
por @FChiorino
Sou avesso a religiões. Desde que não esteja assistindo a um jogo de futebol. Durante uma partida, há uma espécie de crença que ultrapassa os dogmas. Você simplesmente acredita no seu deus. Ou no seu santo. E atribui a ele grande parte das conquistas que ficam guardadas na sua memória.
Para falar sobre o maior goleiro da história do Palmeiras, mais conhecido como São Marcos, sou obrigado a relembrar dois momentos particulares. O primeiro deles data de 2000, naquela histórica noite em que Marcos pegou o pênalti de Marcelinho Carioca, pela Libertadores. Quando o Corinthians vencia o jogo por 2 a 1, me tranquei no quarto, apaguei as luzes e comecei a rezar. Palavras desencontradas, mãos contraídas e olhares pesaorosos para fora da janela. Quando Marcos enfim deu a classificação ao Palmeiras, destrui aos murros a veneziana de alumínio. Sorria a cada pancada, agradecendo ao santo por mais aquela graça alcancada.
Na outra ocasião, lá estava eu no quarto do hospital esperando a hora de minha filha nascer. Na TV, Palmeiras e Sport duelavam pela Libertadores (sempre ela). E vieram as penalidades minutos antes de ir para a sala de parto. Marcos calou a Ilha do Retiro e tomei bronca das enfermeiras por promover uma gritaria com meus familiares. Meu irmão invadiu o quarto carregando um porco rosa, que ganhou o nome do goleiro. Naquela madrugada, Maria Eduarda nascia com 3 quilos e abençoada pelo santo alviverde.
Os heróis mais bacanas são aqueles verdadeiramente humanos. Que vencem, falham, discutem, gargalham e lutam até a última gota de suor. O meu herói passou a vida trocando os pés pelas mãos. Literalmente. E foi com essas santas mãos que me fez torcer mesmo quando tudo parecia em vão. Que cada um fique com o seu deus. Eu fico pra sempre com São Marcos.
Foto: a dedicatória de São Marcos a Maria Eduarda, nascida no dia 13 de maio de 2009. Camisa foi um presente do ilustre palestrino José Quinto Jr.


Cara, cheguei aqui graças às indicações de outros palmeirenses, que falaram muito do seu texto sobre São Marcos. Muito bom mesmo, parabéns. É um cara que vai ficar na história. E acho que, finalmente, poderemos falar de um ídolo para nossos filhos e netos, como outros falam de Ademir da Guia, Junqueira, Waldemar Fiúme, Oberdan…
Resposta: Fábio, muito obrigado pela leitura. Você tem toda a razão. Enfim, temos alguém para falar aos nossos filhos, assim como nossos pais fizeram conosco. Forte abraço
5 de January de 2012 às 06:42Alô Fábio,bom dia! Marcos é um daqueles jogadores que ultrapassam os limites do clube,da camisa e viram referencia para o futebol.Por mais que as rivalidades existam,quando se trata de Marcos a unanimidade não tem nada de burra,até porque contra fatos não existem argumentos.Fico muito triste com a sua saída,cada dia mais o nosso futebol precisa da técnica,da precisão e da honestidade com a qual,Marcos nos presentiou durante todos esses anos.Não sou Palmeirense,mas,só tenho a agradecer pelos momentos deliciosos que Marcos proporcionou dentro e fora do campo,e desejar que ouros sigam seu exemplo.Abraços,Anna Kaum.
5 de January de 2012 às 09:45Parabéns pelo excelente texto, muito marcante através de outros consegui encontrar e ficar feliz com palavras, me lembro do jogo de 99 a vitória e de gritar até perder a voz quando o penalty do deportivo cali foi para fora, e lembro da final do mundial em que no meio de uma prova não conseguia me concentrar e o professor deixava sair da sala e olhar na TV na recepção do colégio o resultado do jogo, cada aluno que saia e era torcedor rival aparecia na porta e fala gol do Manchester, o que no final aconteceu…
5 de January de 2012 às 16:33Foi um dia triste no final, mas nada que tirasse toda a alegria que São Marcos havia proporcionado.
Bela homenagem! Seus textos são sempre emocionantes
5 de January de 2012 às 16:36Parabéns pelo texto emocionado. Traz à minha lembrança uma noite inesquecível, daquelas que com certeza, cada palmeirense tem uma estória para contar. Saudações alviverdes.
