Como falta menos de um ano para a Copa do Mundo de 2010, é hora de começar a aquecer a memória. E o ESPORTE FINO traz hoje uma lista dos dez maiores jogadores que, infelizmente, nunca disputaram uma Copa. Só foram considerados aqueles que tiveram a oportunidade (décadas de 10, 20 e 40 não contam), mas que por diversas razões, não conseguiram ir para a Copa. Ficaram na “lista B”: Dener (Brasil), Bernd Schuster (Alemanha), Ian Rush (País de Gales), Jari Litmanen (Finlândia) e Gunnar Gren (Suécia).

10. Eric Cantona
Cantona era uma das estrelas da seleção da França na década de 90 (junto com Papin e Ginola), mas fracassou nas Eliminatórias da Copa do Mundo em 1990 e 1994, bem como na Euro 1992. Quando Aimé Jacquet assumiu o time, em 1995, Cantona era o capitão, mas perdeu o lugar após aquela voadora. Após o fim da punição, Cantona voltou no auge pelo Manchester United, mas Jacquet já não via mais espaço para ele no time de Zidane, Henry e Trezeguet. Hoje, Cantona torce para a Inglaterra.
9. Ryan Giggs
O galês Giggs foi um dos grandes jogadores das duas últimas décadas. É o atleta com mais partidas pelo Manchester United, além de 11 títulos ingleses, duas Champions League e dois Mundiais. Mas a geração de galeses nunca chegou a seu nível, e Giggs jamais mostrou seu belo e eficiente futebol na Copa do Mundo.
8. Alberto Spencer
O equatoriano Spencer é o maior artilheiro da história da Copa Libertadores, com 54 gols. Foi tricampeão do torneio pelo Peñarol e bicampeão mundial. De forma bizarra, defendeu o Equador e o Uruguai ao mesmo tempo, mas nunca foi à Copa do Mundo. E sua fama de artilheiro ficou restrita à América do Sul.

7. Kalusha Bwalya
Bwalya entra na lista como homenagem à seleção de Zâmbia, que perdeu quase todo o time em um acidente de avião em 1993. Bwalya era a estrela da equipe que surpreendeu o mundo nas Olimpíadas de 1988, e marcou três gols na vitória por 4 a 0 sobre a Itália. No dia do acidente, ele estava na Holanda, onde defendia o PSV Eindhoven. O time se refez, mas perdeu a vaga na Copa de 1994 para o Marrocos.
6. George Weah
Quando ficou claro que Marco van Basten não poderia continuar jogando, o Milan não tinha plano B para a posição de centroavante. E quem acabou ganhando uma chance foi Weah, então no Paris Saint-Germain. O liberiano chegou ao clube italiano aos 29 anos, em 1995, e foi eleito o melhor jogador do mundo. Pelo Milan, fez 58 gols em 147 jogos. Na fraca Libéria, nunca chegou nem perto de ir à Copa.
5. Gunnar Nordahl
Antes do trio holandês nos anos 80, o Milan teve um trio sueco de grande sucesso, cuja maior estrela era Nordahl, o “No” de Grenoli, palavra formada ainda com as iniciais de Gren e Liedholm . Os três foram campeões olímpicos em 1948, mas quando foram para o Milan, em 1949, tiveram que abandonar a seleção* – que não permitia profissionais no elenco. Nordahl era um artilheiro fenomenal. No Campeonato Sueco, foram 149 gols em 172 jogos. No Milan, o centroavante foi cinco vezes artilheiro do Campeonato Italiano, e depois atuou pela Roma. No total, são 225 gols em 291 jogos – é o segundo maior artilheiro do Calcio na história.

4. George Best
O folclórico jogador do Manchester United é considerado por vários analistas um dos melhores jogadores de todos os tempos. Ele era norte-irlandês e disputou quatro vezes as Eliminatórias da Copa, e em 1966 chegou muito perto. A Irlanda do Norte estava em primeiro lugar no grupo, mas na última rodada empatou com a Albânia (que tinha zero pontos) e acabou ultrapassada pela Suíça.
