
No dia 30 de julho de 2000, Barrichello, então Rubinho, conseguiu sua primeira vitória na F-1. Uma vitória épica no GP da Alemanha, guiando com pneus secos na pista molhada de Hockenheim. Tinha 28 anos e estava em sua oitava temporada.
Dos 22 pilotos que estavam naquela corrida, apenas seis disputarão o GP do Brasil, neste domingo. São todos veteranos, incluindo o próprio Barrichello, o piloto que mais GPs disputou na carreira. Fisichella, Heidfeld, Trulli, Button e Coulthard deixaram de ocupar há algum tempo um papel de destaque.
Coulthard disputará em Interlagos sua última corrida. Fisichella gosta de correr e aceita se arrastar com um carro da Force India. Trulli se acomodou na acomodada Toyota. Button, o mais jovem da turma, 28 anos, esteve sempre no lugar errado na hora errada e foi definitivamente apagado quando apareceu um inglês melhor, Hamilton. Heidfeld, o que ainda demonstra competitividade, é uma sombra ao brilho de Robert Kubica na BMW.
Aos 36 anos, Barrichello diz que não está preparado para deixar a F-1, chega a implorar por uma vaga. Não deveria. Barrichello tem seu valor. Um grande valor. Foi um grande acertador de carros, grande piloto sob chuva. Disputou até agora 266 corridas em 16 temporadas consecutivas. Tem nove vitórias, 13 poles (incluindo uma pela Jordan e uma pela Stewart), 15 voltas mais rápidas, 62 pódios (dois pela Jordan e quatro pela Stewart). Barrichello foi o primeiro piloto brasileiro contratado pela Ferrari, pela qual foi duas vezes vice-campeão mundial.
Barrichello deveria ter mais respeito por sua história. Não é piloto que mereça encerrar a carreira mendigando um carro para pilotar ou disposto a dirigir qualquer carroça que lhe ofereçam, como a que pilotou nos últimos dois anos. Fez escolhas erradas, sim. Assumiu responsabilidades que não deveria. Mas foi um grande piloto. Que coloca em xeque sua trajetória ao se permitir a humilhação de implorar por um contrato. Deveria marcar uma coletiva para segunda e anunciar que está cagando para a F-1. Sem esperar resposta da Honda ou para ser a segunda ou terceira opção de outra equipe. Deixar a categoria com dignidade e ir correr na Indy ou na Stock. Mas dar uma banana para a F-1.


Que tal se ele se aposentasse para valer dos circuitos? Talvez seja melhor. Tem dinheiro sobrando, pode virar empresário ou investidor com a vida garantida por umas duas gerações.
27 de October de 2008 às 07:48Eu tenho restrições ao Rubinho. Não é tão ruim, nem tão pior que o Massa. Mas ele falou demais e se curvou muito para permanecer na Ferrari. Nesse ponto, desonrou a tradição de nossos campeões mundiais.
A geração dele tem mais é que tirar o time de campo. Coulthard, Webber, Trulli, Fisichella e outros não acrescentam mais nada à categoria. Na F-1 só há um gênio: Fernando Alonso. Projetos de gênio: talvez Hamilton e daqui uns dois ou três anos, o Vettel. O resto é sub-Mansell.
E, não concordo de jeito nenhum com Reginaldo Leme, que acha o Barrichello um dos 15 melhores pilotos da HISTÓRIA da F-1. Você concorda com essa afirmação? acho que meu xará – por parte de sobrenome – tinha tomado todas e mais algumas quando disse isso, em uma entrevista.
27 de October de 2008 às 08:00Como eu disse no Estado de Circo: o Barrichello tornou-se medíocre, não tem vergonha de ser assim e deveria ter mta, mta vergonha.
27 de October de 2008 às 08:35Rodrigo, tenho a mesma opinião que você. A única coisa que pondero é que dirigir um carro de F-1, mesmo uma Honda ou Force India, deve ser uma sensação espetacular, daí a insistência na prorrogação da carreira. De qualque forma, penso que Rubinho terá vida longa ainda como piloto correndo de endurance, na Europa.
27 de October de 2008 às 10:32PS. Até que enfim hein?
A questão é: no pós-Senna, o Brasil teve vários pilotos vencedores nas “categorias de base”, mas que nunca se firmaram na F-1. O Rubinho, até a chegada do Massa, foi o número 1 do país. Vice-campeão mundial não pode ser mau piloto. O frustrante é a relação de o quanto ganhou e o quanto poderia ter ganhado. Os brasileiros, acostumados a Senna e Piquet, notaramuma enorme diferença de atitude e de condução de carreira entre os campeões do passado e Barrichelo.
27 de October de 2008 às 11:27Tou com o Otávio. Ele pode até não ser tão ruim como pintam, mas no Brasil a cobrança será sempre por um padrão Senna-Piquet. E disso ele está longe. Some-se isso à subserviência bundônica dele na Ferrari (tudo bem, o companheiro de equipe dele foi, para mim, o maior de todos) e você tem a fórmula do fracasso do Barrichello.
