
A informação é de @borrachatv, twitteiro bem informado sobre as questões de audiência de TV. A prova deste domingo da Stock Car ficou na terceira posição no Ibope, tanto no Rio quanto em São Paulo.
Em SP, SBT teve média 9,3, a Record ficou com 7,6 e a Globo cravou 6. No Rio, 12, 7 e 4,8, respectivamente. A Stock é um fiasco na TV mesmo tendo, há anos, exposição de mídia inédita em sua história. Simplesmente porque a televisão tornou a categoria uma porcaria.
A Stock nunca teve uma audiência espetacular. Na Bandeirantes, que transmitiu a competição durante anos, flertava com o traço. Mas ficar em terceiro lugar na TV Globo é bem pior que dar traço na Band. A Stock não tem graça. E telespectador não é idiota. Há muito mais interessados em automobilismo do que esta audiência ridícula. Mas é gente que não aceita ser enganada. Que sabe o que quer ver.
A Stock Car tinha um delicioso apelo na era pré-Globo. Na pista havia apenas uma marca de carro, mas um carro que você poderia ver na rua. Primeiro, o Opala. Depois, Ômega. Na terceira fase, Vectra. Eram carros de rua, adaptados para as pistas. Havia uma identificação direta com o público.
Hoje, não há carros de rua na pista. São carros com chassis tubulares cobertos por bolhas de fibra. E são apenas estas bolhas que imitam o Astra e o Peugeot 307. A Stock sempre foi lugar de garagistas, gente que pisava na lama, que sabia abrir o capô e mexer no carro. Gente como Ingo Hoffmann, Paulo Gomes, Zequinha Giaffone. Quantos pilotos hoje saberiam identificar uma dúzia de peças no motor?
A Stock é limpinha, cheia de patrocinadores importantes, cheia de camarotes de empresas. Mas perdeu sua essência, a competição. As corridas quase sempre são chatas, monótonas. No fim da década passada, a Globo salvou uma categoria que havia perdido o apoio da GM, mas transformou a Stock em um show sem tesão.
A Stock tem pilotos famosos, tem jovens pilotos, mas tem disputas baseadas em batidas que vão muito além dos toques normais em competições de turismo. Chega, muitas vezes, ao limite da desonestidade. Ultrapassa este limite. A Stock ficou chata demais. Virou uma exibição. E, enquanto for assim, vai perder na audiência para Exaltasamba e Mr. Bean.
Foto: Bruno Terena/Grande Prêmio


Isso me lembra uma outra categoria também…
Bom, acho que o cúmulo da bizarrice foi aquela etapa em Salvador, num circuito de rua risível.
9 de November de 2009 às 01:17Pq é chato. É bairrista. Não tem gringo pra torcer contra e eleger um brasileiro como ídolo. É o filho do Galvão contra o resto menos privilegiado. Simples.
9 de November de 2009 às 03:31Acompanhei a categoria até os anos 90 e parei de acompanhá-lo quando vieram com a história dos chassis tubulares com carenagem de fibra no lugar dos monoblocos originais, tudo para “seguir as tendências internacionais” (nome pomposo que colonizado dá para macaqueação). Pensava que estivesse sozinho nessa.
9 de November de 2009 às 10:34Rodrigo, só um adendo: antes dos Astra, eram os Vectra. Mas esses já eram embrião do que é hoje a Stock. Portanto, carro mesmo eram só os Opalões e os Ômega, com breve pausa nos Opala Fiberglass.
9 de November de 2009 às 10:48O Ronan tem razão no que o público enxerga; existe essa rejeição de ser algo ligado ao Galvão e seus filhos e tb no fato da chatice das prova em si, o que já foi explicado tb no texto.
O que é mais triste porém é qdo ele diz que “Não tem gringo pra torcer contra e eleger um brasileiro como ídolo”. O pior é que é verdade.
Como já foi falado aqui no site, brasileiro não gosta de esporte (tirando futebol e olhe lá); brasileiro em geral gosta de brasileiro vencendo um “rival”.
9 de November de 2009 às 13:12Eu acho tudo isso, e acho graça de gente deslumbrada e se sentindo importante porque cobre a importante Stock Car de merda.
A categoria só ganha um pouquinho de visibilidade com as polêmicas que, habitualmente, favorecem o Cacá. Ou pela falta de organização e de critério, como ontem mesmo, em Brasília.
O automobilismo brasileiro já está morto há uns bons anos, mas embora a Stock já fosse tudo isso que você bem disse no texto, ainda era vista como a “referência”, se assim podemos dizer, do nosso esporte a motor. Mas está cada vez pior, e a ladeira está cada vez mais íngreme.
Fico impressionado com a Globo, que deixa de passar uma categoria como a MotoGP pra passar carros-bolha se espancando na pista e, como você disse, uma categoria “sem tesão”…
9 de November de 2009 às 17:12Ah, só mais uma coisa: você tem razão também quando diz que o telespectador não é idiota. Mas apenas pelo fato de o tema ser automobilismo. Geralmente quem gosta de automobilismo tem mais noção pra diferenciar as coisas, tem um mínimo de conhecimento técnico ou esportivo. Quem não gosta de automobilismo diz que “qual é a graça de ver um monte de carro andando em círculo o tempo todo?”. Quem gosta, precisa entender. Não é como o futebol. Por isso que o telespectador DE AUTOMOBILISMO não é idiota. E por isso que a Stock vai sumir da Globo logo logo.
9 de November de 2009 às 17:15Pq os narradores torcem para o Caca Bueno!
10 de November de 2009 às 10:03Até a F-Truck é mais interessante que a Stock. Não sei se o nível de tratamento das TVs para cada categoria tem grande influência nesse desempenho de ambas
10 de November de 2009 às 10:06[...] This post was mentioned on Twitter by Victor Martins and Rodrigo Cozzato, Luciano Monteiro. Luciano Monteiro said: "A televisão tornou a categoria uma porcaria", escreve o @BlogEsporteFino, sobre a Stock Car. Quer ler? Está aqui: http://bit.ly/2x9ZCE [...]
10 de November de 2009 às 10:08Pior é que nem pra revelar piloto serve, e sim como fundo de pensão pra quem se deu mal lá fora.
10 de November de 2009 às 10:24Outro fator que não se pode ignorar para que a Stock entre em decadência, é que a Globo impede os patrocinadores das equipes de aparecerem.
10 de November de 2009 às 10:36Ora ! Uma equipe faz um trabalho enorme para provar que a empresa que a patrocinar terá visibilidade na TV, e a Globo “fecha” as imagens para não mostrar as marcas que tornam possível a categoria, chama as equipes por siglas, em vez de chamar pelo nome que elas ganharam com o patrocínio.
Como na F-1, chamar RedBull de RBR é um desrespeito a uma empresa que investe milhões de dólares. E investe porque terá visibilidade. Afinal estamos num mundo capitalista.
A Globo, além de não mostrar os nomes daqueles que
verdadeiramente mantém o esporte, também não formam um público, não ensinam como funcionam as competições de automóvel. Dr. Stock é uma piada de mal gosto, e aquela animação na abertura é um lixo que o Senhor Carlos Col deveria impedir, porque denigre a imagem do esporte.
Automobilismo não é pancadaria, é a arte de construir e dominar máquinas.
Abraços.
Ricardo Talarico