Um colega jornalista, que não mais trabalha na área esportiva, fez outro dia uma crítica sobre o que chamou de “comentaristas de ocasião”. Segundo ele, a mídia especializada está viciada nos resultados de cada rodada do Brasileirão.
Quem venceu passa a ficar bem na fita, não importa o retrospecto. Já quem perdeu é analisado com cautela. Cautela essa que vai por terra tão logo chegue a próxima vitória.
Meu amigo tem razão. Comentar um longo campeonato de pontos corridos parece ser exercício ainda não assimilado por boa parte da crônica (na qual me incluo e desde já me coloco como vidraça). A ansiedade de tirar coelhos da cartola a cada final de jornada gera uma enxurrada de análises imediatistas e descartáveis.
Claro que tem muito jornalista fornecendo novidades e pontos de vista diferentes semanalmente. Mas estes, infelizmente, são a exceção.
Portanto, ao final de mais uma quarta-feira gorda no Brasileirão, nada irei dizer ou prever. Você, amigo visitante deste blog, sabe muito bem que o empate do São Paulo com o Coritiba, no Morumbi, é um prato cheio para o Palmeiras e até para o Atlético-MG.
Sabe que a igualdade entre Corinthians e Fluminense, no Maracanã, foi ruim para os dois. E que a fartura de gols no Barradão (3 a 3) dá bem a medida dos altos e baixos de Flamengo e Vitória.
Chego então à conclusão de que o truque é justamente não procurar os tais coelhos. É dar tempo ao tempo, curtir os jogos e analisar todas as possibilidades com frieza. O resto a gente conversa no boteco.


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