

Caro Diego, eu não gosto muito deste papo de “carta aberta”. A verdade é que soa meio ridículo, além do mais todo mundo sabe que você nem vai ler este texto…
Mas não encontrei outro modo para falar sobre você do que assim, diretamente.
Hoje você sofreu sua maior derrota no futebol. Imagino que nem a exclusão do grupo que venceu em 78, nem a derrota para os mesmos germânicos em 90 e nem mesmo o afastamento por doping, em 94, tenham doído tanto na sua alma.
Sabe, Diego, aqui no Brasil muita gente soltou rojão e soprou vuvuzelas a cada gol da Alemanha. Somos doutrinados a odiar vocês, argentinos, no futebol.
Muita gente não sabe ao certo nem por quê, mas a TV e o rádio ficam martelando que vocês são arrogantes, desrespeitosos e violentos.
Difícil é vender a verdade: de que tem gente boa e ruim dos dois lados da fronteira. Jogadores indolentes, violentos ou arrogantes vestindo os dois uniformes. Nem vou citar nomes agora.
Aqui no Brasil também adoram te colocar pra baixo porque você usou drogas. É um show de hipocrisia. Como se o vício não fosse um problema de toda sociedade, como se você fosse o único atleta de destaque a cair no pó.
“Ah, mas o Pelé nunca usou drogas”. Problema do Pelé. E pra você, que usou, problema seu. E de mais ninguém.
Eu, particularmente, gosto de você. Porque ao olhar para sua ímpar figura sei o que estou vendo. Um cara cheio de contradições, que equilibra o diabo e o anjinho com esforço. Como todos nós…
Obrigado por fumar charuto à beira do gramado nos treinos. Obrigado pelos beijos nos jogadores, pelo mergulho na grama de terno e gravata.
A Alemanha deu um baile em vocês. Mas você incomodou um bocado esta massa de gente chata e de ideias medíocres, cada vez mais conformadas com este mundo pasteurizado – repleto de “etiquetas corporativas”.
Foto: Christophe Simon/AFP/Getty Images/Adidas


O Maradona (treinador) não ganhou a Copa? Azar da Copa do Mundo! Belo texto, Luiz!
3 de July de 2010 às 17:15[...] This post was mentioned on Twitter by alerocha, Victor Martins, Mª Carolina Cintra, Eduardo Fagaraz, Arlen Nascimento and others. Arlen Nascimento said: Um texto absurdamente foda http://www.esportefino.net/mar.....nte-chata/ (por @blogesportefino) [...]
3 de July de 2010 às 17:55Obrigado por este texto, Luiz. Simplesmente linha por linha de tudo o que eu gostaria de dizer, expresso com muito mais clareza do que eu seria capaz.
Resposta: Obrigado, caro Hugo. E tenho certeza de que você foi modesto, até pelo bom texto dos seus comentários. Abraço.
3 de July de 2010 às 18:01Eu gosto do seu texto, mas não concordo com tudo o q vc diz, pois acho q a rivalidade é recíproca. Se somos doutrinados a odiá-los, eles também são, se somos hipócritas com as falhas dos hermanos, eles tb são com as nossas falhas. Concordo qdo vc diz que há pessoas boas e ruíns dos dois lados da fronteiras, isso é fato!
3 de July de 2010 às 18:28Não agradeceria Maradona por fumar nos treinos, pois não acho legal vindo de um atleta, mas o agradeceria sim por beijar cada um de seus jogadores mesmo após a derrota, pois o nosso técnico não soube fazer isso…nesse caso 1 x 0 Maradona, mas só nesse caso!
É isso!
Beijão e tudo de bom prá vc
Obrigada por expressar o que muitos de nós sentimos! Ótimo texto!
3 de July de 2010 às 18:42Prezado,
Concordo com o ponto de vista de sair do senso comum é muito legal.
Concordo tb que essa rivalidade é alimentada pela mídia. Só que lá tb é assim, vide as manchetes do Olé.
O que admiro neles é que mesmo eles putos com a seleção deles, como já aconteceu a defendem para os outros, e não conheço argentino torçendo pro Brasil, como tem vários por aqui.
A rivalidade existe sim, e a defendo, pois acho saudável desde que não se extrapole limites.
Torço contra eles pela rivalidade no esporte, nada contra o povo argentino. E nem me venham com o papo que sou influenciado pela Globo e afins.
Somente rivalidade esportiva, mais nada…
3 de July de 2010 às 18:46Sensacional, Luizinho. Brilhante.
