nessa faixa da carreira o seu melhor à tona?
Creio que estou no meu melhor momento. Me sinto muito mais maduro e experiente para enfrentar esse circuito, que é tão desgastante mentalmente. Sinto que estou bem fisicamente para treinar. Acredito que tenho muita lenha pra queimar ainda.


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