5 de January de 2012 às 16:58Prezado Fábio:
Parabéns pela simplicidade e tudo que você conseguiu expressar em seu texto.
Creio que espelha exatamente o que os palmeirenses de nossa geração sentem por esse gigante merecidamente chamado de São Marcos.
E que Maria Eduarda, abençoada por essas santas mãos, possa ter o privilégio de poder ver um time campeão, com jogadores que tenham pelo uma parcela do caráter de nosso eterno ídolo.
Grande abraço!
* Cheguei ao seu texto por indicação do seu xará do blog do Palmeiras no Globoesporte.com
Resposta: Renato, muito obrigado pela audiência e pelas palavras. E o Fabio Tatu sabe tudo de Palmeiras! Forte abraço
6 de January de 2012 às 09:37Grande Fabinho! Saudações palestrina! Fiquei muito feliz ao ler sua homenagem ao Marcão!!! Ainda sendo reconhecido e indicado no Globo.com. Marcão é Marcão. Fomos privilegiados! Até hoje não esqueço dos 3 penais que ele defendeu contra o Peñarol na Libertadores de 2000, que quase me fizeram ter um troço! Abraços Fabinho. E viva o Curling!!! Vamos montar uma equipe de Curling chamada de São Marcos. Que tal? Feliz 2012!
Resposta: grande Negrini. Saudações! Você faltou tudo: fomos privilegiados. E por mim, podemos até criar a escola de samba Unidos de São Marcos. Não ia faltar integrante. Forte abraço e bom ano pra ti
6 de January de 2012 às 14:18Grande Marcão, Grande Palmeiras e
Grande texto, parabéns pelas palavras e pela honra de ser palestrino!!!!
Abraçossss!!!!!
6 de January de 2012 às 17:55Grande Fabinho!
Saudações palestrinas.
O ótimo texto reflete o bom jornalista, Parabéns!
“São” Marcos na minha visão, é um exemplo para todos os esportistas e conseguiu durante sua carreira traduzir o ideal do barão de Coubertain. Levou sempre para o campo a verdadeira tradução da palavra “competir”, que significa mostrar competência no que se faz e não entrar na onda de transformar o esporte em uma “guerra”!
Abraços
Resposta: Zé, que bom ver sua mensagem por aqui. O seu presente é algo que a Duda vai levar pra vida toda. E você está certo: além de um baita goleiro, Marcos foi um exemplo para o futebol. Sorte a nossa ter visto um jogador desse no nosso time. Abraços!
6 de January de 2012 às 20:37Grande Parceiro Alvi-verde Fábio.
10 de January de 2012 às 16:27Você disse tudo sobre nosso eterno Marcão. Até hoje meu coração chora pela sua aposentadoria, meus sentimentos não consegue aceitar que não vou mais ver esse astro no gol. Quanto aquele jogo contra o Sport, saí gritando na rua como se eu fosse um completo louco, principalmente nos ouvidos dos Corinthianos, não consegui segurar tamanha felicidade. Parabéns a você pelo post e pela chegada de sua filha, para completar ainda mais a alegria pela nossa classificação para as quartas no dia em questão. Um abraço Fabão. Felicidades. Eternamente Palmeiras.
Amigão, sou são paulino, e isso não me impede de sentir e de externar pesar com a despedida do Marcão… Assisti emocionado à coletiva hoje… “Perdemos” – entre aspas pois, como ele mesmo disse, ele esta vivo – um GRANDE personagem do futebol, um cara único, fantástico, de quem não se pode/consegue ter raiva (rivalidades a parte).
Achei seu texto belo e emocionante (pois a vida é mais do que futebol… mesmo quando os caminhos se confundem e se cruzam tanto)… e faço questão de explicitar aqui o respeito, admiração e carinho pelo goleiro dos senhores (palmeirenses) e do Brasil….
Grande abraço
Leon Korkes
11 de January de 2012 às 19:21Primeira vez por aqui. Tava no blog do verdão no globo.com. Cliquei no seu link e acabei por aq. Cara, o final do seu texto aperta esse nó que está na garganta de todo palmeirense desde q o Marcão anunciou a aposentadoria. E que ainda não desatou…
Saudações Palestrinas. De Maceió, AL!
15 de January de 2012 às 15:10