Camisa sem patrocínio é camisa ‘limpa’?

Tupa

É comum usarmos o adjetivo “limpo” ao nos referirmos às camisas de clubes sem patrocínio. Já fui mais romântico. Hoje, não diria que camisas com o nome de empresas são necessariamente “sujas”. Em primeiro lugar, porque a grana gerada por tal medida é fundamental para a saúde dos clubes. Depois, porque tais patrocínios já fazem parte do nosso cotidiano há tanto tempo (desde o início dos anos 80) que nos ajudam a datar nossa paixão.

Por exemplo: impossível dissociar o bicampeonato sul-americano e mundial são-paulino da obscura empresa IBF (Indústria Brasileira de Formulários). Vale o mesmo para o Corinthians e a Kalunga, parceira à época de tantas conquistas. No caso dos palmeirenses, é até covardia falar da Parmalat. E os flamenguistas com menos de 30 anos? Como imaginar o manto rubro-negro sem a Petrobras e seu Lubrax? Há ainda quem tenha saudades da Copa União de 1987, quando todos os participantes (menos o Flamengo) levaram a Coca-Cola na camisa.

Há, claro, o outro lado da moeda. Patrocínios que causam calafrios nos torcedores – por lembrarem épocas de vacas magras ou simplesmente por estamparem logos feios, sem expressão.

O fato é que São Paulo, Corinthians e Cruzeiro devem estrear na temporada com a tal camisa “limpa”. Fica bonito pacas, é verdade. Mas, cá entre nós, já não dá a impressão de que está faltando alguma coisa? É como ver um carro de Fórmula 1 absolutamente liso. Pode ficar bonito, mas parece sem personalidade.

E você, amigo leitor, o que acha? Qual patrocínio te causa nostalgia ou calafrios?

Na foto, Tupãzinho, atacante do Corinthians, comemora gol com a camisa patrocinada pela Kalunga.

Luiz Augusto Lima

Jornalista, 39 anos. Era fã do Frank Poncherello, mas o estilo sempre foi mais Jon Baker.
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25 Palpites

  1. Marcio Hasegava

    Segue uma lista (apenas pelo fator estético):
    São Paulo: Círio (Melhor) e Bombril (Pior)
    Corinthians: Kalunga e Pepsi (Melhores. Destaque para o logo retrô da Pepsi na camisa dos 90 anos) e Samsung (Pior, mais uma má lembrança da Carla Dualib)
    Palmeiras: Parmalat (Melhor. Destaque para camisa listrada) e Fiat (Pior, embora a Case orne bem na Verde-Limão).
    Santos: Unicór (Melhor, embora picareta) e Toshiba (Pior, aquele STI enorme é bizarro).

    Aliás, para quem gosta de discussões interessantes a respeito de camisas, o “Minhas Camisas” é bem legal (http://www.minhascamisas.com.br/wordpress/).

  2. Olha, é inegável que a camisa fica mais bonita limpa, sem patrocinadores. Mas no futebol de hoje, altamente profissional, é impensável uma situação assim. Só diretor de marketing idiota de clube pra achar que é “uma coisa bacana”

  3. Também acho que a camisa “limpa” fica mais bonita. Porém, como você disse, os patrocínios já fazem parte do nosso cotidiano.
    Acho que é uma grande besteira perder dinheiro de patrocínio assim, que depois podeira ser usado para fazer boas contratações. Mas talvez o plano seja que as vendas das “inovadoras” camisas cubram o ausente patrocínio, e o clube, além de tudo, ganhe muita publicidade e simpatía dos torcedores. Seria um bom plano.

  4. Eu acho maravilhosas as tais camisas limpas. Patrocínios são necessários, mas não me dão nostalgia nenhuma.

  5. Chicao

    O que você disse faz todo sentido, Luiz. Mas confesso que estou interessado em comprar uma das 20 mil “camisas limpas” que o São Paulo botou à venda agora no início do ano. Quanto à sua pergunta final, um dos patrocínios que mais me causa calafrios, como são-paulino é “Data Control”. E me dá uma certa nostalgia aquela ausência de patrocínios compulsória dos títulos mundiais do tricolor em 92/93.

  6. Hugo Becker

    Eu acho excepcional a tal “camisa limpa”. O São Paulo lançou uma linha exclusiva de camisa sem patrocinadores especial para vendas, que será diferente da camisa com a qual o time iniciará a temporada.

    Aliás, falando em IBF, Kalunga e Parmalat, durante a infância desenhei muito essas camisas, e sempre tive dificuldades em desenhar aqueles rabiscos estranhos do logotipo da IBF… hahahaha!

