2 de February de 2010

A escolha de Galvão Bueno e o rompimento com Roberto Carlos

Desde que chegou ao Corinthians, Roberto Carlos tem falado com certa frequência de Galvão Bueno. Expõe mágoas com alguém que classifica como um ex-amigo. O lateral-esquerdo não perdoa as críticas recebidas do narrador pelo episódio do meião na eliminação da seleção brasileira na Copa de 2006.

Nesta segunda-feira, no Bem, Amigos, Galvão Bueno respondeu a Roberto Carlos. Disse que fez sua obrigação profissional naquele 1º de julho. Rebateu o lateral, que à Folha de S.Paulo disse que não aceitou encontrar o narrador quando foi procurado em Monte Carlo. “É verdade. Procurei você, Roberto, pra perguntar porque quando eu te elogiei, quando falei que você era o melhor lateral do mundo, você não foi à imprensa me agradecer”, disse, para encerrar dizendo que deseja sorte e sucesso ao corintiano. “Mais sorte e sucesso do que você teve ontem”, alfinetou, referindo-se à expulsão aos 8 minutos do clássico contra o Palmeiras.

Galvão paga o preço por ter há tempos deixado de ser um jornalista para se tornar amigo. No Bem, Amigos, usa panos quentes quando percebe que algum de seus convidados fará críticas. “Aqui não é lugar pra trairagem”, diz, como se fosse errado fazer críticas em um espaço supostamente criado para debates.

Quando decidiu ser amigo em vez de jornalista, quando decidiu jogar golfe, tomar vinho e sair para jantar com aqueles que deveriam ser suas fontes, criou uma aproximação que não lhe dá mais o direito à crítica. Uma pessoa entende a crítica de um profissional, mas não aceita ser criticado em rede nacional por um amigo. Por isso Roberto Carlos se magoou, por isso se sentiu traído. Porque não via mais o narrador como um profissional de imprensa, mas como um amigo. Muitos outros fizeram críticas até mais duras e ainda hoje são atendidos pelo jogador. Porque são jornalistas, não amigos.

Galvão fez a sua escolha. Escolheu ser amigo. E poderá perder alguns destes amigos toda vez que tentar lembrar os velhos tempos de jornalista.

Galvão Bueno e Julio César

Galvão e o amigo Júlio César no intervalo de uma partidinha de sinuca em gravação para o Esporte Espetacular.

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21 palpites

  1. Anísio FC comentou:

    Não há o que dizer!
    Texto extremamente preciso!

    2 de February de 2010 às 12:14
  2. eder comentou:

    Tai então o melhor exemplo dessa condição “galvaniana”.

    2 de February de 2010 às 12:16
  3. Luís Eduardo Stival comentou:

    Galvão Bueno simboliza bem o que é o jornalismo da Rede Globo de televisão.

    2 de February de 2010 às 12:25
  4. Thiago Santa Rosa comentou:

    Muito boa analise, porém tem mais. Parece claro que o departamento de jornalismo da Rede Globo defende esta postura. Tanto que vários outros “jornalistas” da casa, como Mauro Naves, Cleber Machado e Tino Marcos tem posturas muito parecidas com o Galvão Bueno. E isso não é bom para quem quer se informar através deles.

    2 de February de 2010 às 12:40
  5. Rafael Mello comentou:

    Texto cirurgicamente preciso.

    Quando esta “fronteira” entre o jornalismo e a amizade é cruzada, voce cria situações como essas.

    E como muito bem pontuada no texto, está não será a primeira, muito menos ultima oportunidade…

    2 de February de 2010 às 13:44
  6. Diogo Salles comentou:

    Galvão, além de chatíssimo, expoe alguns traços típicos do brasileiro médio: o personalismo e o compadrio. Virou refém disso e agora sofre as consequencias.

    2 de February de 2010 às 13:54
  7. Chicao comentou:

    Globo, esporte e jornalismo são três coisas que jamais se encontram. Lamentável. Todo esse “circo” contribui demais para eu não suportar a seleção brasileira.

    2 de February de 2010 às 14:06
  8. Beto comentou:

    Concordo com a análise do Rodrigo e com o complemento do Thiago. O problema da Globo é que tudo, ali, ganha jeito de novela. Não bastasse os entrevistados serem tratados como “artistas”, os próprios entrevistadores viram celebridades – personagens das notícias que ajudam a construir. Em épocas de copa do mundo isso fica ainda mais evidente. Quem não lembra do que aconteceu em 2006? E o resultado é esse aí. Muita firula, muito oba-oba e pouquíssima informação…

    2 de February de 2010 às 14:13
  9. Ronan comentou:

    Bem observado. O Galvão vive daquilo que não permite expor publicamente. A íntima relação e suas críticas pessoais. Até porque toda opinião de jornalista não é verdade absoluta, vamos recordar. É opinião. Mas a Globo já tolera e protege tanto o Ronaldos, Romários, Gaúchos, que a relação jogador imprensa/emissora é essa mesmo. Um joguinho de interesse onde todos saem ganhando. Menos o espectador. A ESPN de Trajano e Juca Kfouri se auto intitula jornalismo independente. Mas também tem seus protegidos.

