Faltava uma hora para o jogo. Eu já estava perfeitamente preparado. Cerveja gelando, sofá livre, TV da sala com todas as polegadas reservadas para mim. Mas surgiu o imprevisto e o esquema ruiu. Minha mulher reclamou de dores nas costas e lá fomos nós para o Hospital São Luiz.
Restou-me o rádio do celular para acompanhar a partida entre Palmeiras e Santos. Na recepção, disseram que o atendimento estava rápido naquele domingo. Acendeu a esperança de voltar pra casa e ao menos ver o segundo tempo.
Balela. A fila só aumentava, as senhas se acumulavam e nada de chegar a nossa vez. Fim da primeira etapa. Jogo disputado, poucas chances reais de gol. Enfim, nos chamam e somos transferidos para outra sala. Eu sempre penso que essa é uma estratégia dos hospitais para que a conta do estacionamento vá aumentando consideravelmente.
Começa o segundo tempo e engulo um pão de queijo em duas mordidas. Nervosismo puro. Palmeiras cresce no jogo, mas aí vem Neymar, sempre ele, e faz o gol de cabeça. Centésimo gol, dancinha ridícula, cabelo ridículo. Um craque, aquele puto. Dou um murro no braço do sofá e assusto a senhora que está atrás de mim. Quarenta minutos e nada de empate. Eis que aos 43 vem o gol. Fernandão, monstro. Minha mulher olha para o lado e pareço um mímico prestes a ter um troço.
Não aguento e aviso: “Preciso ver o final do jogo”. Acho a guarita dos seguranças e manobristas e consigo um lugar na arquibancada improvisada. Ao meu lado, um segurança que é a cara do Galeano, palmeirense e que sofre tanto quanto eu. Aos 46, o chute fraco de Juninho, que desvia no zagueiro santista e morre no fundo do gol. Eu grito, Galeano grita ainda mais forte. Os torcedores rivais se afastam e ficamos lá, eu e Galeano (vou chamá-lo assim para o resto da vida), esperando o apito final.
O juiz levanta os braços e a vitória é do Palmeiras. Movido pela emoção, não consegui enxergar outro movimento possível. Abracei o segurança, que foi pego de surpresa, mas correspondeu. Eu sempre prometo que vou tentar controlar os ânimos. Afinal, é só uma rodada do Campeonato Paulista. Mas o torcedor é um maluco que transforma qualquer partida em uma final. É como se o sentido da vida estivesse completamente intrínseco àquele resultado.
Não prometo mais nada. É mais divertido assim.


Deixe seu palpite
As mensagens publicadas pelo sistema de comentários não refletem a opinião do blog ou de seus autores. As opiniões e comentários emitidos por este sistema são de exclusiva e integral responsabilidade dos visitantes que dele fizerem uso. O Esporte Fino não se responsabiliza por quaisquer danos decorrentes do uso deste serviço perante usuários ou terceiros. Comentários escritos apenas com letras maiúsculas serão apagados.
O sistema de comentários do Esporte Fino utiliza o Gravatar para exibir sua imagem.