Aliás, o comentário da Érica me fez lembrar uma coisa. Li em algum lugar, certa vez, que, para os argentinos, a maior rivalidade é com o Uruguai em vez de o Brasil. Não sei se procede, mas acho que vale a discussão.
Abraços,
3 de July de 2010 às 18:47Matheus
Grande texto! E grande Maradona! Que lugar comum chato esse de odiar argentinos, odiar o cara e esquecer a discussão principal que é o futebol!
3 de July de 2010 às 18:50Belo texto, Rodrido (foi você quem escreveu).
3 de July de 2010 às 18:56.
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Torço pra Argentina desde 90, após a desclassificação dos “canários”…
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Parabéns!
Perfeito o texto. Como Argentino, fiquei até emocionado.
Parabéns!
3 de July de 2010 às 18:57Muito bom seu texto, acho que atinge as pessoas certas, mas não concordo exatamente.
Eu sou um dos que torcem muito contra a Argentina. Adoro o país, acho Buenos Aires a cidade mais legal que já visitei e, ao contrário do que dizem, os argentinos são muito legais.
A questão é que grande parte do apelo do futebol vem da rivalidade. Eu sou palmeirense e adoro torcer contra Corinthians e São Paulo, e quero que os torcedores destes dois times odeiem o Palmeiras.
Na Copa do Mundo, eu sou brasileiro e torço muito contra a Argentina. Nada contra quem torça a favor, claro, mas é uma tradição nossa. Eu quero que eles comemorem quando nós perdemos também. Se ficarmos comemorando juntos, a coisa perde a graça.
Grande abraço.
3 de July de 2010 às 18:59Blz de texto. Abaixo o cinismo que doutrina a mente dos brasileiros.
3 de July de 2010 às 19:01Vai tomar no cu. É um dos melhores textos do milênio!!!
3 de July de 2010 às 19:06Existem maradonas, luizes, cesares dos dois lados da fronteira, mesmo.
Então porque o texto conforta somente Dieguito?
É só futebol, véio! Só um jogo, não uma vida. Misturar as duas coisas é blefe, ignorância ou covardia.
Maradona foi muito grande, não entro nessa de mejor del mundo. Foi muito grande, um dos maiores, dentro das quatro linhas.
Foras delas, a vida é dele, aí, já não somos mais platéia, já não temos mais o direito de opor ou cobrar.
Sobre futebol…
…bem, é apenas um jogo. É apenas o efêmero, para deixar registro somente na retina. Para gerar papo na esquina, para chorar, para desopilar. Não merece uma vida marcada, apontada, escrachada muito menos “ENDEUSADA”.
Maradona não é o bobo da corte. É o escracho da corte, de terno e gravata.
3 de July de 2010 às 19:15Confesso que nunca tive essa leitura do Maradona e entorpecida pelo ódio comum, ceguei.
3 de July de 2010 às 19:17Parabéns por me tirarem a venda com palavras tão bem compostas nesse texto!
Parabéns pelo texto, Luiz.
a coisa mais babaca de hoje foram os rojões a cada gol da Alemanha, nem no gol do Brasil ontem soltaram tantos
3 de July de 2010 às 19:29Discordo.
Da mesma forma que somos doutrinados a odiá-los, eles já nascem nos odiando.
E o Maradona nos odeia mais do que tudo. Além disso, aquele episódio da água batizada é inaceitável e imperdoável. É coisa de gente sem caráter.
Queira ou não, os argentinos são, sim, arrogantes. Embora isso seja um senso comum, e não um bom senso, não há como negar. Basta ver as entrevistas e, principalmente, atitudes dentro e fora de campo.
Foram eliminados na bola. No futebol. Assim como o Brasil, obviamente.
Bem feito.
3 de July de 2010 às 19:29Sensacional! Parabéns!
3 de July de 2010 às 19:35Genial! Disse tudo! Rivalidade pode ser até divertido, mas esse exagero já se tornou chato.
3 de July de 2010 às 19:40Isso mesmo! // Blz de texto. Abaixo o cinismo que doutrina a mente dos brasileiros. [+1]
3 de July de 2010 às 19:59“Da mesma forma que somos doutrinados a odiá-los, eles já nascem nos odiando.” Isso nao é verdade, tenho amigos argentinos, trabalhei em empresa argentina e sempre fui muitíssimo bem tratada. Rivalidade em esportes é saudável, mas o extremo é chato. Gostei muito do texto!
3 de July de 2010 às 21:17Luiz,
Ficou muito bom o texto! Realmente o Maradona incomoda muita gente. Teria sido bom para o bem do futebol o titulo ter ido para a Argentina. Muita gente chata teria que calar a boca!