    Já o próprio São Paulo ostentou coisas bizarras, como a “Data Control” citada pelo Chicão, e a gloriosa Arapuã (existe ainda?) no jogo final do Rio-São Paulo de 2000 (2001?). Jogo em que um certo “Cacá” fez dois gols em um Morumbi absolutamente lotado (desconsideremos aqui que o adversário era o Botafogo).

  7. Ah, quanto ao comentário do Marcelo Laguna, vale dizer que só em gigantes clubes europeus essa medida da “camisa limpa” pode ser tomada de forma sadia. O Barcelona só exibe logotipos de instituições filantrópicas ou ONG’s (Unicef, e outros), mas a camisa habitual do Barça é limpa e o clube se mantém com a verba altíssima da Nike e com a exorbitante grana gerada pelos associados ao clube.

    No Brasil, de forma geral, isso está bem distante, ainda.

  8. Lima, seu próprio post prova as associações marcantes que acontecem entre o patrocinador e o momento de um clube.

    Você diz: “impossível dissociar o bicampeonato sul-americano e mundial são-paulino da obscura empresa IBF”.

    Porém, o mundial interclubes da época proibia que os clubes ostentassem patrocinadores nas camisas. Ou seja, o São Paulo foi bicampeão mundial com uma camisa lisa. Mas, mesmo assim, todo mundo associa a IBF àquele período.

  9. Alan

    A camisa do fluminense com o logotipo do sportv me causa lembranças ruins.

    A camisa do flu com a unimed depois de 10 anos seguidos será sempre lembrada com carinho. Marca o nosso recomeço.
    O outro logotipo inesquecível é a inscrição “ame o rio” que o flu estampou na camisa nopor falta de patrocinio no ano de 95.

  10. Luiz Augusto Lima

    Oi, Capelli. Realmente, como o Chicão tbém me alertou, os dois títulos do SP no Japão foram com a camisa limpa. Mas é inegável que, como vc tbém bem lembrou, o patrocínio acaba batizando toda uma época – boa ou ruim. Abs!

  11. José Antonio Lima

    Puts, Chicão, Data Control é de f… mesmo.

    Agora o patrocínio mais sensacional da história do futebol brasileiro foi aquele do SBT na camisa do Vasco na final da Copa João Havelange, aquela palhaçada que quase afundou o futebol brasileiro de vez.

    Além de ter uma idéia genial (de um gênio do mal), ela foi executado com uma precariedade sensacional. Acho que deram uma escaneada em algum logo do SBT e meteram na camisa. Saiu todo desbotado, foi muito engraçado….

  12. alan

    José Antonio Lima, além de ter sido um patrocinio serviu para o presidente vascaino começar seu declínio.

    Depois disso, radialistas daquele veículo deixaram de rir de suas presepadas, jornais não quiseram mais se omitir com suas jogadas de bastidores e denúncias rapidamente apareceram em rede nacional no telejornal mais visto do Brasil.

    Ali começou o declinio do Eurico e do Vasco que o levaria para segunda divisão, não tenho dúvida.

  13. alan

    *patrocíno sensacional

  14. As camisas mais bonitas sempre serão as “limpas”. E isso se refere a qualquer clube.

    Agora, que tem uns patrocinios que dão medo, isso tem. No São Paulo, os piores foram Data Control e Cirio, uma feiura que se materializava em campo, com atuações medíocres. O da Arapuã tambem era de doer (não ficava bem nem no “Cocô”). O da IBF era feio, mas a época – como vcs ressaltaram – só traz lembranças boas. O da TAM, da Coca cola e da Motorola ficavam bem na camisa.

    No Corinthians tinha um da BASF que era uma “beleuza”, no Palmeiras eu lembro do da Agip, que nem era feio, mas a época que o time vivia não era das melhores.

  15. Régis

    A Petrobras e seu “Lubrax” na camisa do Flamengo já é tradição, mas aquele “premium” na manga da camisa escrito de azul é a coisa mais horrível e de mal gosto que poderia existir, destôa totalmente do uniforme que é rubro negro, acho que deveriam ter mais cuidado com isso. Eu mesmo não compro a camisa oficial por causa disso. Deviam lançar para venda a camisa oficial sem patrocínios.

  16. Ricardo

    VOCÊ ESQUECEU DE COMENTAR, MAS O CORINTHIANS FEZ PARCERIA COM KALUNGA EM 87 NA COPA UNIÃO!
    ASSIM, O FLAMENGO NÃO FOI ÚNICO A NÃO SER PATROCINADO PELA COCA-COLA!

