Hoje eu li no Globo Esporte que o holandês Johan Cruyff, ídolo do Barcelona, vai treinar a seleção da Catalunha – que não existe oficialmente, mas que disputa uns amistosos de vez em quando para amainar os ânimos separatistas dos catalões.
Isso me lembrou um fato que eu descobri na semana passada, quando escrevia um texto sobre a histórica partida entre Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental na Copa de 1974. É um daqueles episódios, como a Guerra do Futebol, que mostra claramente como o esporte e a política estão entrelaçados, e como essa relação é incrivelmente especial e dá histórias ótimas para contar.
O fato é o seguinte: nos anos 50 existiu uma seleção de futebol do Sarre, e ela disputou as eliminatórias da Copa do Mundo de 1954. Eu descobri isso porque o técnico da Alemanha Ocidental em 1974, Helmut Schoen, além de ter nascido em Dresden, cidade da Alemanha Oriental e que teve história marcante na Segunda Guerra Mundial, foi técnico da tal seleção do Sarre.
O Sarre, hoje um dos 16 estados da Alemanha, era uma área de disputa na fronteira franco-alemã, razão de inúmeros confrontos no século 20. Após a guerra, o Sarre se tornou um protetorado da França que desfrutava de certa independência. Por isso, participou das Olimpíadas de 1952 e das eliminatórias da Copa de 1954.
No grupo 1 das eliminatórias de 1954 estavam três seleções: Noruega, Alemanha Ocidental e Sarre. Nos primeiros dois jogos, em Oslo, a Noruega perdeu para o Sarre por 2 a 0 e empatou em 1 a 1 com a Alemanha Ocidental. Na segunda rodada, a Alemanha Ocidental bateu o Sarre por 3 a 1 em Stuttgart e o Sarre ficou no 0 a 0 com a Noruega em Saarbrücken. Na última rodada, a Alemanha Ocidental fez 5 a 1 na Noruega e a vaga seria decidida no duelo entre o Sarre e a Alemanha.
Segundo o RSSSF, que traz as fichas técnicas daqueles jogos, Max Morlock abriu 2 a 0 para a Alemanha Ocidental, Herbert Martin diminuiu e Hans Schäfer fez 3 a 1, garantindo a vaga da Alemanha que, capitaneada por Fritz Walter, seria campeã mundial pela primeira vez na Suíça.


Cara, história SENSACIONAL!
Eu sou apaixonado pela história de países que já não existem mais, especialmente neste aspecto esportivo, e também gosto de imaginar quais seleções algumas pequenas divisões geográficas poderiam gerar. Neste segundo exemplo, fico com peso na consciência, porque é como se eu tivesse ideais separatistas… hahaha
Abraço!
2 de November de 2009 às 20:17Engraçado, nunca tinha ouvido falar de Sarre. No mesmo dia, leio este post e também leio sobre o assunto no ótimo livro “Futebol é uma caixinha de surpresas”, do saudoso Luiz Fernando Bindi.
Abraços!
3 de November de 2009 às 19:29Gostei da historia… rs
4 de November de 2009 às 01:04Pois é, pessoal, uma histórica muito louca!
E só para completar: nas Olimpíadas de 1952 o Sarre não ganhou nenhuma medalha. E nos Jogos de 1956 disputou juntamente com a Alemanha.
Abs!
4 de November de 2009 às 08:29Muito bacana essa historia. Também fiquei com um peso na consciencia por ter leves ideais separatistas agora rs
Muito interessante mesmo. Parabéns pela descoberta e pelo post!
4 de November de 2009 às 11:36Coloquei no Blog: http://blog.opovo.com.br/gol/
Com certo atraso, mas a história é excelente.
6 de November de 2009 às 19:00Valeu, Graziani!
O atraso não é nada. E eu que atrasei 55 anos?! Rs..
Abs!
6 de November de 2009 às 19:34