
Até meados dos anos 80, combates de alto nível entre os pesos pesados do boxe eram sinônimo de grandes homens no rigue. De ricas histórias. Eu sou fã dos caras que brilharam na década de 70, simplesmente porque eles eram fantásticos.
Muhammad Ali, Joe Frazier, George Foreman, Ken Norton… Leia sobre eles e você vai se deparar com histórias incríveis, daquelas que rendem livros, filmes, documentários. Os combates entre esses caras atraíam multidões aos estádios e mobilizavam a grande mídia.
Hoje o cenário do boxe é exatamente assim. Só que ao contrário.
Mas voltemos aos 70, mais precisamente a outubro de 1974. Em Kinshasa, capital do então Zaire (hoje República Democrática do Congo), Muhammad Ali voltava a ser campeão mundial ao derrotar George Foreman no oitavo rounde.
Tal luta, como se sabe, tem um grande documentário só para ela: “Quando Éramos Reis” (When We Where Kings), lançado em 1996.
Porém, foi em outro soberbo documentário sobre boxe, “Facing Ali”, de 2009, que me deparei com uma emocionante declaração de Foreman.
Foreman diz: “Provavelmente o melhor soco de toda luta nunca tenha sido dado. Muhammad Ali, enquanto eu estava caindo, poderia ter acabado com a luta. Qualquer um teria feito isso, eu teria. Ele estava com o soco de direita pronto, mas não bateu. É o que faz dele, para mim, o maior lutador que eu já enfrentei.”
Ali poupou o rival, já grogue e indefeso. Voava como uma borboleta e picava como uma abelha, mas tinha honra.
O ex-campeão completou 70 anos e, vítima da terrível doença, é uma sobra do que já foi. Foreman ficou ainda mais rico vendendo grill. O boxe minguou com o passar das décadas, mas o exemplo permanece.
Os esportes de combate não precisam ser reféns da “estética da violência”. Às vezes, o soco não dado é mais belo do que uma voadora no queixo. Bater no rosto de um oponente no chão não é exatamente a coisa mais bonita de se ver.
Em tempo, este post é apenas um convite à reflexão. Assisto ao UFC e gosto de MMA, mas simplesmente sou mais o boxe. A nobre arte.
Vejam o trailer de “Facing Ali”, com a declaração de Foreman:
Na foto acima, Ali golpeia Foreman na luta do Zaire.


Esse nãosoco é igual ao quase gol de Pelé ante a finita Tchecoslováquia na Copa de 70. Não teria o mesmo brilho se tivesse balançado as redes.
24 de February de 2012 às 10:40Post muito bacana. Não conhecia o Facing Ali. Vou procurar por ele. O Quando Éramos Reis é muito bom, já tentei comprar uma cópia dele para ter em casa, mas não encontro em lugar nenhum. Quer souber onde encontrar, agradeço a dica, que vale também para o Facing Ali.
24 de February de 2012 às 16:22Gostei do texto. Ando meio desiludido com o esporte ultimamente, desde o futebol com toda essa palhaçada de CBF, Globo, Copa no Brasil, patriotada e marketing estúpido dos times ao atletismo precário e falido… passando por uma F1 com muito ‘mimimi’ e td mais. Que o Klitschko me perdoe, mas o Boxe, com todo o glamour e áurea de ‘nobre arte’ acabou no fim dos anos 90. Tenho 32 e não acompanhei de perto os Grandes da década de 70/80, mas tive o prazer de pegar parte dessa história com Tyson, Holyfield, Lennox Lewis… Não gosto do UFC, MMA, ICMS (brincadeira, rs, sou contador). Acho q passa do limite do esporte. Ainda mais agora q li uma matéria q um cara do UFC ficou paraplégico por causa de um nocaute. Não gosto. Querem saber amigos, ta td mto chato. Vou correr no parque da cidade (Brasília) e ver umas meninas…..
24 de February de 2012 às 16:39[...] Vai ver que é isso… ou bem isso. [...]
19 de April de 2012 às 21:42