Não é correto culpar Luxemburgo pela derrota do Grêmio para o Caxias. Foi o primeiro jogo do técnico à frente do tricolor, há pouco de seus dedos na eliminação do time neste domingo. Mas cair nos pênaltis, depois de sofrer empate aos 40 do segundo tempo, mostra de forma emblemática o momento do ex-melhor técnico de futebol do Brasil.
Luxemburgo se perdeu no tempo e no espaço. Desde 2004, quando foi campeão brasileiro pelo Santos, o ex-Wanderley nunca mais conquistou um título relevante. Foi cinco vezes campeão estadual, por Santos, Palmeiras, Atlético-MG e Flamengo. É pouco para o status que carrega, pouco para o salário que recebe, pouco para a pompa com que é recebido por onde passa.
Hoje, Luxemburgo vai embora sem deixar saudade. Qual torcedor do Santos, Palmeiras, Galo ou Flamengo lamentou quando o treinador foi demitido de seu time? Aliás, Vanderlei hoje é demitido. Antigamente era ele quem demitia os clubes por onde passava. “Contrato foi feito para ser respeitado, não para ser cumprido”, dizia.
Luxemburgo precisa se reinventar. Como um daqueles jogadores geniais e geniosos, o técnico corre o risco de, quando se aposentar, dar a sensação de que poderia ter sido muito mais do que foi. O treinador sensacional que surgiu com o título paulista do Bragantino em 1990, perdeu a relevância nos últimos anos por conta da falta de títulos importantes e tragado por suspeitas e denúncias de vários tipos. Luxemburgo jamais conquistou a Libertadores – e não conquistará neste ano. Virou motivo de piadinhas até entre alguns jornalistas que viviam a lhe bajular. “Pofexô” e “pojeto”, imitação de seu modo de falar, passaram a ser palavras usadas para fazer graça.
Em que pese os ótimos títulos nacionais conquistados e os bons trabalhos que fez na carreira – o último deles em 2003, no Cruzeiro – Luxemburgo está em xeque neste país de memória curta. Estes títulos e bons trabalhos serão nada se não forem alimentados por novas conquistas importantes. Sem taças de peso, o treinador que tirou o Palmeiras da fila e montou uma máquina no Corinthians receberá tratamento semelhante ao que sempre ganhou Barrichello na Fórmula 1.


Não acho que todos esses trabalhos do Luxemburgo foram ruins totalmente; no Santos ele tirou o time de uma fila no Paulistão de muitos anos e isso conta a meu ver. Depois pediu muito para ficar e não permaneceu em 2008 (apassagem dele em 2009 realmente foi desastrosa); no Palmeiras foi mandando embora por um certo capricho do presidente “moderno” que passou por lá. No CAM ele foi mal (mas quem não foi nos últimos 40 anos?, talvez só o Telê e mais um ou dois) e no Flamengo foi razoável.
Acho que ele paga muito por esses jornalistas que o bajulavam além da conta anos atrás, terem descoberto seu “antídoto”: Muricy, que dá patadas em jornalistas menores mas é bonzinho com os graúdos. Além disso Muricy reina no terreno onde o Luxemburgo mandava, o Brasileirão. O que quero dizer é que o WL nunca foi tão superior quanto se dizia e não acho que ele está tão abaixo hoje da média (apenas razoável) dos técnicos brasileiros.
27 de February de 2012 às 11:41