2 de February de 2010

Há algo de errado com o futebol brasileiro

Metallica no Morumbi

Os fãs de heavy metal são um dos grupos da sociedade mais estereotipados. A música pesada, as roupas pretas e o cabelo comprido costumam ser confundidos com sinais de violência, e há até algumas impressões mais elaboradas, como essa bizarrice que atrelou o sucesso do estilo de música à crise econômica.

No último fim de semana, quem foi ver os shows do Metallica no Morumbi e está acostumado a ir ao estádio ver futebol, ficou surpreeso. Os fãs, muitos tatuados e com cabelos gigantes, faziam filas tranquilas, mesmo fora das barreiras. Os namorados podiam curtir as namoradas sem temer o cidadão ao lado e os policiais demonstravam tranquilidade com o público. Nem a polícia montada estava lá.

Tudo isso ocorreu porque os fãs do Metallica estavam lá única e exclusivamente para admirar o quarteto formado por James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammet e Robert Trujillo. Eles eram como astros de futebol, mas ao contrário destes, seus fãs foram ao Morumbi apenas atrás de alegria.

A polícia estava calma porque lidava com gente. E não com gangues de bandidos, que apesar dos crimes que cometem contam com a falta de ação dos Três Poderes e a conivência dos dirigentes e continuam livres para aterrorizar as pessoas de bem que toda quarta e domingo só querem ver um show, como os fãs do Metallica.

Há algo de errado com um evento no qual manda uma minoria criminosa. Enquanto as torcidas organizadas existirem, o futebol brasileiro continuará um espetáculo muito perigoso, mais até do que um show que reúne os “assustadores” metaleiros seguidores dos “Four Horsemen”.

O Metallica e o clássico For Whom the Bells Tolls, tocado no sábado:

Foto: MetOnTour

          

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14 palpites

  1. Victor comentou:

    Things people think I’ll do because I like Heavy Metal

    2 de February de 2010 às 12:51
  2. Thiago Santa Rosa comentou:

    Outra bola dentro, sem dúvida!

    2 de February de 2010 às 13:17
  3. Chicao comentou:

    Eu já comentei aqui sobre a capacidade destes quatro jornalistas em enxergar além do óbvio? Parabéns mais uma vez, EF!

    2 de February de 2010 às 14:02
  4. Rodrigo Borges comentou:

    Excelente visão. Concordo plenamente.

    2 de February de 2010 às 14:13
  5. Diogo Salles comentou:

    Pancadaria em shows é algo bastante raro (eu nunca presenciei uma), enquanto que em jogos de futebol (nem precisa ser clássico), é quase certo.

    É por isso que parei de ir em jogos, mas continuo indo em shows.

    2 de February de 2010 às 14:24
  6. chickeniples comentou:

    Muito bom! Animal!!!
    vou assinar e ler sempre!

    2 de February de 2010 às 15:08
  7. Rafael comentou:

    Levemos em consideração também o preço do ingresso do show (R$250). Só por ai já dá pra saber que o pessoal que frequenta esse tipo de show é bem mais “privilegiado” que o publico de uma partida de futebol.

    2 de February de 2010 às 15:15
  8. sergio guilherme comentou:

    Concordo totalmente, mas acho que também devemos levar em conta a opinião acima do Rafael.
    E temos que lembrar também que todos que foram ao Morumbi estavam “torcendo” pro Metallica.
    Queria ver se fosse um show do Metallica e Chiclete com Banana. Pelo menos um pouco de confusão ia dar.

    2 de February de 2010 às 19:16
  9. Chicao comentou:

    Esse lance de relacionar o preço do ingresso à redução da violência é polêmico. Repudiei essa idéia por muito tempo, mas hoje concordo. É claro é que o ideal seria que o ingresso pudesse ser acessível a todas faixas de renda, e o resultado fosse um espetáculo sem violência. É claro que muita gente abonada é tão ou mais idiota que o povo de torcida organizada que vai ao estádio só pra arrumar confusão. Mas o fato é que quem tem grana, mesmo que seja idiota, tem algo a perder, e quem mal tem dinheiro pra condução, se for ruim da cabeça, vai enxergar o estádio como válvula de escape pras suas frustrações. Resultado: como sempre, o cara que é pobre e gente boa vai se f**** mais do que todos.

