Tupa

É comum usarmos o adjetivo “limpo” ao nos referirmos às camisas de clubes sem patrocínio. Já fui mais romântico. Hoje, não diria que camisas com o nome de empresas são necessariamente “sujas”. Em primeiro lugar, porque a grana gerada por tal medida é fundamental para a saúde dos clubes. Depois, porque tais patrocínios já fazem parte do nosso cotidiano há tanto tempo (desde o início dos anos 80) que nos ajudam a datar nossa paixão.

Por exemplo: impossível dissociar o bicampeonato sul-americano e mundial são-paulino da obscura empresa IBF (Indústria Brasileira de Formulários). Vale o mesmo para o Corinthians e a Kalunga, parceira à época de tantas conquistas. No caso dos palmeirenses, é até covardia falar da Parmalat. E os flamenguistas com menos de 30 anos? Como imaginar o manto rubro-negro sem a Petrobras e seu Lubrax? Há ainda quem tenha saudades da Copa União de 1987, quando todos os participantes (menos o Flamengo) levaram a Coca-Cola na camisa.

Há, claro, o outro lado da moeda. Patrocínios que causam calafrios nos torcedores – por lembrarem épocas de vacas magras ou simplesmente por estamparem logos feios, sem expressão.

O fato é que São Paulo, Corinthians e Cruzeiro devem estrear na temporada com a tal camisa “limpa”. Fica bonito pacas, é verdade. Mas, cá entre nós, já não dá a impressão de que está faltando alguma coisa? É como ver um carro de Fórmula 1 absolutamente liso. Pode ficar bonito, mas parece sem personalidade.

E você, amigo leitor, o que acha? Qual patrocínio te causa nostalgia ou calafrios?

Na foto, Tupãzinho, atacante do Corinthians, comemora gol com a camisa patrocinada pela Kalunga.