29 de August de 2009

Aberdeen: onde nasceu o mito Alex Ferguson

Alex Ferguson Aquele início do verão de 1978 parecia não trazer grandes novidades para a população de Aberdeen, cidade escocesa banhada pelo Mar do Norte e, portanto, banhada também pelos dividendos do petróleo.

Para os torcedores do Aberdeen FC, havia ao menos uma notícia a quebrar a monotonia: a chegada de um novo técnico, de apenas 36 anos e métodos inovadores de trabalho. O novato treinador, com fama de saber tudo de tática e de como disciplinar elencos, tinha feito relativo sucesso no East Stirlingshire e no St. Mirren, equipes semi-amadoras das divisões inferiores do futebol escocês, mas tal currículo ainda não empolgava. Os fãs dos “Dons”, como o Aberdeen é conhecido, não tinham, portanto, grandes esperanças de interromper o predomínio de Rangers e Celtic, os dois gigantes de Glasgow.

Oito anos depois, em novembro de 1986, Alex Ferguson trocaria o Aberdeen pelo inglês Manchester United. Tinha no currículo dois inacreditáveis títulos europeus (a Recopa e a Supercopa da Uefa), três títulos escoceses, quatro Copas da Escócia e uma Copa da Liga. Algo absolutamente espantoso ao levarmos em conta a monotonia do futebol na terra do uísque.

Assim como ocorreria em Manchester, Alexander Chapman Ferguson foi o homem certo no lugar certo. Seu talento natural para comandar e gerenciar equipes (sim, no Aberdeen ele já era “manager”) casou perfeitamente com a disposição dos dirigentes em formar um elenco competente. Curioso que, como jogador, Ferguson não teve a mesma estrela. Perambulou por diversos clubes menores do cenário local até ter uma chance no ataque do Rangers, entre 1967 e 69. Não vingou. Em 74, com apenas 32 anos, começou a trabalhar como treinador.

Logo na segunda temporada no Aberdeen (1979/80), conquistou o Campeonato Escocês – o primeiro do clube desde os anos 50. Em 1983/84 e 85/86, viria o primeiro (e até hoje único) bicampeonato nacional da história dos “Dons”. Isso sem falar, é claro, no tetracampeonato da Copa da Escócia, entre 82 e 86.

Aberdeen FC

A cereja do bolo, e que certamente lhe abriria as portas para o futebol inglês, foi mesmo a conquista da Recopa, em 1983. Talvez os mais jovens não se lembrem, mas tal competição – extinta pela Uefa em 1999 – sempre teve muito charme. Afinal, reunia os campeões de copas nacionais. Para chegar ao título, o Aberdeen de Alex Ferguson derrotou nada menos do que o Real Madrid na grande decisão, disputada na Suécia. Antes, nas quartas de final, já vitimara o Bayern de Munique.

Ainda em 83, veio o segundo título continental: a Supercopa da Uefa, contra o Hamburgo. Na Alemanha, empate sem gols. Na Escócia, vitória por 2 a 0. Até hoje, o Aberdeen é o único time escocês a ostentar duas taças continentais. O Celtic tem a Champions League de 1967, enquanto os Rangers faturaram a Recopa de 1971.

Em 86, Ferguson ainda dirigiria a seleção da Escócia na Copa do México, sem sucesso. O time caiu na primeira fase.

O Manchester United não ostenta o poderio atual apenas por ser um clube endinheirado. Pouco mencionada por aqui, a passagem do hoje Sir Alex Ferguson pelo Aberdeen serve para acabar com qualquer dúvida sobre seu enorme talento.

Na foto acima, Alex Ferguson comemora a conquista da Recopa

Na foto do centro, o elenco do Aberdeen celebra a conquista na Suécia (Crédito afc.co.uk)

          

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2 palpites

  1. André Augusto comentou:

    Duas curiosidades sobre Ferguson: ele jamais foi demitido na carreira e demorou quase quatro temporadas para vencer seu primeiro título no Man Utd. Já tracei um perfil dele em 2006, se quiser dar uma olhada, tá lá no blog.

    Abs!

    29 de August de 2009 às 11:58
  2. Chicao comentou:

    Belo post, Luiz! Faz justiça ao Alex Ferguson, afinal, a reviravolta que ele causou no futebol escocês no início dos anos 80 foi algo sem igual, antes ou depois. É realmente o cara certo nos lugares certos. Vinte e quatro anos no comando total de um clube como o Man Utd também é um feito que dificilmente será repetido ao longo da história. E o Man Utd já era um clube bastante tradicional quando Ferguson lá chegou, mas só se tornou “O” Manchester United do início dos anos 90 para cá.

    29 de August de 2009 às 19:02

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