A Uefa anunciou ontem, em Bucareste, que, das 12 cidades da Polônia e da Ucrânia que se candidataram para sediar a Eurocopa de 2012, quatro estão completamente descartadas, três estão com a corda no pescoço e apenas cinco devem estar prontas para o torneio daqui a três anos. Dessas, quatro estão na Polônia – Gdansk, Poznan, Varsóvia e Wroclaw – e apenas uma na Ucrânia, a capital Kiev. E aqui devemos parar e fazer uma breve análise sobre o impacto da política no futebol, especialmente por conta da situação ucraniana.
Na disputa para ser sede da Euro 2012, Ucrânia/Polônia bateram, entre outras, a candidatura da Itália, um país com longa tradição no futebol e estádios e infra-estrutura bem acima da média. A escolha não chegou a causar surpresa, mas mostrou que a Uefa está sintonizada com as instituições políticas ocidentais (União Europeia e Otan, por exemplo), que têm tentado – não oficialmente – aumentar sua esfera de influência, reduzindo, assim, a da Rússia.
Ocorre, no entanto, que o principal torneio organizado pela Uefa, que teve sua sede escolhida de forma política e não esportiva, corre o risco de assinar o recibo do vexame histórico de sediar o torneio em dois países, mas em apenas cinco cidades, sendo apenas uma na Ucrânia. Todo o problema tem origem na conturbada política ucraniana, que vive um dilema entre tentar se aproximar do Ocidente ou continuar sujeita às fortes pressões políticas e econômicas da Rússia.

Para tomar esse rumo, a Ucrânia está dividida entre a influência da primeira-ministra Yulia Tymoshenko (foto), que vê a Rússia com um pouco menos de raiva, e o presidente pró-Ocidente Viktor Yushchenko, que têm poderes parecidos graças a uma recente reforma política desajeitada. Pouco popular, Yushchenko tem poucas chances de vencer a próxima eleição, que nem marcada está, e quem deve disputar o poder com Yulia é Viktor Yanukovich. Ele, que já foi apoiado por Moscou, é bem menos hostil aos russos que Yushchenko, e também defende, de leve, a integração com a Europa. Em meio a este cenário político, a Ucrânia está atolada na crise, foi a primeira nação a pedir socorro ao FMI após o drama dos derivativos e os políticos estão mais preocupados com as eleições do que com reformas estruturais. Para piorar, o país está registrando um crescimento negativo de 9% e investe apenas 2% do PIB em infra-estrutura – este “pequeno detalhe” que fará toda a diferença para a Eurocopa.
Fica claro que a Uefa quis dar uma força política para um provável novo membro da União Europeia. Só faltou avisar aos russos, ou melhor, aos ucranianos. Donetsk, Lviv e Kharkiv têm até 30 de novembro para apresentar melhorias, o que parece improvável. Se não conseguirem, estarão eliminadas, como já estão Dnipropetrovsk e Odessa, e a Uefa terá que explicar por que escolheu a Ucrânia para sediar a Eurocopa. Não vai ser fácil.


Explicação precisa. E eu gostaria de registrar meu espanto quanto à primeira ministra. Na Ucrânia só tem mulher bonita, confirmado. As feias são naturalizadas.
14 de May de 2009 às 11:37ha, ha, ha, Rodrigo coitada das naturalizadas
14 de May de 2009 às 12:56Política e esporte só é bom quando bem dosadas
Ela está com toda a pinta de operadora de telemarketing!
14 de May de 2009 às 14:50Ela está com toda a pinta de operadora de telemarketing! [2]
Eu achei que fosse antes de ler a segunda parte do texto rs
14 de May de 2009 às 15:12Que post bacana, Zé! Só mesmo no Esporte Fino o esporte é tratado com seriedade e profundidade… O Yuschenko é aquele que foi envenenado e ficou um tempo com a cara meio deformada? Abs
14 de May de 2009 às 17:43Ela está com toda a pinta de operadora de telemarketing! [3]
Gostei do post.
14 de May de 2009 às 22:40Luiz, Yuschenko, que eu saiba é esse mesmo. E esse blog devia mudar o nome para “(Muito Mais Que)Esporte Fino”…rs
15 de May de 2009 às 03:31A verdade sobre Cristiano Ronaldo em http://www.osfosforos.blogger.com.br hahahahaha
15 de May de 2009 às 04:25É o próprio, Luiz. Ninguém nunca desvendou o crime, mas todo mundo sabe que a ordem partiu de algum lugar depois da fronteira leste da Ucrânia…
15 de May de 2009 às 09:39Aliás, Zé e Luiz, o livro Morte de Um Dissidente, de Alex Goldfarb e Marina Litvnenko, mostra os expedientes da antiga KGB e o assassinato de um espião numa complexa trama em que Boris Berezovski é apresentado como mocinho. Não sei se o papel dele é esse mesmo, mas a leitura é fantástica!
15 de May de 2009 às 09:48Boa, gente! Valeu!
15 de May de 2009 às 15:42