    2 de February de 2010 às 14:55
  10. Bruno Winckler comentou:

    Ótimo texto, Rodrigo.

    2 de February de 2010 às 15:37
  11. Luís Eduardo Stival comentou:

    Aproveitando a carruagem, gostaria de ver aqui alguma opinião sobre o novo formato do Globo Esporte, cuja figura principal é o Tiago Leifert.

    2 de February de 2010 às 16:08
  12. Fellipe comentou:

    Eu não vou nem expor o que penso sobre o Galvão Bueno para não ter meus comentários banidos para sempre do EF. Isso porque o Galvão não é locutor mas sim empresário em posição privilegiada, basta ver o que fez com o Roque Júnior, que não é um jogador de qualidade mas que fazia parte do grupo e foi cortado da copa pelo Galvão.

    Mas tudo tem dois lados. Os jogadores gostam dessa proximidade, do mundo das celebridades da televisão da aparência e das piadas sem graça que todos riem forçosamente, como agente vê muito bem nesses meios.

    Os atletas não se afstam, não se preservam e depois ficam chateados. Em uma relação promíscua como a de alguns jornalistas e jogadores não há que se falar em mágoas.

    Mas em uma coisa concordo com o Roberto Carlos, não que eu queira inocentá-lo, do contrário, ele é um grande vilão, mas na seleção de 2006 poucos se salvam. Assim, ser o único culpado é eximir a responsabilidade de muitos jogadores que foram à Alemanha se embebedar e fazer turismo sexual.

    2 de February de 2010 às 17:08
  13. Luiz Augusto Lima comentou:

    Concordo em gênero, número e grau com o belo texto. Mas acreditem, amigos: se o Roberto Carlos brilhar no Corinthians, antes do final do ano ele estará no Bem, Amigos. Ele e o Galvão irão se abraçar, e muito provavelmente haverá lágrimas.

    2 de February de 2010 às 17:14
  14. Victor comentou:

    Concordo em gênero, número e grau com o belo texto. Mas acreditem, amigos: se o Roberto Carlos brilhar no Corinthians, antes do final do ano ele estará no Bem, Amigos. Ele e o Galvão irão se abraçar, e muito provavelmente haverá lágrimas. [2]

    2 de February de 2010 às 19:03
  15. Chicao comentou:

    Concordo em gênero, número e grau com o belo texto. Mas acreditem, amigos: se o Roberto Carlos brilhar no Corinthians, antes do final do ano ele estará no Bem, Amigos. Ele e o Galvão irão se abraçar, e muito provavelmente haverá lágrimas. [3]

    2 de February de 2010 às 20:32
  16. Marcelo Laguna comentou:

    O Galvão Bueno é apenas a ponta do iceberg neste problema, acreditem. Por ser o narrador da emissora líder de audiência, tudo o que ele fala tem um peso enorme. Com certeza, teve gente que já disse coisa muito pior sobre o Roberto Carlos, mas não teve nem 10% da repercussão.

    Já a filosofia da Globo em relação às suas fontes, tem muito a ver com seu novo “queridinho”, Tiago Leifert: esporte não é jornalismo, mas entretenimento.

    2 de February de 2010 às 23:38
  17. alan comentou:

    Globo, esporte e jornalismo são três coisas que jamais se encontram. (II)

    3 de February de 2010 às 00:05
  18. Blog do Jogada comentou:

    [...] Do excelente Blog Esporte Fino [...]

    3 de February de 2010 às 07:26
  19. Luís Eduardo Stival comentou:

    Soou em tom profético:
    “Concordo em gênero, número e grau com o belo texto. Mas acreditem, amigos: se o Roberto Carlos brilhar no Corinthians, antes do final do ano ele estará no Bem, Amigos. Ele e o Galvão irão se abraçar, e muito provavelmente haverá lágrimas.”(4)

    3 de February de 2010 às 10:31
  20. MARIO JORGE ROSA DOS SANTOS comentou:

    Comentário apagado por violar a regra sobre o uso de letras maiúsculas.

    21 de April de 2010 às 13:11
  21. Alvaro Dompietro comentou:

    Comentário apagado por uso de ofensas. Se o internauta for educado da próxima vez, o comentário será aprovado.

    2 de July de 2010 às 19:57

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