3. Canhoteiro
Canhoteiro é uma das maiores lendas do futebol brasileiro e, certamente, do São Paulo. O ponta-esquerda, considerado por Zizinho o maior driblador de todos os tempos, teve carreira curta na seleção brasileira. Chegou ao auge em 1957, mas caiu em descrédito por conta da boemia, e não foi à Copa de 1958 (Zagallo e Pepe foram os convocados). Segundo Renato Pompeu, autor do livro Canhoteiro – o jogador que driblou a glória, ele não gostava de atuar pela seleção, pois lá tinha que “jogar sério”. Folclórico, é parte do “maior ataque de todos os tempos” imortalizado por Chico Buarque na canção O Futebol: “Para Mané para Didi para Mané. Mané para Didi para Mané para Didi para Pagão para Pelé e Canhoteiro”.
2. Evaristo de Macedo
Quando Evaristo viveu seu auge como jogador, o cenário do futebol era diferente. Ele foi um dos astros da campanha anterior à Copa de 1958 (tem o recorde de 5 gols no mesmo jogo pela seleção), mas ficou fora do Mundial depois de ir para a Europa. No Barcelona, é uma lenda, graças à média de 0,8 gol por jogo que teve em cinco anos atuando pelo clube catalão. Evaristo deixou o Barça em 1962 porque o clube queria torná-lo espanhol para trazer outro estrangeiro. A federação também fez esse pedido, pois queria Evaristo na Copa de 1962, pela Espanha. Ele se recusou. O Real Madrid aceitou que ele mantivesse a nacionalidade, e Evaristo foi ser tricampeão espanhol no Real. Só deixou o clube em 1965, quando voltou ao Flamengo).
1. Alfredo Di Stefano
Como a Argentina não esteve nas Copas do Mundo de 1950 e 1954, Di Stefano não foi ao mundial com sua seleção. Nas Eliminatórias de 1958, já naturalizado espanhol, viu a Fúria eliminada pela Escócia. Em 1962, machucado, perdeu a primeira fase da Copa e não jogou o Mundial pois a Espanha foi eliminada precocemente. O mundo então, não viu na Copa o maior artilheiro do Campeonato Espanhol, que marcou gols em todas as finais do pentacampeonato Europeu do Real nos anos 50, e que é considerado, por muitos que o viram, melhor que Maradona e até que Pelé.
*Graças à ajuda do colega Juliano Machado, o post foi corrigido às 15h20 de 4/8. Nils Liedholm jogou a Copa de 1958 pela Suécia, já veterano, e fez um dos gols na final contra o Brasil. Ele foi chamado de volta ao time porque o Mundial seria disputado na própria Suécia. Dener ganhou uma menção honrosa na “lista B” que abre o texto após o comentário do leitor Alan.


Não tenho certeza, mas Roberto Dias chegou a disputar alguma copa????
3 de August de 2009 às 17:47Olá, Michel. Tomarei a liberdade de responder pelo Zé, autor do belo post. O Roberto Dias integrou a lista inicial de 44 jogadores que se prepararam para a Copa de 66. Porém, foi cortado do grupo que viajou para a Inglaterra e não tem Copa no currículo. Fato que o deixou bem chateado.
3 de August de 2009 às 18:43Puxa vida, muito legal a lista. Legal e enriquecedora, visto que fala de alguns jogadores pouco abordados hoje em dia. Sempre achei que a Inglaterra seria outra se o Giggs não fosse galês… E justa a lembrança do Evaristo, um jogador muito eficiente e que é pouco reconhecido.
3 de August de 2009 às 19:36Valeu, Luiz!
Michel, belíssima lembrança. No Twitter, @bmantovani também lembrou do Alex, que o Rodrigo aqui do EF já havia citado. Considerei que ele poderia ter entrado no lugar do Cantona, mas os fracassos do francês pela seleção, que quase chegou em 94, foram mais marcantes para mim!
Abs!
3 de August de 2009 às 19:38A lista é bela me fez viajar pelo mundo do futebol. Gostei muito do post. Parabéns ao pessoal do blog.
Eu não sabia o porque da mudança do Evaristo do Barcelona para o Real. Passou a ter meu respeito mais do que já tinha.