3 de July de 2010 às 21:39Parabéns, Luiz, assino embaixo e já peço a licença para reproduzi-lo lá no blog. A hipocrisia de uma parcela brasuca é mesmo lamentável e ridícula. Inclusive na emissora líder de audiência. É o famoso “curtir a desgraça alheia”, esquecendo-se de que o nosso quintal também está longe de ser dos mais limpos.
Abraços
3 de July de 2010 às 22:08Você se contradiz, primeiro diz que o problema das drogas é de toda a sociedade. Depois diz que é problema de quem se droga.
3 de July de 2010 às 23:10Incomodar é o oposto de cativar… acho incrivel o modo maradona de ser, tem mais emoção que o dunga…
3 de July de 2010 às 23:21Belo texto. É mesmo ridículo a tv ensinando que devemos torcer contra a Argentina.
3 de July de 2010 às 23:36Muito bom! É isso aí, chega de hipocrisia, dentro e fora de campo. Fico feliz quando leio um texto com esse nível de esclarecimento. Parabéns!
3 de July de 2010 às 23:39“Li em algum lugar, certa vez, que, para os argentinos, a maior rivalidade é com o Uruguai em vez de o Brasil. Não sei se procede, mas acho que vale a discussão.”
Acho que procede sim e é recíproco… Rs.
O texto do post é legal, gostei muito.
Eu gostaria de abordar mais uma vez a tal da rivalidade com a Argentina.
Os platinos não chegam a uma final de copa do mundo desde 90. Agora tem uma tendencia a criticar a rivalidade que existe desde que o Brasil começou a se destacar no futebol.
Daqui há pouco a Argentina se transforma no Uruguai, rival historico do Brasil que se tornou uma seleção simpática que a gente torce a favor só para ve-lo de volta aos bons tempos.
É claro que julgar o povo argentino, a nação argentina não é justo. Muitos exageram. Mas a rivalidade dentro das quatros linhas tem que existir sempre para que a Argentina seja sempre respeitada pela sua historia no futebol.
Se um dia essa rivalidade acabar será porque a Argentina (tomara que não ocorra) deixou de ser favorita, deixou de impor respeito. Passou a ser mais uma e isso eu não quero.
Eu torci contra a Argentina hoje e não o fiz por que eles são isso ou aquilo, porque tenho ódio, ou sou manipulado pela grande vilã brasileira manipuladora de povo rede globo,torci como um sinal de respeito ao seu futebol. Torci porque no futebol a gente só torce contra aqueles que tem qualidades para nos incomodar, que nos infligiram derrotas doloridas.
Brasil e Argentina tem que continuar a ser um classico do futebol, com provocações, com vitorias diferentes das demais. Ontem no jornal da globo tinha uma reportagem deles comemorando nossa derrota assim como hoje comemoramos a deles. Isso é futebol.
4 de July de 2010 às 01:08Assino embaixo. Muito bom o texto!
4 de July de 2010 às 09:46A Argentina odeia amar o Brasil e o Brasil ama odiar a Argentina
4 de July de 2010 às 15:42Parabéns pelas linhas! Infelizmente algumas pessoas passam dos limites e se deixam levar pela mídia (para não citar nomes ou marcas).
Ao contrário do que muitos colegas brasileiros pensam, o Brasil é muito respeitado na Argentina, e o povo brasileiro muito querido.
Vivo há 16 anos no Brasil, país que adoro, e sei que arrogância, hipocrisia, e ignorância existem dos dois lados da fronteira.
Um abraço,
4 de July de 2010 às 16:53Lucca
Belo texto. Parabéns!!
4 de July de 2010 às 18:15Fantastico texto, Rodrigo. É difícil pensar num complemento. Meus parabéns!
4 de July de 2010 às 18:59Olá,
4 de July de 2010 às 19:27o texto foi muito bem escrito, concordo com alguns dos seus pontos de vista. Não vejo motivo nenhum pra essa rivalidade entre os nossos paises, mas acho que você defendeu d mais o Maradona. To nem ai para as coisas que ele faz com ele, se ele roubou nos jogos, se drogou ou algo assim, como você disse o problema é dele. Só acho que ele é muito arrogante em relação ao nosso pais, sempre se achando e ofendendo qualquer erro que a gente cometa. Sempre que tem uma oportunidade ele tenta nos ofender, e a maioria das vezes é ele que começa.Contra a Argentina em si não tenho nada contra, até gosto dos hemanos, mas só não gosto do Maradona. Ele é muito chato.
