O debate sobre quais são os times grandes do Brasil, levantado no post do Otávio, fez Ale Rocha abrir nova discussão. Quem são os técnicos de primeira linha do país?

À diferença do conceito de time grande, o técnico de primeira linha vive muito de seu retrospecto recente. Um time que vira grande, com torcida, títulos e estrutura, dificilmente é rebaixado e vira pequeno. Um técnico de ponta, porém, pode virar apenas mais um depois de alguns anos em má fase ou resultados escassos.

Mas, afinal de contas, o que forma um técnico de primeira linha? O item número 1 são os resultados. Treinador incompetente não consegue uma seqüência de títulos. A sorte e o trabalho também são itens importantes na formação de um técnico de ponta. No último minuto da final, a bola pode bater na trave e entrar. E o azarado entra para a história como derrotado. Por fim, fazer bem aquilo que é sua função número 1: comandar o time. Dividir-se entre o trabalho de campo, e a direção do departamento de futebol é um tiro no pé. Dá certo na Europa por outros fatores.

Hoje, então, são apenas três os técnicos de ponta do futebol brasileiro.

1 – Muricy Ramalho
É o nome da moda. Único técnico de ponta trabalhando no Brasil, está na pole-position para assumir a seleção no dia em que Ricardo Teixeira resolver dar um pontapé na bunda do Dunga. É trabalhador, sério e se concentra em treinar o time. Sabe falar com os jogadores e ganha respeito de todos os clubes que treina, incluindo atletas, dirigentes e torcida.

2 – Luiz Felipe Scolari
Primeiro treinador brasileiro a fazer sucesso mundialmente, foi campeão mundial pelo Brasil e depois disso transformou Portugal em uma seleção respeitável. Carismático, é especialista em motivação e tem uma sorte proporcional ao seu talento. No Brasil, foi três vezes campeão da Copa do Brasil, uma vez campeão brasileiro e levou dois títulos da Copa Libertadores.

3 – Paulo Autuori
De estilo discreto, o técnico do Al-Rayyan tem no currículo duas Libertadores e um Mundial de Clubes, títulos que treinadores muito mais badalados não chegaram nem perto. Surgiu para o cenário nacional comandando o Botafogo em seu primeiro – e único – título brasileiro, em 1995.

Abel Braga, Carlos Alberto Parreira, Emerson Leão e Vanderlei Luxemburgo, que já estiveram no grupo acima (ou muito perto dele), hoje formam apenas o segundo escalão dos técnicos do Brasil. Há gente promissora, como Silas e Adílson Batista. Talvez Caio Júnior, Cuca e Renato Gaúcho. O resto é tudo Sebastião Lazaroni.