A lista é perfeita mas na minha eu me permito sonhar e talvez me enganar um pouco.
3 de August de 2009 às 23:51Se aquele acidente na Lagoa não tivesse ocorrido. Se o acidente estúpido tivesse sido evitado. Quem sabe em 98 o Dener estaria na copa ou seria uma ausencia tão sentida quantos os craques citados no post.
Belo post, Zé! E ainda nem pude terminar de ler… rs
4 de August de 2009 às 03:06Curioso notar que destes dez craques, três figuram também na lista de cinco maiores jogadores da história do Manchester United.
4 de August de 2009 às 03:28Alan, obrigado pelos elogios!
E o Dener foi uma belíssima, belíssima lembrança! Acho que ele teria sim um lugar nessa lista. E eu lembro de já ter ouvido alguém dizer que ouviu o Parreira ou o Zagallo dizerem que aquela vaga que foi dada ao Ronaldo na Copa dos Estados Unidos seria do Dener. Não sei se é boato, mas com certeza aquela morte precoce impediu o mundo de ver um craque na Copa.
Abs!
4 de August de 2009 às 10:41Valeu, Chicão! E é verdade sobre o Manchester. Eu reparei nessa presença do Manchester enquanto elaborava a lista!
Abs!
4 de August de 2009 às 10:43É por esses e outros posts que sou fã deste blog. Parabéns pela iniciativa, Zé. Pra te falar a verdade, nunca tinha ouvido falar desse Kalusha Bwalya de Zambia, apesar de lembrar do acidente.
4 de August de 2009 às 13:13Abs.
Zé, a lista é mesmo muito boa. Parabéns pela pesquisa.
Abraços,
4 de August de 2009 às 14:08Juliano
Excelente lista. Também comecei a fazer listas como essa no meu blog.
Só uma pequena correção, que não muda quase nada: Weah chegou perto de disputar uma Copa sim. Foi nas Eliminatórias para 2002. A Libéria liderou a fase final quase toda. Mas na reta final perdeu o gás e terminou um ponto atrás da Nigéria (16 x 15).
Weah era o astro daquele time, bem fraco, mas que se superou. Ele inclusive fez o gol da vitória no último jogo, contra Serra Leoa, mas na última rodada (a Libéria já tinha encerrado sua participação), a Nigéria bateu Gana por 3 a 0 e se classificou.
5 de August de 2009 às 01:06Valeu, Brunão!
Confesso que o Bwalya eu só fui conhecer nas primeiras versões do Winning Eleven. Depois fui pesquisar e vi que o cara jogava bem mesmo. Ele entrou mais por simbolizar aquela tragédia com Zâmbia.
Abração!
5 de August de 2009 às 09:00Belo adendo, Vitor!!
Obrigado!
Abs
5 de August de 2009 às 09:01Zé, só acho que faltou o neto do Sr. José Ferreira, que deveria ter sido convocado para a Copa de 90.
5 de August de 2009 às 12:07muito boa a lista como sou apaixonado por futebol
20 de October de 2009 às 13:05e pelo maior campeonato que e a “copa do mundo”, sabia do acidente de gana mais nunca ouvi falar desse jogador “Bwalya” as copas que eu pude acompanhar gostaria de visto “Jari Litmanen” que jogou no timaço do ajax de 1995. “George Weah” fez um gol no milan que saiu levando da area dele ate o gol adversario
agora as historias das copas podeira ter sido outra se la estivessem jogado “George Best,Evaristo de Macedo,Alfredo Di Stefano”.
Vocês citaram Henry e Trezeguet, como se fossem titulares da França dos anos 90 e não era isso que se via.. O CORRETO SERIA: “…,Cantona voltou no auge pelo Manchester United, mas Jacquet já não via mais espaço para ele no time de Zidane, DESAILLY, THURAM e DJORKAEFF.”
Do jeito que está, podemos dizer que Alex, do Fenerbahçe, não conseguiu ir a Copa de 2002 porque Felipão não encontrou espaço para ele no time de Rivaldo, Kaká e Vampeta.
Abraço.
3 de November de 2009 às 03:02