É obrigação inerente ao jornalismo ser crítico. Jornalista não deve fazer oba-oba, jornalista deve fazer jornalismo. Informar, denunciar e criticar. E, em meio à festa popular pela escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, não podemos esquecer quem são aqueles que estão à frente deste projeto. E entender que as eleições de 2010 ganharam importância ainda maior.
Os que levarão adiante a organização das Olimpíadas nos próximos sete anos são, em boa parte, os mesmos que organizaram o vergonhoso Pan-Americano de 2007, que teve como marca as denúncias de superfaturamento de obras e investimento de mais de R$ 800 milhões em recursos públicos. O Rio, mais bela cidade do mundo, merece receber um evento deste porte. O Brasil merece. Mas a partir de hoje cada cidadão deste país precisa ser um pouco jornalista. É preciso olhar para 2016 com olhar crítico.
O Rio deu um baile em Copenhague, onde foi escolhida a sede olímpica. Perdeu apenas a primeira fase da votação, mas ganhou as duas seguintes, batendo Madri na última rodada por 66 a 32. O povo está em festa. Mas o circo não pode cegar aqueles que devem, agora, fiscalizar como serão gastos os R$ 26 bilhões para que sejam realizados estes jogos.
Em 2010 será eleito o presidente que vai levar adiante boa parte do projeto dos Jogos. Igualmente para deputados federais, senadores e, no Rio, governador e deputados estaduais. É fundamental a atenção na hora do voto, no entendimento do que pensa cada candidato sobre saúde, economia, educação e segurança, mas também sobre as Olimpíadas de 2016.
Eu sou jornalista, mas agora tenho 180 milhões de colegas. E espero que cada um deles exerça, neste próximo ano, o dever de fiscalizar e cobrar o poder público. Pra que a vitória de hoje não se torne a dolorida derrota nos próximos sete anos.


É isso mesmo. Podem ser lindos Jogos, que ajudem a firmar o Brasil no primeiro plano das discussões geopolíticas e econômicas. Que seja assim. Mas que o ufanismo barato e oportunista jamais cegue o espírito crítico. Crítico quanto ao dinheiro público a ser gasto e quanto às políticas de incentivo ao esporte, que ainda engatinham.
2 de October de 2009 às 15:53Belo post Rodrigo. Eu estou lendo vários blogs e vendo vários jornalistas escrevendo/falando sobre o assunto além dos comentários. São poucos os que saem do lugar comum tanto na defesa e quanto nas críticas aos dois eventos. Poucos foram aqueles com análises dignas de consideração.
Gostei muito do post. Parabéns por mais esse digno de elogio.
2 de October de 2009 às 16:1126 bilhões de reais nas mãos (e bolsos?) do Nuzman e companhia? Mas os não sei quantos bilhões para a Copa nas mãos (e bolsos?) do Imperador Ricardo Teixeira. Como diria aquela reacionária atriz global: “Tenho medo”.
Tomara que os 26 bilhões não se multipliquem como aconteceu no Pan. É difícil acreditar nisso, mas quem sabe…
E já era para o autódromo de Jacarepaguá. Agora que ele acaba mesmo.
2 de October de 2009 às 17:27