
Eric Clapton é o Rocky Balboa da guitarra? Tudo bem, a comparação vem bem a calhar em um blog esportivo. Mas não é só isso.
A verdade é que Clapton apanhou um bocado da vida. Chega a ser um milagre vê-lo com sessenta e tantos anos, pai de várias meninas e marido dedicado.
Mas, tal qual o nosso ídolo interpretado por Stallone, o “Deus da guitarra” não revela sua força por meio dos socos que distribui. E sim pelas porradas que consegue aguentar.
“Clapton is God”, já revelavam os muros pichados de Londres nos anos 60. Mas Clapton também é alcoolatra. Pensa que ele realmente curtiu as décadas de 70 e 80, quando lançou inúmeros sucessos?
“Estava muito bêbado para vivenciar tudo aquilo”, desabafa várias vezes em suas sofrida e honesta autobiografia, lançada em 2007. “Pensei em me matar e é desesperador pensar que não o fiz porque, morto, não poderia mais beber.”
Sim, é verdade que se casou com Patti Boyd, mulher do amigo George Harrison. Mas, como em todos os inúmeros romances nos quais se envolveu, nada era bem resolvido. Tudo era triste.
E houve Conor. Seu filho com a italiana Lori Del Santo (gota d´água para o fim do casamento com Boyd). O menino deu forças para Clapton finalmente largar o álcool por volta de 1987. Internado pela segunda vez em uma “rehab”, o Deus da guitarra finalmente encontrou Deus. Caiu de joelhos, chorou e nunca mais bebeu. Desde então, reza de joelhos ao acordar e ao ir dormir.
Em 1991, aos quatro anos, Conor caiu da janela do apartamento da mãe, em Nova York. Eric ia passar por lá para levá-los passear. Estava apaixonado pelo garoto. Como conseguiu suportar tal dor sem voltar a beber e se drogar?
Antes de mais nada, lembremos que Clapton é um bluesman muito antes de ser um roqueiro. Sua alma não está na Inglaterra, e sim no distante Mississipi.
E o blues é uma arma e tanto para o homem suportar a dor com religiosidade, humor irônico e, no final das contas, amor pela vida. Gravou para o filho o hit Tears in Heaven um álbum acústico de estrondoso sucesso.
Abriu a própria clínica de reabilitação, no Caribe, e conheceu enfim a mulher com a qual acalmaria o espírito. Percebeu que até então procurava nas parceiras a mãe inalcansável, que o abandonara após o parto. Freud explica.
Clapton é mesmo um Deus da guitarra. Mas não é maçante, como muitos roqueiros “virtuosos”. Sabe que o blues não perdoa egos inflados e usa seu instrumento apenas para transmitir seus sentimentos.
Agora com licença que vou ouvir Presence of the Lord. Ou Bad Love. Ou Wonderful Tonight.
Leitura recomendada: Eric Clapton – Autobiografia; Editora Planeta, 400 páginas (cerca de R$ 50,00).


Caramba, Luiz! Será que preciso dizer algo sobre esse post?
10 de December de 2009 às 17:36Clapton é um guitarrista muito bom. Bebeu de fontes maravilhosas para ser o bluesman que é. E que bom que viveu pra contar a história. Coisa que Jimi Hendrix não conseguiu, infelizmente.
Eric Clapton poderia, aliás, ser leitura obrigatória para dirigentes de futebol. Livro da série “como reerguer um clube em ruínas”.
O post foi bom? Muito. Fui claro? Talvez. Ou não.
Um grande abraço, Luiz, e parabéns pelo post.
Matheus
10 de December de 2009 às 23:37post lindo. rs
11 de December de 2009 às 01:06