Fiquei espantado ao me dar conta de que o último time brasileiro a triunfar numa decisão de Libertadores contra rivais estrangeiros foi o Palmeiras, sobre o Deportivo Cali, no já distante ano de 1999.
Espantado porque, desde então, foram dez finais continentais, com os brasileiros presentes em oito. Neste período, os únicos campeões foram o São Paulo (contra o Atlético-PR, em 2005) e o Internacional (contra o mesmo São Paulo, no ano seguinte). O Boca Juniors roubou o bicampeonato do Palmeiras, em 2000, e ainda vitimou Santos (2003) e Grêmio (2007). Em 2002, o São Caetano foi superado pelos paraguaios do Olimpia e, ano passado, foi a vez de a equatoriana LDU apagar o brilho do Fluminense.
E por que o Cruzeiro engrossou esta estatística negativa? Falar que o time brasileiro amarelou seria uma saída preguiçosa, meio covarde.
Aqui, na distante São Paulo (sim, a mídia eletrônica, em especial a TV aberta, conseguiu deixar o jogo do Mineirão a milhares de quilômetros de distância), enfim, aqui na distante São Paulo não percebemos nada de errado na preparação do Cruzeiro. Ninguém falou demais ou exaltou demais o Estudiantes…
Adilson Batista foi bem, não inventou. Sua postura comedida (bem diferente de Renato Gaúcho, há um ano) me dava a impressão de que o título tinha dono.
Portanto, amigos, chego à conclusão de que faltaram alguns jogadores essenciais para levar um time à conquista do continente. Apesar de ter uma zaga acima da média, o Cruzeiro não tem exatamente um grande zagueiro, daqueles que fazem o atacante rival ficar pequenino.
Falta também um volante/meia capaz de dar ritmo ao jogo e chamar a responsa. Ramires não exerceu este papel, simplesmente porque talvez ainda não tenha quilometragem para isso. Parece ter sucumbido ante Verón.
Tudo pesou sobre os ombros de Kléber. E ele sustante o peso. Mas, apesar da raça e da qualidade técnica, o Gladiador não tem aquele espírito de liderança capaz de acalmar o colega com um simples olhar.
O Cruzeiro é, e sempre será grande. Derrotas também fortalecem.

Foto: Kléber disputa bola com Braña (Divulgação/Vipcomm)


“Kléber dedica o vice-campeonato à torcida do Palmeiras”. Essa eu queria ver. Luiz, minha análise mais superficial (mas que às vezes também pode ser certeira) me diz que o Cruzeiro perdeu porque o Estudiantes jogou muito, e lá vem o clichê, mas “time argentino é time argentino”. Não dá pra explicar. Deve ser cultural, porque genético não pode ser. O fato é que na hora H os caras tem algo a mais que a maioria dos jogadores brasileiros ainda não desenvolveu. Pra não falar na torcida, né? Sempre uma aula.
16 de July de 2009 às 04:26O que faltou novamente foi espírito de decisão a alguns jogadores brasileiros e a adaptação ao estilo do apito de Libertadores. Cavar faltas, se jogando em campo em Libertadores é coisa de jogador brasileiro apenas. Wellington Paulista fez isso em pelo menos 4 oportunidades em que ao invés de tentar ser objetivo, tentou cavar falta e obviamente nada foi dado. Faltou objetividade também, quantas defesas fez o goleiro do Estudiantes?
16 de July de 2009 às 09:34