
Haverá um tempo no qual os jogadores de futebol terão joelhos biônicos. Assim que assinarem os primeiros contratos, as frágeis articulações originais serão substituídas por novas, de algum nome esquisito e absolutamente livres da ameaça de rompimento. Enquanto estes dias não chegam, mergulhamos nossa alma na dor dos que sofrem sérias lesões.
A bola da vez é o meia Souza, do Grêmio. O alagoano saiu machucado no segundo tempo do clássico Gre-Nal, anteontem. Antes mesmo de qualquer diagnóstico, já chorava de desespero. Ele conhecia aquele estalo, aquele barulhinho no joelho esquerdo: era o ligamento cruzado indo embora…
Em 2003, poucas semanas após chegar ao São Paulo, Souza sofrera exatamente a mesma lesão. Lembro de vê-lo no CT, ainda tímido, caminhando com o auxílio de muletas e determinado a voltar o quanto antes. De fato, voltou antes do previsto.
Apesar da tristeza, o habilidoso jogador prometia repetir o empenho de sete anos atrás. A previsão inicial para o retorno é de seis meses, o que tira Souza do Gaúcho e, pior: da Copa do Brasil. “Espero voltar com time campeão.”
Ainda é cedo para medir o nível do estrago que a ausência do alagoano vai causar no time do técnico Silas. É certo que o ex-corintiano Douglas está para estrear, mas são estilos e faixas de campo bem diferentes.
Sobre o trabalho de Silas, aliás, resta esperar que a derrota no primeiro Gre-Nal não traga turbulências. Será estupidez se trouxer.
Este texto faz parte da coluna “País do Futebol”, publicada todas as terças-feiras no Diário de S. Paulo.


Torço pelo Souza. Aliás, o Grêmio tá parecendo uma filial do São Paulo, do Borges ao próprio Silas.
2 de February de 2010 às 20:31