Obrigado a atenção
abraço
uma b#s%* … principalmente a ideia sobre as drogas… totalmente equivocado!!!
4 de July de 2010 às 20:38“Sabe, Diego, aqui no Brasil muita gente soltou rojão e soprou vuvuzelas a cada gol da Alemanha. Somos doutrinados a odiar vocês, argentinos, no futebol.”
Como se não tivessem soltado nos outros jogos da Alemanha. A colônia alemã que mora no Brasil desapareceu no dia do jogo, né?
4 de July de 2010 às 20:56Bem escrito!
Muito bem escrito!
Como torcer contra a Argentina? Até se fosse a Venezuela (Chaves à parte), seria mais louvável que torcer para qualquer time da Europa!
Diego teve seu céu e seu inferno. Assim como todos nós teremos os nossos.
4 de July de 2010 às 21:50Luiz, sensacional!
5 de July de 2010 às 10:49Parabéns, belo e emocionante texto, como sempre…
Você conseguiu traduzir em palavras tudo aquilo que eu penso a respeito do Maradona!
Adorei ter me apaixonado de novo por ele nesta Copa.
Excelente texto! Vou publicar ainda hoje no meu blog!
5 de July de 2010 às 14:03Bom texto, curto e objetivo. É como sempre, ao apoiar a Argentina, sempre haverá alguém contra, o mesmo alguém que vc cita como hipocrita.
A rivalidade é sim saudavel e necessária para o bem do futebol, mas exixtem duas frases que norteiam muito bem essa rivalidade:
1 – O brasileiro ama odiar o argentino , e o argentino odeia amar o brasileiro.
2 – O brasileiro se orgulha de ser 5 vezes campeão mundial de futebol, o argentino se orgulha de ser argentino.
5 de July de 2010 às 14:48Ótimo texto!
8 de July de 2010 às 19:11Parabéns!
Gostei muito desta crônica! Sou fã del Pibe desde 86.
O Rizek escreveu uma ótima nessa linha também.
O ataque a Maradona e aos argentinos não passa do “dividir para conquistar”: é mais fácil, com os 2 países mais fortes da América do Sul desunidos, o Corporatismo e o Clube de Roma virem aqui e fazerem a festa.
Anyway, Gracias, Diego.
11 de July de 2010 às 14:31[]s
Caro Paulo, seu texto foi apagado por ter sido escrito todo em caixa alta, o que vai contra as regras dos comentários. Obrigado.
13 de July de 2010 às 17:10Agora Maradona é ídolo porque é um técnico de vanguarda!!! Críticas adolescentes como as do texto à parte, eu não tenho nada contra a Argentina nem contra o povo argentino. Aliás, hospedei um casal de socialistas argentinos neste ano, e, apesar da “educação ser melhor que a nossa”, eles me esclareceram muito bem que os tão críticos argentinos elegeram Cristina Kirchner, candidata do partido justicialista (Sim! Sim! Aquele que se pode traduzir por “peronista”! Sim! Sim! Perón foi aquele que esmagou comunistas e hospedou nazistas! Sim!) e são uma nação quebrada, onde ronda um espectro DE FACHADA de que todas as áreas do saber são valorizadas (MENTIRA PURA, médico tem fama de sábio e filósofo morre de fome!).
A europeização do povo argentino só não é fato pra quem não cruza as fronteiras deseu quintal ou nunca abriu livros de história da américa latina, pois desde o final do século 19 a Argentina, que já não tinha população negra, teve sua população indígena esmagada, empurrada para a região da Patagônia e afins, talvez por isso seja tão fácil entender a presença de movimentos neo-nazistas ainda hoje por lá e a receptação dos nazistas no governo de Perón (sem contar com o incentivo de puta safada à imigração europeia em sua constituição. Repito, SEMPRE HÁ EXCEÇÕES, mas os argentinos em geral NÃO SE SENTEM SUL-AMERICANOS (o que não é tão condenável, por sua história).
Maradona tem um histórico de arrogância gritante SIM, e eu não estou fechando os olhos para a arrogância dos demais países, pois humano é a mesma merda no mundo inteiro, mas ainda assim o homem em geral é, como diria o poeta, “carne sem luz, criatura cega, realidade geográfica infeliz”.
Resposta: Caro Carlos Gustavo, obrigado pelo adolescente! De resto, calma. Não defendi o peronismo e este texto não teve conotação política. E, sim, gosto do Maradona. Volte sempre.
15 de July de 2010 às 17:20