27 de October de 2008 às 13:04Juliano e Otávio, não acho que a cobrança dos pilotos por aqui será “sempre por um padrão Senna-Piquet”. Fosse assim, na Argentina não existiria mais automobilismo, pq nunca mais houve dupla como Fangio e Froilán Gonzalez.
Hoje já há uma geração que acompanha F-1 e tem 16, 17 anos e não viu Senna-Piquet nas pistas. Esta geração sabe o que a dupla foi e representou, mas não tem memória afetiva, como nós.
Esta cobrança hoje é menor que há dez anos. E será cada vez menor.
27 de October de 2008 às 13:09Tenho admiração pelo Rubinho. Não uma admiração que se tem pelos reais vencedores, mas aquela que a gente guarda para os que apanharam bastante – muitas vezes mais do que deveriam – e continuam na luta. Para finalizar: talvez esta insistência dele por permanecer seja mais uma das inúmeras escolhas erradas que fez na carreira. Paciência…
27 de October de 2008 às 13:34Excelente texto, Rodrigo. Permite que eu reproduza em meu blog?
27 de October de 2008 às 13:44Claro, à vontade, Capelli. É uma honra!
27 de October de 2008 às 14:45Penso exatamente isso. Escrevi sobre a despedida de Coulthard, hoje, em meu blog. Um piloto muito mais leve e descompromissado do que pareceu ser nos tempos de McLaren, e que está se aposentando de bem com a vida, numa boa, completamente tranqüilo.
Barrichello, ao que tudo indica, ficará mesmo a pé em 2009, e como quase tudo o que fez e protagonizou em sua carreira, irá se aposentar de forma melancólica. Está praticamente sendo obrigado a se aposentar, por que ninguém o quer. Como você disse, ele deveria ter mais respeito pela própria carreira. Deveria curtir essas últimas provas de Fórmula-1 da mesma forma como Coulthard está curtindo.
Uma pena que até na última página do livro, Barrichello não consiga escrever uma passagem verdadeiramente feliz e alheia a qualquer tipo de crítica.
27 de October de 2008 às 15:49Opa! EsporteFino de volta e agora com um integrante que eu conheço muito bem! Que grata surpresa!
27 de October de 2008 às 16:39Mais slguns dias, ou semanas, o Rubinho vai ficar chato que nem o Romário. Aceita qualquer coisa e qualquer porcaria para continuar em atividade. Pelo menos o Romário tinha o papo dos 1000 gols, contando os jogos de casado e solteiro. O Rubinho nem objetivo não tem mais. Não vai arranjar um carro pra ser campeão e o recorde de corridas disputadas, ele já conquistou. O Fisichela é outro que poderia dar adeus e abrir vaga para algum jovem talento.
27 de October de 2008 às 20:43O mal do Barrichello é ser achar apenas um brasileirinho. Se fosse um europeu, talvez seu psicológico lhe motivaria a arriscar mais tanto dentro, quanto fora das pistas.
28 de October de 2008 às 08:08É mais um grande piloto que não conseguiu um título mundial,assim como Stirling Moss, Jack Ickx, Ronnie Peterson Giles Villeneuve e tantos outros. É uma pena, mas é melhor se aposentar agora, antes de ir parar numa equipe minuscula, como piloto de testes.
28 de October de 2008 às 12:44A Fórmula 1 é assim, nunca foi justa e nunca teve pena de ninguém. Bons pilotos já passaram por ela e nunca foram valorizados, nunca tiveram uma chance real de mostrar algo.
28 de October de 2008 às 16:52Muitos pilotos tinham tudo pra ser e não foram!!!Escolhas, atitudes e oportunidades passadas, selaram seus destinos!!!
Concordo quando foi colocado o padrao Senna/Piquet. Nos somos mal acostumados com os idolos. Em um Pais em que 95% do foco esta no futebol, todos aqueles que tem destaque no mundo esportivo internacional deveriam ser mais valorizado por nos brasileiros.
28 de October de 2008 às 18:25O Rubinho foi o primeiro brasileiro a pilotar uma Ferrari como piloto ofical da Scuderia e foi duas vezes vice-campeao mundial. A triste coincidencia e que ele esteve por la junto com um dos maiores pilotos da historia do automobilismo mundial e que foi o responsavel por estruturar a Ferrari como ela e hoje. Ele tinha duas opcoes: correr pela melhor equipe do mundo e acreditar que poderia fazer frente ao Schumacher ou andar de Williams, Toyota etc e etc e com muita sorte ter conquistado uma vitoria em toda a carreira. Como disse o Rodrigo, um grnade acertador de carros, que muito ajudou o Schumacher. Nao sei se e um dos 15 maiores da historia, mas certamente um dos grandes pilotos que estao no escalao abaixo daqueles genios que voce conta em uma ou duas maos. Por isso, se ele tem vontade de continuar correndo e vivendo o mundo da Formula 1, na minha opiniao ele tem todo o direito. Certamente ele nao acredita que ainda sera campeao do mundo, mas ainda quer se divertir! Na minha cabeca, exceto os genios que eu mencionei, todos os piltos gostariam de continuar na Formula 1, mesmo que na Toro Rosso. Na Force India eu ja digo…..hehehe!
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1 de November de 2008 às 01:06