  17. Josh Saviano

    No Santos, lembro do logo da Coca-Cola, que ficava muito linda a camisa, (embora a época tenha sido horrivel), O da Lousano tmb era legal, e o da Unicor, Alphaclub, mas todos foram em tempos de vaca magra na Vila. A camisa mais legal do peixa na minha opinião foi a da temporada 2001/2002, que não tinha patrocinio, apenas o escudo, o logo da Umbro, e o simbolo da Fifa, pelo reconhecimento por ser o maior das Américas!!

  18. Carlos Henrique

    É Capelli vc tem razão, eu preferia as camisas lisaas, principalmente quando se jogava o mundial de clubes, no japão, as camisas eram um show. Tenho até hoje a camisa do ciro ferrara da juventus da final contra o river plate, quando meu pai foi assistir o jogo, apesar d tocer para internazionale

  19. edu

    Sou publicitário e, claro, concordo que os clubes precisam da verba dos patrocinadores, em troca da exibição de suas marcas nas camisas dos jogadores. O ojetivo do patrocinador é fazer com que sua marca seja lembrada pelos consumidores no ato de suas compras.
    Mas não concordo que o consumidor-torcedor tenha que pagar pela camiseta de seu time (o que é justo), mas seja forçado a exibir nela a marca do patrocinador, sem receber nada em troca (o que não é justo). Acho aceitável, porém, que na camiseta tenha a logomarca (discreta) do fabricante, seja ou não o patrocinador do time. Como não encontro camisetas do meu time ou da seleção sem as logos dos patrocinadores, não as compro. Mas… se eu ganhar a camisa e a logomarca for não for feia, uso numa boa, já que não paguei pra fazer propaganda de ninguém.

  20. so mais a eletrobras no vasco da gama! o patrocinio da mais cor a camisa tem q ter

  21. Apesar de o patrocinio nas camisas ser um mal necessário, eu sempre preferí as chamadas camisas limpas. Da mesma forma, não gosto quando o poster do título vem com um “bando” de crianças na frente dos jogadores e/ou uma faixa do patrocinador. Prefiro ainda a foto do time com apenas os onze atletas, mesmo reconhecendo a importancia da participação do resto do elenco. Mas, é claro que o tempo nos faz acostumar e hoje eu até sinto saudade daquela camisa do Flamengo com a descrição LuBRax na frente.
    Parabens pelo site, e já que vocês estão tratando deste assunto, por acaso sabem que ano começou esse negócio de publicidade nos uniformes esportivos?
    Eu curso jornalismo e estou fazendo um trabalho a respeito; mas não achei uma site com esta informação. Sei que foi no começo da década de 80, mas, exatamente em que ano?

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  23. Raimundo Filho

    Tudo bem que o futebol de hoje é altamente profissional e precisa do dinheiro dos patrocinadores, mas deveria existir A CAMISA DOS JOGADORES E A CAMISA DOS TORCEDORES. O patrocínio seria colocado nas camisas dos profissionais e nas nossas, torcedores, apenas o símbolo (escudo) do clube e a logomarca da fábrica da camisa.

    Não ficaria mais bonita???

  24. fernando

    sou um apaixonado pelo futebol. por mais que falem da necessidade do patrocinador nas camisas, jamais poderei ser a favor das marcas estampadas. deveria haver outra alternativa. fazer o que ??? até as camisas clássicas dos clubes não se respeitam mais… fico indignado ao ver o meu santos todo de preto, o meu náutico todo de vermelho, o fluminense de laranja, o corínthians de azul, e por aí vai. os times entram em campo com uniformes que não possam se misturar entre si em nada, para não transgredir às leis da fifa e não atrapalhar as arbitragens, mas o que eu vejo é que os erros de arbitragens não diminuiram e estão até pior. os times em campo é que cada vez se descaracterizam mais e mais. quase não se vê mais um flamengo com o seu tradicional calção branco ou o santos com o calção branco e camisa listrada, o inter quase sempre jogo todo vermelho, o corínthians de repente vira um santos e jogo todo de branco, o botafogo enlutou de vez e fica todo preto sem necessidade, etc. que saudade da camisa toda vermelha da portuguesa de desportos, que nem assim se chama mais…

  25. Markevius

    Discordo de você, camisa sem patrocínio embeleza ainda mais o futebol, grandes vencedores trabalham com pouco patrocínio como é o caso do Barcenola ou com apenas um ou dois patrocínios na camisa como é o caso do Manchester United e Inter de Milão. Sei que são realidades bem distintas, mas só estou citando. No caso da Fórmula 1, recentemente a Brawn GP deu um show em todo mundo levando o Campeonato Mundial com Button e ainda deixando o “veloz” Rubinho com o vice, se bem me lembro no carro da Brawn não existiam patrocínios, e ficou bem bacana todo trabalhado em branco com detalhes em verde fluorescente. Abração.

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