    2 de February de 2010 às 20:37
  10. José Antonio Lima comentou:

    Victor, genial o link!

    Rafael e Sergio, fico com a opinião do Chicão. Acho que tem mais a ver com o fato de ter algo a perder do que com o poder aquisitivo. Se formos levar em consideração apenas o valor do ingresso, chegaríamos à conclusão absurda de que “pobre é violento e o rico é pacífico”, o que está muito distante da verdade.

    Na minha opinião, a existência das organizadas é claramente um problema social. Mas sua força e perpetuação até hoje são uma mistura de conivência dos dirigentes com ausência do poder público.

    Obrigado pelos elogios! Abs a todos!!!

    2 de February de 2010 às 23:16
  11. alan comentou:

    No RJ dos anos 90 baile funk era um dos eventos mais violentos que acontecia. Quem ia para curtir a música ou coisas melhores ficava em um canto e quem ia para se divertir brigando geralmente ficava na “barreira” dividida em lado a/lado b.

    As coisas chegaram a tal ponto que alguns clubes chegaram a disponibilzar enfermarias nos locais para atender os integrantes das “galeras” que se enfrentavam.

    Rivalidades eram levadas para além dos bailes, para os bairros, transportes públicos, onde se encontrassem.

    O poder público e a sociedade como sempre agiram como se age no Brasil. Tentaram proibir os bailes, criminalizaram todos os funkeiros tranformando esses em bandidos.

    A solução foi simples, e o mais triste, veio do tráfico. Primeiro ficou proibido brigas nos bailes dentro da favela. Segundo quem não obedecesse a ordem era punido exemplarmente.

    Essa “regra” permanece até hoje. As brigas em bailes funks praticamente acabaram e quando ocorrem a punição nunca é branda. Hoje em dia um baile dentro de uma favela carioca é mais seguro do que ir a uma boate na zona sul.

    O funk com sua qualidade musical questionavel hoje em dia é um evento tranquilo seja no asfalto ou na favela.

    Embora muitos que vão para lá tenham poder aquisitivo maior, a maioria é de pessoas que não tem muito a perder. Em alguns casos pessoas violentas.

    Substitua as galeras por torcida organizada. Substitua os bailes pelos estadios de futebol. Substitua o trafico pelo poder público.
    Chego a conclusão que basta punir de forma dura e rápida quem promove a violencia.

    Não precisa acabar a torcida organizada. Não precisa ter ingressos caros. Não precisa proibir bandeiras ou ter jogo de torcida só.

    Basta apenas ter uma punição rápida e dura. Para todos. Sem exceção.

    2 de February de 2010 às 23:52
  12. Feijão comentou:

    O Alan usou um exemplo muito bom, e acredito que em alguns shows ainda existem brigas, quando mesmo dividindo o gosto pelo som ali executado, os grupos menores com diferenças ideológicas existem. Era o que acontecia nos Bailes Funks: De um lado um grupo, e do outro lado o outro grupo, e motivados pelo som, era porradaria pra todo lado, mas a razão e cordialidade volta a reinar quando existe a punição.

    Numa partida, se existisse a punição pesada, com certeza os “instintos animais” seriam reprimidos.

    Agora dificil é entender o fenômeno da fila, porque pra mim não é a grana não que muda o comportamento, mas tem relação direta a uma herança que carregamos, com a mania de querer levar vantagem em tudo.

    3 de February de 2010 às 12:56
  13. Cadu comentou:

    Muito legal o texto, Zé!

    Parabéns pelo blog!

    Abraço!

    Cadu (Indaiá)

    4 de February de 2010 às 23:37
  14. Ronan comentou:

    Mas hoje o Metallica é “hard rock” e seus fãs briguentos não tem mais idade para tanto. O teeempo passa!!

    5 de February de 2010 às 14:28

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