14 de October de 2009

El Salvador vs. Honduras: a guerra do futebol

Honduras Copa do Mundo

Quarenta anos depois dos jogos válidos pelas Eliminatórias da Copa de 1970 que estão no âmago da chamada Guerra do Futebol, El Salvador e Honduras se enfrentam hoje, às 22h05 de Brasília, no estádio Cuscatlán, em San Salvador, em partida que vale uma vaga na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

Desta vez, apenas Honduras pode carimbar o passaporte. Para isso, precisa vencer fora de casa e torcer para que a Costa Rica não vença os Estados Unidos em Washington. Se não tiver sorte, vai para a repescagem.

Em 1969, no entanto, não era assim. Como relata o livro Vencer ou Morrer – Futebol, Geopolítica e Identidade Nacional, de Gilberto Agostino, que traz um excelente trecho sobre a Guerra do Futebol (ou Guerra das Cem Horas), nas Eliminatórias de 1970 El Salvador e Honduras chegaram à decisão da Concacaf para disputar a única vaga em jogo para o mundial do México.

O confronto foi apimentado pela situação política dos dois países, que “viviam, já há alguns anos, em um quadro de hostilidades crescentes”. Segundo Agostino, “além dos interesses das elites nacionais envolvendo oportunidades abertas – e fechadas – pelo Mercado Comum Centro Americano (MCCA), a imigração de salvadorenhos para Honduras, disputando empregos e oportunidades, incitava a xenofobia, alimentando tensões”.

Vencer-ou-Morrer-capa Para piorar, leis hondurenhas impediam que empresas tivessem mais de 10% de salvadorenhos em seus quadros e os salvadorenhos também não podiam escriturar terras em Honduras. “Neste quadro, o futebol seria o elemento catalisador de conflitos que iam muito além do campo de jogo”.

Em 8 de junho de 1969, em Tegucigalpa, Honduras venceu por 1 a 0, gol de Roberto Cardona, uma seleção de El Salvador prejudicada pelo barulho ensurdecedor na madrugada. Em El Salvador, a reação foi violenta, com protestos, quebra-quebra, e uma garota, Amelia Bolaños, se matou, revoltada com o tratamento dado pelos hondurenhos a sua seleção.

Como conta Agostino, o suicídio comoveu El Salvador e a chegada da seleção de Honduras ao país se tornou um inferno. Ovos podres, excremento e ratos mortos foram jogados contra o hotel onde estavam os hondurenhos e uma bandeira do país foi queimada na arquibancada. “A vitória dos ‘anfitriões’ por 3 a 0 levou o técnico de Honduras, Mario Griffin, a declarar graças a Deus porque seu time tinha perdido”.

Nas comemorações, dois hondurenhos foram mortos em El Salvador, enquanto em Honduras grupos paramilitares atacaram os salvadorenhos. Em 25 de junho, o governo de El Salvador acusou Honduras de genocídio e logo os países romperam relações diplomáticas e comerciais. Dois dias depois, em 27 de junho, as seleções se enfrentaram na Cidade do México, na partida decisiva. Após um 2 a 2 no tempo normal, El Salvador venceu por 3 a 2 na prorrogação, com gol de Rodriguez.

Em 14 de julho, as tensões eram enormes, e a guerra começou com um ataque aéreo de El Salvador. No total, as cem horas de conflito deixaram quatro mil mortos e milhares de camponeses desabrigados.

Fotos: La Prensa e Reprodução

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6 palpites

  1. Danilo comentou:

    Olá amigos,

    esse livro do Agostino é excelente! Estudo jornalismo, e estou fazendo um trabalho exatamente sobre esta temática, envolvendo o futebol e apolítica. Gostaria de saber se alguém não teria o contato do autor para que eu pudesse ocnversar com ele.

    Abraços!

    14 de October de 2009 às 12:01
  2. Luiz Augusto Lima comentou:

    Esse assunto é muito bacana mesmo, e infelizmente pouco explorado. Futebol não é só esporte.

    14 de October de 2009 às 14:30
  3. Chicao comentou:

    Ah, o futebol! Como citaria o Luiz, tem aquele livro “Como o Futebol Explica o Mundo”, ou algo assim…hehe

    14 de October de 2009 às 19:22
  4. alan comentou:

    Como é triste o futebol misturado com a guerra seja qual for.

    15 de October de 2009 às 00:50
  5. ZELAYA, AINDA SEM RESPOSTA DEFINITIVA, É ATROPELADO PELA CLASSIFICAÇÃO DE HONDURAS PARA A COPA DO MUNDO « | Blog | Reinaldo Azevedo | Política, governo, PT, imprensa, cultura | VEJA.com comentou:

    [...] o estopim de uma guerra — guerra mesmo! — entre os dois países. Um bom relato está no site Esportefino. Segue um trecho: * Como relata o livro Vencer ou Morrer – Futebol, Geopolítica e Identidade [...]

    15 de October de 2009 às 06:15
  6. A seleção do Sarre nas eliminatórias da Copa do Mundo de 1954 | Esporte Fino comentou:

    [...] Oriental e Alemanha Ocidental na Copa de 1974. É um daqueles episódios, como a Guerra do Futebol, que mostra claramente como o esporte e a política estão entrelaçados, e como [...]

    2 de November de 2009 às 20:13

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