25 de February de 2012

Amistoso com a Bósnia não é “só mais um jogo”

Por @maia_otavio

Parece que foi ontem.

Há quase dois anos, Mano Menezes fez sua primeira convocação pela Seleção Brasileira. O time, completamente renovado e sem pressão, enfrentaria a dura equipe dos EUA, que pouco antes fizera bonito na Copa do Mundo disputada na África.

Situação bem diferente do que aconteceu há duas semanas, quando Mano convocou a desacreditada Seleção que vai enfrentar a Bósnia, cujo maior feito foi quase se classificar para a Copa de 2010.

Antes, Mano tinha nas mãos um time que despertava curiosidade e era aguardado cheio de expectativa para gradualmente subir degraus e enfrentar as mais poderosas seleções do planeta. Agora, comanda um grupo enfadonho, no qual pouco torcedor coloca fé e se anima a apostar suas fichas.

Há dois anos, dizia-se que era um privilégio ter jovens tão talentosos vestindo a camisa amarela e que, com o amadurecimento desses atletas, havia uma chance real de retomar o controle do futebol mundial. Hoje, à exceção de Neymar, que se confirma como estrela de primeira grandeza, todos os outros despertam menos suspiros do que antes.

Em 2010, esperava-se que Alexandre Pato, Paulo Henrique Ganso e Robinho pudessem em 2014 estar à altura dos maiores das suas posições no futebol internacional. Mas hoje ocupam posição consideravelmente mais periférica no mundo da bola do que dois anos atrás.

E, nesse nheco nheco dos nossos talentos, que fazem mais fumaça do que decidem campeonatos, a confiança do brasileiro escorre pelos dedos e vai embora. Afinal, quem, ao disputar uma Copa do Mundo em casa, vai querer confiar a camisa 10 ou a missão de comandar o ataque a um jogador que só se machuca ou a alguém que nunca rende o seu tão propalado potencial?

Aos olhos do brasileiro e do mundo, nossos jogadores perderam valor, nosso técnico perdeu valor e nossa camisa perdeu valor. E, pior do que isso, nossa Seleção perdeu tempo, porque já se passou quase metade do período da preparação até 2014 e o time praticamente não saiu do lugar.

Diante de tudo isso, quando o Brasil entrar em campo nesta semana para enfrentar a Bósnia, não será apenas mais um amistoso. Será menos um, porque a ampulheta está virada de cabeça para baixo e o tempo não para de correr.

A construção do time que vai nos representar em 2014 está tão ou mais atrasada do que a construção dos estádios que serão palco da Copa e, a partir de agora, cada minuto é precioso para quem comandar a seleção pentacampeã do mundo.

Quem poderá nos defender?

          

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5 palpites

  1. Júnior comentou:

    Fui falar que acho a Bósnia um bom adversário, e todo os meus amigos ficaram me zuando. Melhor jogar com Bósnia do que contra Gabão, Estônia e etc. Seria mais legal se fosse na Bósnia. Mano ja se queima na convocação é impressionante, ai todo mundo, inclusive eu ja fica com ma vontade para assisti, analisar e tentar ve algum trabaio como diria o outro.

    25 de February de 2012 às 23:12
  2. Hugo Becker comentou:

    Salvei este texto nos Favoritos. Farei questão de resgatá-lo quando o Brasil for eliminado da Copa de 2014 nas quartas-de-final e a imprensa tratar o fato como uma “tragédia”.

    Pode até vir a ser uma tragédia, mas uma tragédia mais do que anunciada, como bem mostra o texto.

    Abs

    26 de February de 2012 às 11:08
  3. Otávio Maia comentou:

    Obrigado, Hugo! Eu quero muito que o Brasil seja campeão, mas do jeito que vai o texto vai ter essa utilidade daqui dois anos e meio.
    Um abs!

    26 de February de 2012 às 11:12
  4. Otávio Maia comentou:

    Pois é, Junior, a Bósnia de fato é mais time do que o Gabão.

    Mas tudo é questão de referência.

    A Bósnia atual é um bom time para o que se espera da Bósnia, mas ainda pouco para desafiar um time que pretende ser o Campeão do Mundo e reivindicar de volta o título de País do futebol.

    Abs!

    26 de February de 2012 às 11:14
  5. Alexandre Rodrigues Alves comentou:

    Várias questões prejudicam a avaliação da Seleção a meu ver: O Brasil faz amistosos de forma errada; ao invés de jogar uma vez por mês poderia jogar duas vezes a cada dois meses, e fazer como faz a Argentina, fazer um jogo com um time mais local e outro com o time “estrangeiro”; para isso acontecer, claro, não podemos ter jogos de times nacionais acontecendo ao mesmo tempo; isso dá a impressão que todo jogo da Seleção é caça-niquel; claro que há o interesse da CBF pelo $, mas esse jogo contra a Bósnia é um teste de razoável para bom, que muita gente na própria imprensa faz questão de desprezar. Aí entra a velha empáfia brasileira, que acha que só aqui tem futebol de alto nível.

    Sobre o atraso na preparação do time, concordo com você.

    27 de February de 2012 às 11:36

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