
Só hoje consegui ler o noticiário da segunda-feira, dia seguinte ao título da Espanha. E foi um tanto assustador ver que a nova campeã mundial é também uma seleção estelionatária, por ter a capacidade de enganar o mundo do futebol com seu estilo de jogo pseudo-ofensivo.
Quando se fala em futebol-arte, eu lembro de três coisas. Rinus Michels, Telê Santana e o Palmeiras de 1996. Ao pensar na Espanha de 2010, não vejo nada que lembre isso, mas sim muito do Brasil-94, da França-98 e da Itália-2006. Como os campeões antecessores, a Espanha tem um esquema tático rígido, se preocupa prioritariamente com a posse de bola e prefere não sofrer gols a marcá-los.
Isso não é um crime. O Brasil de Dunga era assim. A Holanda de Bert van Marwijk e o Uruguai de Tabarez também. Esse é o novo futebol, nem ofensivo e nem defensivo. Mas eficiente, como obrigam os esquemas táticos e preparos físicos atuais. Nas palavras de Van Marwijk antes de enfrentar o Brasil: “É muito mais difícil ser campeão hoje em dia jogando como antigamente”.
Reconhecer isso não é difícil. Em 2010, a Espanha igualou França-98 e Itália-06 como a campeã de melhor defesa na Copa. E teve também o pior ataque da história das Copas, algo que renderia eterna abominação a Dunga mesmo em caso de título, como ocorreu com Parreira.
A Espanha é uma ótima equipe, dominou todos seus adversários e foi campeã com justiça. Mas dizer que marcar por pressão e trocar passes no campo do adversário é um “retorno ao futebol ofensivo” beira o ridículo, ainda mais em se tratando da campeã com pior ataque em 19 mundiais. O futebol não é política, nem economia, mas também precisa de reflexão ao ser noticiado. É isso o que está faltando.
Foto: Mike Hewitt – FIFA/FIFA via Getty Images


[...] This post was mentioned on Twitter by Esporte Fino and Alexandre da Rocha. Alexandre da Rocha said: Rescaldo da Copa | Espanha 2010: o estelionato do futebol ofensivo | Esporte Fino: http://bit.ly/bwmih4 via @addthis [...]
14 de July de 2010 às 13:52Pois é! Incrível constatar que o campeão com pior índice de gols marcados seja considerado o time que “jogou bonito” nessa Copa. A que ponto chegamos? Pra mim, se alguém jogou bonito nessa Copa foi o Uruguai, não por exibirem primor técnico ou jogadas geniais, mas sim porque dava pra perceber que os Uruguaios estavam o tempo todo no seu limite, dando 101% a cada jogo, e por isso chegaram aonde chegaram.
14 de July de 2010 às 13:54Só uma visão um pouco diferente que eu tenho.
Apesar de concordar que o futebol Espanhol é pseudo-ofensivo, acredito que isso seja por incompetência dos finalizadores e não por orientação tática.
As vezes que a Espanha tentou chutes a gol nessa copa, passou vergonha, com chute quase saindo pela lateral.
Por isso, acho que a média de gols foi tão baixa pois eles preferiam ficar com a bola até conseguir uma chance claríssima de gol, como teve o Iniesta na bola do título.
Esse time da Espanha me lembra muito mais o time do Parreira da copa das confederações de 2005 do que o de Parreira de 94. Um time rápido, com posse de bola, que domina o adversário e sempre (ou quase sempre) acha uma brecha para matar a partida.
Claro que eu prefiro um time ofensivo, que jogue e dê espaço para jogar, mas dentre os times “modernos”, esse futebol espanhol me agrada mais do que a Holanda, por exemplo.
14 de July de 2010 às 14:05Concordo com o que você escreveu; mas penso que a contusão/má fase de Fernando Torres contibuiu para esse futebol escasso de gols, irritante, faltou um atacante de área; ñ sei se por opção do técnico ou falta deles no futebol Espanhol.
14 de July de 2010 às 14:17Acho a Espanha um bom time, que joga priorizando o toque de bola e que tem cuidados defensivos. Apesar de não ser um futebol tão esfuziante e vertical em busca do gol, não acho que jogue um futebol pseudo-ofensivo. Eles jogam no estilo inglês (com duas linhas de quatro), mas mostram muito mobilidade para chegar ao gol; pode não ser uma escola extremamente admirável de se jogar, mas tem ofensividade e qualidade.
14 de July de 2010 às 17:08Bom, nas eliminatórias, a Espanha jogou dez vezes, ganhou as dez, sendo cinco por goleada. Na Copa, em todas as partidas ela finalizou mais vezes do que seu adversário. Isso é ser ofensivo.
14 de July de 2010 às 18:12É o estilo que o Parreira gosta, muita posse de bola pra não levar gols.
14 de July de 2010 às 18:51Até que enfim! Alguém com a mesma opinião que eu.
Eu particularmente tenho odiado essa ladainha da generalidade da imprensa esportiva, de que a Espanha é ofensiva, pq tem sempre a posse de bola, pq troca passes e ñ dá chutão, etc.
Ofensivo onde? A ideia é clara: se eu mantiver a posse da bola, o meu adversário não a tem e ñ pode me atacar. Eu diria que isso é o “tuning” da retranca.
Tanto é que, com essa mesma tática, o Barça não conseguiu ganhar da Inter quando precisava. E pq? Pq quando o adversário não quer a bola, essa tática não faz sentido.
14 de July de 2010 às 23:18Comparar Brasil de Dunga e Espanha. Apos isso não da para levar seu texto a serio. Parei de ler nesse momento. Sao dois times com propostas extremamente diferentes. Assita denovo os jogos, e nao se atenha a numeros.
Barcelona nao ganhou da Inter, porque a Inter é um grande time, e o Barcelona teve um gol anulado injustamente.
15 de July de 2010 às 11:49“Tanto é que, com essa mesma tática, o Barça não conseguiu ganhar da Inter quando precisava. E pq? Pq quando o adversário não quer a bola, essa tática não faz sentido.”
E, pelo mesmo motivo, a Espanha perdeu da Suíça.
15 de July de 2010 às 12:05Não acredito que isso seja sério. Só faltou falar que o Barcelona se compara ao São Paulo do Muricy.
15 de July de 2010 às 12:21Olá, Felipe e Rafael Andrade,
O Esporte Fino é sempre regido pela diversidade de opiniões. Quem sabe da próxima vez vocês prefiram contra argumentar a criticar o texto sem base alguma…
Abs
15 de July de 2010 às 13:48Concordo com o Cleiton, a má fase do Torres contribuiu demais para a falta de gols, e mesmo sem ele o time continuou jogando da mesma forma, mas faltava a finalização.
16 de July de 2010 às 10:07Exceção feita à final, me agradou muito ver esse time jogar, muito mais que Brasil de 94, e muito mas muito mais que a Itália de 2006 (o pior campeão q eu vi, acompanho desde 94).
Pra mim, os números da Espanha não representam exatamente o q eu vi em campo.
Assim como o Rock, o Futebol morreu…
18 de July de 2010 às 11:43Você ainda enxerga o futebol dividido em estilo técnico (creaivo, talentoso) e o tático (rígido), sem concessões às fusões ou à evolução conceitual? Eu chamo isso de maniqueísmo, a simplificaçñao da vida, que descomplica o entendimento. Coisa de novela da Globo, com mocinhos e bandidos. Atualizar-se é preciso, rapazinho.
31 de August de 2010 às 14:24