Por Victor Martins
Editor-chefe do site Grande Prêmio
Cai no clichê “é difícil ver” o que teria acontecido se Ayrton Senna não tivesse deixado a condição de herói nacional para se transformar em mito naquele 1º de maio de 1994. Mas é verdade. É difícil seguir um raciocínio verossímil.
Hoje Senna beiraria os 50 anos. Muito provavelmente permaneceria na Fórmula 1 por umas três ou quatro temporadas depois de 1994, talvez se aventurasse a correr na Indy e hoje estivesse na condição de empresário, cuidando de fundações ou incentivando jovens a entrarem no automobilismo.
1994. Senna vinha num ano ruim no campeonato, perdendo para seu único rival, Schumacher. Aquela temporada acabou tendo um desfecho que usou como causas a própria morte de Ayrton. As punições ao alemão provavelmente surgiram para que houvesse algum ânimo na questão desportiva — daí chegar à Austrália indefinida e ver Schumi campeão sendo desleal com Hill. É plausível imaginar que Senna se recuperaria e disputaria o título com seu algoz.
Levando em consideração que Senna tinha um pré-contrato com a Ferrari, Senna passaria a ser piloto de Maranello. Teria a mesma tarefa que Schumacher teve ao reorganizar a equipe italiana, moldando-a a seu bel-prazer. Dificilmente ganharia o título de 1995. Em 1996 seria mais combativo — e, portanto, Schumacher não iria à Ferrari; possivelmente Frank Williams o contratasse ou seguisse na Benetton.
E aí as vertentes que se abrem na pista são exercícios especulativos. Coisas do tipo: bastasse o primeiro título na Ferrari, por exemplo, e Senna anunciaria a aposentadoria para sair no auge, para igualar a idolatria que tem no Brasil à dos italianos, para transformar-se em lenda e mito enquanto vivo.
A Indy seria remota nesse cenário, até por sua decadência. Não era a mesma Indy pela qual Senna fez um teste — em 1992, os pilotos mais velhos, como Nigel Mansell, Michael Andretti e Al Unser Jr. faziam frente aos novatos, que eram minoria, até. 1998 ou 1999, como Cart, já mostrava outra situação, com Alex Zanardi e Juan Pablo Montoya como protagonistas. Senna só iria para a América por sua disposição física e sua inclinação por desafios.
Definitivamente fora das pistas, Senna cuidaria de projetos pessoais, voltados ao esporte, similares também aos que a irmã Viviane vem desenvolvendo.
Só que, além de traçar essa trajetória, é importante pensar que dificilmente Senna alcançaria o patamar de quase deus que hoje tem. A forma como morreu e a ideia que se tinha de que representava toda uma nação na F-1 deram a ele contornos de mártir. Vivo, Senna seria para os brasileiros algo próximo do que é Pelé, talvez mais acima, na questão da idolatria, por conta da maior divulgação e noção dos feitos realizados em sua época — e a TV e Galvão Bueno contribuem decisivamente para tal elevação.


O Senna é inesquecível.
13 de September de 2009 às 16:37eu não acho q o senna seria do patamar do pelé nem vivo nem morto
13 de September de 2009 às 18:11Se não me engano a revista SuperInteressante fez um exercício de imaginação assim em alguma edição recente, detalhando ano a ano o que teria acontecido se Senna não tivesse morrido em 94. Muito interessante, mas eu infelizmente não tenho nenhum link pra isso, só na revista mesmo.
14 de September de 2009 às 03:33Acho se Senna estivesse vivvo a carreira do seu sobrinho Bruno não teria ficado interrompida tantos anos. Creio que Ayrton estaria bem próximo do sobrinho acompanhando-o na F1, pois a carreira de Bruno nesta categoria já teria se iniciado.
14 de September de 2009 às 10:32Já parei para pensar nisso. Nos meus pensamentos Senna para com cinco títulos mundiais. Competitivo do jeito que era iria querer superar seu rival francês 4 vezes campeão.
Acho que não se manteria longe da f-1. Talvez virasse um consultor, ou dono (sócio) de uma equipe.
Não teria a mesma imagem que ficou depois de morto pq o Brasil já não precisa de heróis. rs. O Senna com bandeira empunhada levantando a nossa auto-estima seria hoje em dia “apenas” um dos maiores da f-1 com muitos admiradores. Um daqueles caras iguais ao Jordam, Pelé, Maradona, Guga, etc.
Acho também que o Rubinho teria sido mais feliz em sua carreira. Não sofreria a enorme pressão de ser o proximo campeão mundial brasileiro.
14 de September de 2009 às 17:49[...] – E se Ayrton Senna não tivesse morrido em Ímola 1994? – A força do Manchester City. E a bronca de Adebayor – Ganhe ou perca, ninguém é obrigado a [...]
14 de September de 2009 às 22:25