O assunto principal da semana passada foi a mão santa de Thierry Henry contra a Irlanda, na repescagem da Copa do Mundo de 2010. Hoje, o atacante revelou que, de tão pressionado, pensou em abandonar a seleção da França.
Beira o absurdo a perseguição sob a qual foi submetido Henry. Para se ter uma ideia da loucura que tomou conta das pessoas, basta ver a reação da imprensa, que costuma agir em um grau de razoabilidade maior que a média geral.
Richard Williams, colunista do Guardian, disse que Henry deveria ter avisado o juiz da mão na bola e que seu ato foi pior que o de Maradona em 1986. Henry Winter, do Telegraph, foi mais longe, pedindo o banimento de Henry da Copa.
Tudo isso é um tanto assustador. Claro que a indignação com uma atitude errada como a de Henry é uma reação boa, mas defender a repetição do jogo ou crucificar o francês é querer modificar a natureza do ser humano.
Várias – talvez todas – as Copas foram marcadas por erros absurdos de arbitragem. Nilton Santos deu passo um para fora da área contra a Espanha em 1962, e o juiz não deu pênalti; Tassoti quebrou o nariz de Luís Enrique em 1994 e o árbitro nem falta marcou. A bola de Geoff Hurst não entrou na final de 1966. E em 2002 a Coreia do Sul chegou às semifinais arrastada por erros de arbitragem.
Por qual motivo, agora, Henry é o maior canalha da história do futebol? Quantos gols de mão já não foram anotados e validados sem que o jogador fosse massacrado? Maradona é muitas vezes elogiado pela “mano de Diós”.
Esse tipo de artifício não é bonito e nem elogiável, mas a trapaça existe e sempre vai existir. É por esse motivo que o árbitro está lá. Se o ser humano fosse bonzinho, não precisaríamos de juiz, pois os jogadores se “autopuniriam” enquanto fadas e doendes trabalhariam como gandulas, unicórnios seriam os mascotes dos times e centauros e faunos narrariam o jogo.
Esse episódio e os erros recentes de arbitragem no Brasil deixam uma coisa muito clara. O futebol precisa da tecnologia para não ter sua imagem manchada. Com os erros se acumulando, e graves escândalos pipocando, a credibilidade do futebol fica em xeque. E é aí que os torcedores começam a amar menos o esporte.


Realmente o jeito é partir para o uso da eletrônica no futebol, principalmente em lances duvidosos de gol ou não, ou casos como esse do Henry. Tenho dúvidas só na parte disciplinar, pois aí a presença do juíz e de suas decisões sobre critérios de faltas e cartões seriam praticamente irrelevantes. Em certos casos ainda precisa de estudos, mas em casos como esse sem dúvida a arbitragem eletrônica é necessária.
23 de novembro de 2009 às 15:05De acordo, Zé!
23 de novembro de 2009 às 15:07Olá, este post foi escolhido como destaque no BlogBlogs. Parabéns! Acesse http://blogblogs.com.br e confira.
23 de novembro de 2009 às 15:18Se a FIFA tomasse vergonha na cara e agisse como a NFL, permitindo o uso do telão do estádio para tirar dúvidas do árbitro, esse tipo de absurdo não existiria mais. Se continuarmos aceitando esse tipo de erro, do jeito que ele é, puro e simples, é continuar gostando de um esporte que não evoluiu desde a sua invenção, o que é algo ainda mais triste de ver, em pleno século 21. Telão c/ replay já e outros recursos tecnológicos. Até o tênis, algo muito mais antigo que o futebol já usa.
23 de novembro de 2009 às 16:54Os velhinhos da International Board, que cuidam das mudanças de regras no futebol ainda estão apenas aprendendo a enviar e-mails. Isso nunca vai mudar enquanto essa velharada não estiver debaixo da terra.
23 de novembro de 2009 às 20:36Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida.
23 de novembro de 2009 às 22:39Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos…
Vivemos na era da electronica: o que há de errado em utilizar seus recursos, quando o lance estiver em duvida?
24 de novembro de 2009 às 06:53Concordo plenamente.
24 de novembro de 2009 às 14:32[...] José Antonio Lima comenta a polêmica feita em torno de Henry e defende o francês de alguns absurdos vistos por aí. Clique aqui e leia mais. [...]
26 de novembro de 2009 às 12:36[...] Em um ato maluco, a Irlanda pediu oficialmente à Fifa para ser incluída na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, como a 33ª seleção classificada. Os irlandeses se sentem injustiçados por conta do gol de mão de Thierry Henry. [...]
30 de novembro de 2009 às 14:05