19 de August de 2009

Murray, sobrevivente do massacre de Dunblane

Na melhor fase da carreira, Andy Murray está em evidência; o atleta ocupa páginas de jornais esportivos no mundo todo e é razão de uma verdadeira febre na Grã-Bretanha. Recém campeão do Masters Series de Montreal, já é apontado como próximo líder do ranking e favorito ao US Open, no final do mês. Essa realidade, todavia, por pouco foi impossibilitada há treze anos, quando o pequeno Andy, 8 anos, e seu irmão Jamie, 10, escaparam de virar uma notícia trágica.

Como bem lembrou recentemente o Blog do Tênis, pouco se fala sobre isso, mas Murray tem como marca no seu passado a presença no “Massacre de Dunblane”. Em 13 de março de 1996, um atirador invadiu uma escola da pequena cidade escocesa e matou 16 crianças e um professor, antes de cometer suicídio. O futuro tenista se escondeu embaixo da mesa do diretor até o barulho acabar e assim se salvou.

Atual número 2 do ranking internacional, o atleta costuma evitar o assunto. Afinal, como sempre disse, na época era demasiadamente novo para entender ao certo o que estava acontecendo. Mas, quando lançou sua biografia, ousou retomar a conversa. “Irmãos e irmãs dos meus amigos foram mortos. Mas só retive algumas poucas lembranças daquele dia”, escreveu.

O atirador, Thomas Hamilton, era um líder de escotismo presente na comunidade que freqüentava a escola. Em algumas ocasiões, chegou a pegar caronas com familiares dos alunos. “O mais estranho era que nós o conhecíamos. Chegou a andar no nosso carro. É bizarro pensar que você esteve junto de um assassino e que ele se sentava ao lado da sua mãe”, contou Murray. “Provavelmente essa é uma das razões que me fazem não querer olhar para trás.”

A mãe do jogador, Judy, classificou aquele como “o pior dia” de sua vida. Quando soube da tragédia, abandonou a loja no centro da cidade e correu para a escola, onde encontrou inúmeros carros de emergência estacionados. “Eu nem conseguia chegar perto, tive de largar o meu veículo e correr até a multidão. Quando anunciaram qual classe estava envolvida, eu me encontrava ao lado de uma moça que havia morado na minha rua. Era a classe da filha dela. Foi um momento horrível”, disse.

Depois que a situação foi controlada, Jamie e Andy correram para os braços de Judy, que teve de explicar “o mais gentilmente possível” o que havia acontecido. “Jamie se recusa até agora a falar sobre isso, nem uma palavra. Andy costumava fazer muitas perguntas, mas agora não se sente mais confortável”, falou, deixando clara a dificuldade de ambos para superar o trauma.

O certo é que a tragédia ficou no retrovisor; e, desde então, a família Murray só tem motivos para ficar orgulhosa. Assim como toda a Grã-Bretanha.

          

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3 palpites

  1. Chicao comentou:

    Caramba, não sabia dessa história. Mas confesso, meus conhecimentos sobre o tênis atual não são nada profundos.

    19 de August de 2009 às 16:32
  2. Luiz Augusto Lima comentou:

    Com certeza tal dia jamais sairá da memória dos Murray, tal qual uma cicatriz. Mas que bom que o garoto é forte e se tornou um campeão. Belo post.

    19 de August de 2009 às 17:35
  3. Caio Parietti comentou:

    Nunca tinha ouvido falar disso mas hj quando estava assistindo tenis o comentarista falou do “Massacre de Dunblane” que o Murray estava.Sempre fui muito fã dele agora vou ficar muito mais ainda

    20 de January de 2011 às 14:14

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