Assim como a Finasa já havia feito no mês passado, a Unisul encerrou na segunda-feira o patrocínio ao projeto de vôlei profissional que leva seu nome. Em comum, os dois têm o fato de publicamente responsabilizarem a Rede Globo, entre outros fatores, pela decisão. Afinal, gastam quantias vultosas em apoio ao esporte e, na hora de comer o filé mignon, o canal de televisão mais popular do País mutila o nome das equipes para não citar marcas.
Vá lá que muitos dos nomes de equipes são verdadeiras aberrações e mais parecem um cabide de patrocinadores. Mas não é isso que está em jogo. A Globo não omite marcas para tornar a vida do espectador mais fácil; adota essa política como uma forma de evitar publicidade involuntária – leia-se não paga. Se quer aparecer, tem que pagar. Até faz sentido, mas as corporações não patrocinam o esporte por benevolência, e sim por exposição da marca, que precisa vir de publicidade, claro, mas também de mídia espontânea.
O que tem de ficar claro nessa discussão é o xiismo da emissora, que ontem se defendeu com um comunicado, no qual diz que adota essa política com a finalidade de “ajudar o público a reconhecer as fronteiras entre o editorial e o comercial”. A divisão evocada é um dos pilares do bom jornalismo, mas não consta no manual de boas práticas que seja preciso alterar nomes, fechar imagens na câmera e alterar cenários para tanto – sim, isso acontece. E que tal lembrar que o Valor Econômico, diário de finanças ligado à Globo, faz um trabalho jornalístico estupendo valorizando marcas o tempo todo?
Vale esclarecer que a postura da emissora não se dá apenas para o esporte. Uma empresa que faça algo relevante e positivo, que seja de interesse público e justifique uma matéria, verá, sim, a peça irá ao ar; mas sem o reconhecimento ao autor da ação ou com o mínimo reconhecimento possível. E desde quando dar nome aos bois, como fazem tantos outros veículos de credibilidade, afeta a independência da reportagem?
Essa situação é crítica sobretudo no esporte porque, em um circuito profissional, algumas peças são indispensáveis. Numa simplificação grosseira, sem atletas não há esporte; sem público interessado, não há jornais que cubram os eventos; sem cobertura da imprensa, não há mídia espontânea e, portanto, não há patrocinadores nos padrões normais; sem patrocinadores, grandes chances de não haver equipes. É o cachorro que corre atrás do próprio rabo.
A emissora tem todo o direito de trabalhar dessa maneira que escolheu; só não pode ficar surpresa quando alguém reclamar. Mesmo que publicamente.
Confira na íntegra o comunicado da Globo, veiculado pelo UOL:
Os critérios que orientam as decisões das equipes de Jornalismo e de Esportes da Globo, de citar e exibir marcas, atendem a uma finalidade: ajudar o público a reconhecer a existência de fronteiras entre editorial e comercial, além, é óbvio, de resguardar, legitimamente, o modelo de viabilização da TV aberta, cujo sustento deve advir exclusivamente da comercialização dos intervalos e de outros formatos comerciais.
A Globo considera que a visibilidade natural proporcionada aos patrocinadores de equipes e eventos, em transmissões e reportagens, por si só agrega valor às marcas e gera ganhos de imagem para as empresas investidoras no esporte, dado o imenso alcance de público da televisão aberta.
É curioso que, justamente no momento em que o mundo atravessa grave crise econômica, empresas aleguem que vão encerrar projetos esportivos porque suas marcas não são citadas. Ainda que estes projetos esportivos tenham recebido durante anos – às vezes décadas – o mesmo tratamento atual, o que prova terem sido vitoriosos e assegurado retorno para os patrocinadores que a eles se associaram.
A eventual frustração de empresas patrocinadoras por não terem conseguido, na Globo, a chamada “mídia espontânea”, na intensidade pretendida, reforça nossa convicção quanto ao acerto de nossas políticas.


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Abraços
13 de May de 2009 às 10:17Fernando Lima
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Trabalho na assessoria de imprensa da Metodista/São Bernardo, que mantém dois dos melhores times do Brasil no handebol e um time que está iniciando no basquete. Por ter que mexer bastante com o assunto abordado no tema, achei-o interessante e gostaria de dar uns pitacos.
1) A Globo e qualquer outro veículo que adotam o mesmo procedimento deveriam repensá-lo. Chamar o Santander/SBC de Brasil Vôlei causa mais confusão do que explica ao telespectador que o conteúdo editorial e comercial estão separados. A Globo deveria pensar nisso também. Não pode ser radical do jeito ou, caso escolha ser dessa forma, quando faz matérias sobre o Criança Esperança ou qualquer outro projeto do seu grupo, deveria omitir o nome do projeto também. Onde está a separação entre editoria e comercial neste momento?
