Aqui vai a minha sugestão de resposta para o amigo Luiz Augusto Lima, que questionou os motivos de os brasileiros sempre se darem mal na Libertadores. Na semana passada, quando acabou a partida no estádio Ciudad de La Plata, eu cravei neste espaço que o Cruzeiro deveria levar a Libertadores 2009. Errei. Errei porque achei que o time mineiro tinha superado neste ano os inúmeros defeitos dos times brasileiros na competição, o que claramente não era verdade. E o Estudiantes foi campeão, tetracampeão da Libertadores. Para resumir a ópera, podemos dizer simplesmente que o jogador brasileiro é burro, e o argentino é muito inteligente. Mas cabe uma análise um pouco mais apurada.
A burrice do jogador brasileiro tem vários fatores. O primeiro deles é a indisciplina tática. Em diversas oportunidades no primeiro tempo os medianos atacantes Fernandez e Boselli tiveram ótimas chances para marcar, já que atuavam no mano a mano com os zagueiros enquanto o resto do time, desorganizado, olhava de longe. Outro sinal dos problemas brasileiros na Libertadores é a sanha de ir para o ataque mesmo quando está vencendo. Claro que não é preciso se retrancar, mas um time que está vencendo uma final em casa não pode sofrer contra-ataques. E o que dizer de Ramires? Após uma memorável Copa das Confederações, não jogou nada ontem e, instável emocionalmente, distribuiu tapas e pontapés na frente do palerma Carlos Chandía. Há ainda as panes mentais. Gerações de cruzeirenses vão ficar sem entender, por exemplo, o que Marquinhos Paraná fazia de costas e abaixado atrás de Boselli enquanto o argentino marcava o gol. E, nos minutos finais, quando tiveram a oportunidade de dominar a bola, por que – meu Deus, por quê? – Thiago Ribeiro e Thiago Heleno deram chutes para o alto em vez de jogar a bola na confusão da área?
Enquanto isso, o Estudiantes foi sereno, manteve sua boa formação tática intacta o partida toda. Quando Boselli virou, todos sabiam que o jogo tinha acabado ali, pois os argentinos são inteligentes demais na Libertadores. E, enquanto os brasileiros viviam suas crises mentais, os argentinos desfilavam seu toque de bola infinitamente superior e incrivelmente irritante, especialmente para nós, que convivemos com times que não acertam três passes seguidos.
O jeito é reconhecer que os jogos de seleções e de clubes são completamente diferentes. Se somos muito superiores nas Copas, tomamos um banho gelado na Libertadores. E o pior é ver os jogadores deixando o campo com um ar de atleta-brasileiro-que-fez-um-tempo-pior-na-final-olímpica-do-que-nas-eliminatórias, dizendo que Jesus sabe o que faz ou que “é hora de levantar a cabeça”.
De forma deprimente, o Cruzeiro foi o Brasil na Libertadores.


Eu já sabia que o Cruzeiro ia perder,quando vi Tiago Heleno na zaga(ele é um Domingos muito piorado)e o tal Jonathan na lateral direita.E além de tudo o Ramires agora deu de achar que é meia atacante.Foi uma pena,mas é verdade o que você falou.A burrice é algo congênito no jogador brasileiro.
16 de July de 2009 às 10:06Pensei que o Cruzeiro ia levar essa, mas me enganei.
16 de July de 2009 às 11:02O Cruzeiro jogou muito nervoso e o Estudiantes foi mais inteligente mesmo.
Mereceu essa grande conquista.
Assino embaixo.
E olha, o Thiago Ribeiro é o Dagoberto mais novo, aquele jogador que a torcida pede durante o intervalo mas que nunca sai do banco e quando sai, é pra fazer o que fez ontem. É imperdoável dar um chute pra cima estando praticamente debaixo das traves. E olha que eu achava que quando ele entrasse, mudaria o jogo, já que para mim ele foi “queimado” pelo Muricy no São Paulo.
Vejo que o Muricy tinha razão.
16 de July de 2009 às 11:14A diferença mental entre as duas equipes foi gritante. Posso estar enganado, mas o gol do Cruzeiro foi tão “achado” que não senti aquela vibração confiante, só uma vibração pelo gol mesmo, pois tava flagrante quem estava melhor na partida.
Só que essa mentalidade passa e muito pela torcida. De que adianta apoiar nos primeiros 15 minutos e depois começarmos a ouvir mais a torcida do Estudiantes? E de que adianta apoiar depois que o time fez 1 x 0? Brasileiro, além de burro, não sabe torcer.
- Chega a ser cômico imaginar, no mesmo dia da final Barça x Man Utd, termos rodada do Camp. Espanhol e Inglês. Nojo da Conmebol/CBF.
16 de July de 2009 às 11:47E tinha muita gente comemorando o fato de os cinco clubes brasileiros estarem classificados para a fase de mata-mata da libertadores, e apenas dois argentinos.
E agora?
16 de July de 2009 às 13:33Zé, gostei da sua análise. Realmente, às vezes parece que falta algo a ser forjado na alma dos boleiros brasucas. Nelson Rodrigues falava do tal complexo de vira-lata, que teria sumido após 58…
16 de July de 2009 às 15:02Zé e Luiz, acho que o buraco é mais embaixo: brasileiro não sabe perder. É isso.
Vejam pelo histórico de copas perdidas pelo Brasil (especialmente 1950 e 98, q fomos vices) Nunca engolimos derrotas em finais! Nunca o outro time pode ser melhor, sempre haverá uma desculpa, um erro do árbitro, uma convulsão, um bode expiatório.
Brasil-sil-sil!!
16 de July de 2009 às 16:41Aviões não podem cair e nem o Brasil pode perder uma copa do mundo… rs. Quando isso ocorre requer uma explicação, Diogo Salles… rs.
Pq nos damos mal nas finais da liberta?
Além dos motivos expostos no post eu citaria os meus que são irrelevantes e sem a menor noção…kk
Os times argentinos via de regra são bons.
Empatar na Argentina, ou perder por um gol de diferença não é um bom resultado como ano após ano eu escuto. Os times argentinos jogam em casa, fora de casa, na lua, em marte onde for do jeito deles. Então quando um time brasileiro empatar na Argentina não significa que ele já ganhou o que é favorito.
Argentino tem um toque de bola lindo, enervante e assustador em certos minutos (assustador se for contra vc está torcendo… rs). Esse toque de bola quando o resultado é igual para os dois permitem a eles a melhor jogada, quando o resultado é para eles permite ganhar um tempo precioso, e quando é contra parece questão de tempo eles empatarem.
Argentino tem uma raça que jogador brasileiro não tem. Posso estar errado (me corrijam se eu estiver) mas sempre me parece que o argentino está jogando suas últimas forças pelo título.
Por fim eu me recordo de uam frase do Juarez Soares quando esse me divertia com o Silvio Luis nos jogos de futebol ” Contra os times argentinos, em uma divida se a bola for fácil é deles. se a bola for difícil também é”.
Nossa elogiei pra caramba os argentinos.rs. Devo ter exagerado. Não sei. A verdade é que a seleção argentina contra o Brasil é igual a “eles”. Não gosto de admitir mas tem um respeito enorme meu quando se encontram . E isso vale para os times argentinos também.
17 de July de 2009 às 01:29