Seria ótimo se fosse brincadeira, mas a polêmica que tem como protagonista o volante Roberto Brum, do Santos, é preocupante. Como no caso das camisas com escritos religiosos, a religião e o obscurantismo começam a querer deixar a esfera privada para invadir a esfera pública, no caso o futebol, um bem coletivo dos brasileiros. E, como é óbvio para qualquer criança da segunda série, esse movimento não pode dar certo.
Tudo começou quando o vidente Robério de Ogum, aquele que acertou que o Palmeiras sairia da fila em 1993, afirmou ao jornalista Ademir Quintino que Roberto Brum era uma influência negativa no elenco do Peixe e que o técnico Vanderlei Luxemburgo deveria afastá-lo. Brum respondeu elegantemente, mas acabou mesmo afastado por Luxemburgo depois do cartão amarelo infantil que levou contra o Flamengo. Nenhuma sociedade séria leva em conta o que videntes dizem desde a metade do século XVII, mas como audiência todo mundo gosta, Robério reapareceu na mídia, dizendo que o Santos precisava de uma “limpeza no elenco”. Brum ficou puto, com razão, e disse que se seus advogados não resolvessem a situação Deus resolveria.
O polêmico Luxemburgo teve uma postura sã. Disse que afastar um jogador com base no que disse Robério seria um absurdo. Mas o assunto não parou por aí. No domingo, Roberto Brum conseguiu piorar a situação e soltou a seguinte frase, como conta Conrado Giulietti em seu blog na ESPN Brasil. “Sou um enviado do Senhor. Quero seguir no Santos para afastar Luxemburgo das trevas“.
Virou uma guerra de religiões. De um lado, o espírita / pai de santo Robério de Ogum (que parece seguir um inusitado sincretismo entre Espiritismo e Umbanda) e, do outro, o evangélico Roberto Brum, que em março disse ter sonhado com Ronaldo e que esperava converter o Fenômeno. O jogador de futebol Roberto Brum não quer mais atuar no Santos porque tem contrato ou porque gosta da cidade. Ele quer ficar no clube para afastar Luxemburgo das trevas, o que para ele é a religião de Robério.
Toda essa situação é assustadora. Robério de Ogum parece ser apenas uma pessoa que está atrás de fama, como a terapeuta holística, sensitiva e intuitiva com percepção extra-sensorial Mãe Dináh. Mas o duro de aturar é essa frase de Brum. Ele usa seu papel social para fazer proselitismo e, pior, para atacar a religião dos outros. E tudo, como sempre, é em nome do Senhor. Como a Inquisição e como o terror islâmico. Uma das ferramentas para vivermos em um mundo melhor é a religião permanecer confinada no âmbito particular, ou em um âmbito público em que todos concordam com sua presença, como igrejas, templos, mesquitas, sinagogas e centros espíritas. No esporte, nunca houve espaço para a religião. E todos sairão ganhando se ela continuar de fora.


Bela abordagem, repleta de links que enriqueceram o tema. Concordo plenamente. Chega a ser assustador.
10 de August de 2009 às 23:24Concordo com o post.
10 de August de 2009 às 23:48Sem comentários. Sério.
11 de August de 2009 às 16:38Rapaz, perfeita abordagem! Este Brum até que é legal, faz um tipão nas entrevistas, mas é um mala quando fala em religião! Que Deus te abençoe!
11 de August de 2009 às 18:04Acho que o Brum concilia muito bem seu lado religioso e sua postura profissional. Aliás, com muito bom humor.
Eu sou palmeirense e ateu não praticante. Mas um dia desses ri muito quando o Brum falou, numa coletiva, que o pastor pediu pra ele “salvar 3 almas: Fábio Costa, Marcelo Teixeira e Domingos”. Heheheheh.
Na boa, o chato do Juca Kfouri pautando essa campanha contra os evangélicos no futebol já deu o que tinha que dar. Deixem os caras praticarem sua fé e tentarem ‘evangelizar’ quem ele quiserem, ora!
Do que eles falarem em público, a imprensa publica o que achar por bem publicar. E aos que eles abordam pessoalmente, quem não gostar, certamente vai retrucar.
Sobre Luxemburgo e Robério de Ogum, vão ter que argumentar na justiça que o afastamento não foi preconceituoso, o que eu imagino que será fácil.
E falando sobre futebol, vi o jogo do Santos contra o Avaí no último sábado. O Luxemburgo armou bem o time com o meio reforçado: Rodrigo Mancha, Rodrigo Souto e Germano.
11 de August de 2009 às 21:05O jogo foi todo equilibrado, mas antes de o Germano machucar, o Santos tinha um bom domínio, tanto que saiu na frente e teve outras boas chances de marcar.
Porém, quando o Germano saiu contundido, não havia alguém do nível do Brum no banco para substituí-lo.
Portanto, tecnicamente, acho que o Santos perde pelo afastamento, independente das evangelizações e das assessorias espíritas.
Gente chata. Deus, que não tem nada a ver com a história, devia mandar um novo dilúvio pra calar a boca de gente que não sabe o que fala (me incluo nessa!).
11 de August de 2009 às 22:56[...] o volante Roberto Brum, do Santos, é preocupante. Como no caso das camisas com. fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
12 de August de 2009 às 14:18Peguei a história por cima, mas vi outro lado também. Pais-de-santo certamente não gostam de evangélicos, e vice-versa. O Robério de Ovum (ou Ogum, ou Obum, ou qualquer_coisa_que_comece_com_”O”_e_pareça_macumba) deixou essa margem quando disse que o Brum era uma “energia negativa” (WTF?). Começou aí.
Luxemburgo deixou meio que aberta a possibilidade de seguir a “profecia” do Robério, quando afastou Brum, de fato. E deu prosseguimento à história.
O Brum continuou a sequência dessa história com a declaração pública de “tirar” o Luxemburgo das trevas. Isso não se fala publicamente, se faz naturalmente e individualmente. Assim ele só pôs lenha na fogueira. Como evangélico, ele se expôs. Como jogador, também.
Mas como envagélico eu ia ficar meio “puto” em ter a possibilidade de sair por causa de um pai-de-santo. E, sim, concordo que são das trevas. Nesse ponto eu to com o Brum.
Discussão complicada…
12 de August de 2009 às 17:08