13 de May de 2009 às 12:09- As confederações (sempre elas) deveriam estabeler regras claras para as coisas. Deveria haver cláusula obrigando as emissoras (qualquer uma) a citar o nome completo do time e, por outro lado, fazer uma regra especialmente para os nomes dos times, tipo “nome fantasia do clube/patrocinador master ou cidade que apoia”.
- Os clubes deveriam se organizar também para formar sociedades que permitam a todos se beneficiarem do potencial de divulgação de uma competição. Ex.: fechar patrocínios coletivos (existem muitos clubes sem fornecedor de material, por que não então chamar uma Adidas e oferecer um acordo em que todas as equipes vestirão o uniforme da empresa?), buscar convênios com alguma empresa de transportes ou hotéis, comprar um horário semanal em alguma emissora para poder divulgar mais as equipes (tipo aqueles programas da Premier League, Liga Espanhola, etc.)
A Globo é nojenta. Não faz muito tempo que a Ulbra jogou a Copa do Brasil, e era chamado de Canoas, tal qual quando foram noticiar a porrada que teve no Camp. Gaúcho desse ano entre o time e o Brasil de Pelotas. Priorizam a não-exposição da marca de graça do que dar a informação correta aos telespectadores.
13 de May de 2009 às 13:02Falou tudo, Márcio. A separação do comercial e editorial não é assim tão rigorosa e a política de omitir marcas não pode chegar a um ponto em que confunda o espectador.
13 de May de 2009 às 14:13Vou ser meio grosseiro, mas esse assunto me irrita muito. Sou fã de F1 e é ridículo ver a globo chamando a Red Bull de RBR e a Toro Rosso de STR.
Isso é reflexo da mediocridade que essa tv é e também é reflexo por um lado do egoísmo que impera em nossa cultura.
As entrevistas dos atletas com aquele close na cara para não mostrar os patrocínios são nefastos.
Enfim, espero que haja um debate profundo, vindo dos patrocinadores, começando a boicotar propagandas na globo e outros tipos de boicote. Essa palhaçada tem que acabar.
Sempre dou o exemplo dos EUA, aonde se faz um jornalismo mais profissional e não o amadorismoda globo. Já vi nos EUA uma emissora fazendo ‘propaganda’ de outra por conta de uma notícia.
A gente tem muito que aprender e evoluir. E a globo é um bom exemplo de como não se fazer TV. Graças que eu tenho tv a cabo e só vejo F1 mesmo. Com o audio da radio.
A globo é um dos males responsáveis pelo atraso do país.
[]‘s
13 de May de 2009 às 17:03Só para citar, querem exemplo mais medíocre que da toda querida Stock Car que a globo tanto promove? Chama-se Nextel e a globo sempre omite o nome do patrocinador.
13 de May de 2009 às 17:04Se tivermos uma crise no esporte por falta de verba, a toda poderosa será sim, uma das responsáveis.
Além de todo o problema causado por essa atitude da poderosa Globo (que também finge não existirem outras emissoras de TV no Brasil), o simples fato de ela dar aqueles “closes” absurdos na cara dos entrevistados só para não exibir marcas é muito desagradável. Eu não aguento mais ficar vendo cravos e pêlo encravado na cara de jogador de futebol! Emissora nojenta! Agora vamos ver se eles vão encher tanto a bola do “Fenômeno” uma vez que ele virou garoto propaganda do SBT.
13 de May de 2009 às 17:23É curioso a Globo alegar que a exposição das marcas em uniformes e outros acessórios já é suficiente. A própria Globo dá closes infames dos entrevistados para não mostrar marcas em bonés ou banners que estejam ao fundo. E a própria Globo muitas vezes apaga digitalmente marcas.
Acho que é uma solução fácil para as empresas tirar o time de campo e colocar a culpa de tudo na Globo. Tem cheiro de hipocrisia. Mas a Globo, inegavelmente, é parte importante deste problema.
13 de May de 2009 às 19:25Sim, também não dá pra isentar totalmente as empresas. O Bradesco a cada ano bate seu próprio recorde de lucros e daí vem cortar o patrocínio do Osasco? Não dá pra entender.
14 de May de 2009 às 04:06Acho muito fácil culpar a Globo. Ela não é santa, mas não a acho culpada. Por que os times têm que se chamar Padaria/Açougue/Birigui? Por que não apenas Birigui? Não temos Batavo/Corinthians ou LG/São Paulo.
14 de May de 2009 às 07:05Não dá pra entender essa hipocrisia da Globo. Na Formula 1 ela nunca falou na equipe Red Bull e sim RBR. Em contrapartida, fala Ferrari, Honda, Toyota que são marcas tanto quanto a Red Bull.
15 de May de 2009 às 17:38[...] Fino – Patrocinadores se despedem e atiram na Globo Nadaver – Qual a semelhança entre a Copa do Brasil e briga de traficante? Esporte Fino – Vergonha: [...]
17 de May de 2009 às 13:14