Daniel Castro noticiou em sua coluna na Folha de S.Paulo: a KiaMotors pagou R$ 300 mil à Rede Globo para veicular no programa Auto Esporte uma reportagem sobre o seu novo modelo, o Soul (assinantes do UOL e da Folha podem ler aqui).
Durante a reportagem, que está no vídeo abaixo, são usados 18 adjetivos e palavras ou expressões positivas, média de 1 a cada 15 segundos: diferente, elegância, inovar, recriar, personalidade própria, cara jovem, robustez, conforto, segurança, privacidade, proteção, facilidades, estabilidade, respostas rápidas, bom de jogo, solução engenhosa, eficiência e economia. Até elogios subjetivos são aplicados ao carro, como “a frente do veículo lembra o rosnar de um tigre”.
E isso tem a ver com esporte? Tem. Há apenas três meses, a Globo teve de construir um discurso cheio de chavões e inconsistências para defender uma teimosia sua. Naquele momento, Finasa e Unisul abandonaram o patrocínio ao vôlei de alto rendimento e se justificaram disparando contra a emissora, que se recusa a citar o nome das marcas para evitar mídia espontânea na programação.
Para se defender dos ataques, a Globo emitiu um comunicado em que usava a “clara separação entre o comercial e o editorial” como forma de justificar a postura de não falar o nome dos patrocinadores – que, como regra, fazem parte do nome das equipes de modalidades como volêi, basquete e handebol. “Os critérios que orientam as decisões das equipes de Jornalismo e de Esportes da Globo, de citar e exibir marcas, atendem a uma finalidade: ajudar o público a reconhecer a existência de fronteiras entre editorial e comercial”, dizia o informe. A emissora também muda o nome de duas equipes de Fórmula 1, Red Bull (chamada de RBR) e Toro Rosso (STR) para não fazer a mídia espontânea para a fabricante de bebidas.
No caso da Kia, a Globo alegou que não veicula matéria paga e que o valor se referia a um merchandising: o uso do Soul como fundo no cenário onde foi gravado o programa. A matéria de 4 minutos e 35 segundos sobre o veiculo, então, teria sido isenta e coincidentemente positiva? Outra explicação foi dizer que o Auto Esporte é um programa de entretenimento e serviço, sem ligação com a central de jornalismo. Já a Kia admitiu que a ação foi um publieditorial (só faltou o programa avisar ao público).
Não cabe aqui condenar a Globo de antemão. Mas já se percebe que a separação entre comercial e editorial não é tão clara. Afinal, o tal espaço de entretenimento usa formato, ferramentas e jornalistas para construir sua grade, mas comercializa matérias como se espaço publicitário fosse. A emissora se mantém inflexível com a mídia espontânea, mas, enquanto isso, no mundo do volêi, o Bandsports já sinaliza que pode tirar do Sportv o Campeonato Paulista da modalidade. E com a promessa de respeitar nomes e marcas.


É. A Globo, sempre ela. Alguém já viu o documentário inglês (proibido no Brasil por ação judicial da família Marinho) chamado “Muito Além do Cidadão Kane”?
21 de August de 2009 às 03:51Chicão, quem nao viu ainda vai poder ver agora na T Aberta. A Record, no auge desssa briga ridícula com a Globo, acaba de comprar o Muito Além do Cidadao Kane.
21 de August de 2009 às 06:46Essa não foi a primeira.
21 de August de 2009 às 10:24Eu já assisti outras reportagens sobre carros lançados que foram como esta.
Dá pra ver que estão falando bem demais do carro, diferentemente de uma reportagem normal do próprio programa.
Gente, jabá da Globo é a coisa mais velha do mundo, mas fico feliz porque hoje eles não consigam abafar
to-to-toma Globo!
21 de August de 2009 às 13:26Não fala Red Bull mas fala BMW, Renault, Ferrari, Honda. A Globo é uma merda. Arrogante ao extremo.
21 de August de 2009 às 14:57O AutoEsporte é um programa de produção independente, que compra o espaço na Globo. Todas as matérias são ‘publieditoriais’. Todas. O estranho é só agora a Folha descobrir a roda.
21 de August de 2009 às 15:01Fernando, isso não livra a cara da Globo, que fala uma coisa e faz outra.
21 de August de 2009 às 16:41A globo e as babaquices de sempre…
Isso acontece direto na Formula 1. Red Bull Racing é “RBR” e Scuderia Toro Rosso é “STR”, Bridgestone é a “a fornecedora de pneus” e assim vai.
22 de August de 2009 às 18:24