Há preconceito contra o negro no futebol brasileiro. Claro que não com a bola nos pés, mas em cargos de comando e gerência. A situação, aliás, reflete o que ocorre no mercado de trabalho, onde vê-se negros em inúmeras funções, mas muito raramente como gestores.
A imprensa esportiva alimenta tal preconceito, mesmo que por pura distração ou falta de preparo. Adoramos chamar jogadores brancos e minimamente instruídos de “diferenciados”, mesmo que eles tenham muito menos coisas interessantes a dizer do que alguns de seus pares.
Semana passada usei este espaço para traçar um pequeno paralelo entre Carlinhos e Andrade, dois ex-jogadores do Flamengo usualmente utilizados como técnicos “interinos” do time da Gávea. Peço licença para falar novamente sobre Andrade.
Se o ex-volante conseguir reverter a atual onda pessimista e conquistar o Brasileirão com o Flamengo, será o primeiro técnico negro a conquistar um título de primeiro escalão no futebol brasuca.
E o pior, podemos contar nos dedos aqueles que lutam na mesma trincheira: Sérgio Soares, do Santo André, e Lula Pereira — ao que parece, atualmente desempregado. Não me recordo de mais nenhum, sinceramente.
Como ocorre constantemente em cenários de preconceito, cria-se um círculo vicioso. Ou seja, ao pendurar as chuteiras, o jogador negro raramente tenta assumir um time. Se Andrade for campeão, ficarei curioso para saber se alguém irá chamá-lo de “diferenciado”.
Este texto faz parte da coluna “País do Futebol”, publicada todas as terças-feiras no Diário de S. Paulo.


Givanildo de Oliveira poderia ser incluso na “trincheira”? Fora do Brasil, lembro apenas do Rijkaard de técnico negro.
24 de November de 2009 às 08:45o Helio dos Anjos é Branco?
24 de November de 2009 às 09:38Gozado que até argentino treinando a Seleção nós já tivemos (Filpo Nuñes), mas negro não (a menos, claro, que incluamos Vanderlei Luxemburgo na lista). Tim Vickery, jornalista inglês que cobre o futebol sul-americano, comentou sobre isso em seu blog, respondendo a uma pergunta de Karl Chads, v. link: http://tinyurl.com/ycnwkgc
24 de November de 2009 às 09:42Joel Santana é quase negro.
24 de November de 2009 às 09:59Se você divide as pessoas no Brasil entre negros e brancos, também não lembro de nenhum branco (cor de americano, manja, quase rosado?) pilotando um grande time. Agora, como eu acho que somos todos mestiços, Andrade inclusive, para mim só existem técnicos bons e ruins, vitoriosos e pés-frios, educados e desbocados, e por aí vai…
24 de November de 2009 às 09:59“…para mim só existem técnicos bons e ruins, vitoriosos e pés-frios, educados e desbocados, e por aí vai…” (2)
24 de November de 2009 às 11:34Andrade é fraco como técnico. Acho que por isso, se for campeão, será diferenciado.
24 de November de 2009 às 11:48O Luxemburgo não conta?
24 de November de 2009 às 12:09Obrigado pelos comentários, em especial ao Vanderson – que enriqueceu o debate com boa informação. Não, o Luxemburgo não conta porque não se encaixa no perfil proposto por este post. Assim como o Joel ou o Givanildo.
24 de November de 2009 às 14:29Se o Luxemburgo é negro, eu sou mulato. E quem me conhece vai entender a piada.
24 de November de 2009 às 14:30Pensar assim é ver pêlo em ovo. O preconceito só vai acabar quando esse tipo de matéria parar de ser escrita. Pergunta para um europeu se Luxa é branco? e Joel? Isso de cor é besteira vamos parar com isso!!!
24 de November de 2009 às 17:33O que me faz parecer, é que no Brasil, não é o negro que não chega a bem sucedido, mas o bem sucedido que por isso mesmo as vezes “deixa” de ser negro.
Uma vez, o Ronaldo Fenômeno disse sobre o racismo de algumas torcidas na Europa: “Eu que sou branco não entendo essas coisas”.
Sacou o meu ponto?
24 de November de 2009 às 21:04Conocordo com o post.
A definição para negro no Brasil é a pele. Desde a década de 90, está havendo uma forte campanha entre as pessoas para se definirem como negros quando tem pais ou traços negros como cabelos, nariz, etc, mas a maioria das pessoas ainda definem outrem ou a si mesmo pela cor da pele.
Por isso, o post acertadamente na minha opinião não incluiu o Wanderlei Luxemburgo por exemeplo.
André o preconceito no Brasil não vai acabar, mas só vai diminuir quando pessoas iguais ao Luis Augusto tiverem coragem para expor o preconceito racial no Brasil.
Outro dia assistindo a spotv um jornalista citou esse fato quase por entre os dentes, com medo do que estava dizendo.
Parabenizo o blogueiro pela coragem e pelo bom jornalismo nesse post.
Em tempo. Eu acho que o racismo também existiu/existe em relação a goleiros. Acho que nessa década que isso diminuiu.
25 de November de 2009 às 01:40Caro André, me diga então: o que aconteceu com o Luxemburgo na hiperconservadora Madri? Afinal, de fato para eles o tom de pele do Luxemburgo é “diferente”. E você vem me dizer que falar nisso é procurar pelo em ovo?! Respeito seu comentário e por favor siga nos acompanhando, mas devo dizer que discordo. Alan, obrigado pelo comentário. Eu realmente concordo com você. Há, sim, racismo contra negros no Brasil – em determinados setores e atividades. E é preciso falar nisso. Abraços a todos.
25 de November de 2009 às 13:46Luiz Augusto Lima,
estou postando este link sobre o seu comentário e ele coincidentemente é o que relatei a momentos atrás na comunidade da FLABH.A Educação Brasileira finalmente está sendo trabalhada para e inclusão de todos!
27 de November de 2009 às 13:03Bom dia.
1 de December de 2009 às 09:55Como é dificil as pessoas se aceitarem como negros ou mulatos. Como descendentes de povos africanos. Ainda bem que temos uma lei 10.639/06 que através da educação possibilitará esclarecer a Historia da Africa e a afrobrasileira, para que as pessoasw não tenham vergonha de assumir a sua origem, como por exemplo um descedente de alemão, japones, turco, frances e outros. Que houve rejeição de Andrade como técnico, claro que houve, se não houvesse meia duzias que gritos a favor dele, Andrade continuaria a ser técnico interino.
Exixte preconeito sim racismo sim. É preciso gritar muito lutar em dobro para chegar se conseguir alguma coisa.
Ivonete.