Esta terça-feira é dia de convocação da seleção brasileira para Copa. Durante os dois próximos meses, o noticiário esportivo vai girar em torno da equipe de Dunga e dos adversários na África.
Boa hora para mirarmos nossa face no espelho e ver o que precisa ser melhorado por aqui, no cotidiano de quem acompanha seus clubes no estádio, na mídia…
Portanto, a partir de agora resgatem suas bandas darks (sim, tenho 35 anos) favoritas, mergulhem nos poemas sombrios de Baudelaire e fitem as nuvens cinzas no céu. É hora de falar nas 10 piores coisas do futebol brasileiro.
10 – Os estádios
Boa parte deles melhorou, é verdade. Mas ainda estão longe de oferecer conforto e tranquilidade para o torcedor. Listar os problemas aqui seria chover no molhado.
9 – A elitização sem contrapartidas
Os ingressos estão cada vez mais caros e certos jogos só são transmitidos no pay-per-view. Bom para quem tem grana pra pagar e merece, de fato, conforto e opções. Mas não podemos fechar os olhos para quem não pode pagar tanto.
8 – Os árbitros e a importância que se dá a eles
Cada um ganha seu rico dinheirinho como quer. Mas não existe nada mais sacal do que o comentarista de arbitragem. São ex-árbitros, que erraram tanto ou mais do que os alvos de seus comentários. O pior é ver muito jornalista entrando na onda e gastando precioso minutos (ou linhas) para falar em árbitros, preterindo até técnicos e jogadores.
Quanto aos juízes, o nível é baixo. Erra-se muito. Trava-se o jogo. São todos comprometidos demais com as federações estaduais.
7 – Os técnicos
Falta de ousadia, comodismo. Fez 1 a 0? Dá-lhe reforço para a marcação a fim de supostamente atrair o rival para a armadilha do contra-ataque. O duro é que quase nenhum treinador arma de fato seus times para dar um contragolpe eficiente. Isso sem falar na falta de conhecimento tático e na preguiça de aprender coisas novas. O que vale é estar empregado.
6 – A falta de meio-campistas
Paulo Ganso é um oásis. Os meias brasileiros não têm um bom representante por aqui desde que Alex deixou o Cruzeiro. O argentino Conca, pasmem, é dos únicos a honrar a posição.
5 – A preparação dos garotos
O item 6 tem tudo a ver com este aqui. Cada vez mais nossas “categorias de base” estão formando jogadores altos e fortes em detrimento dos talentosos. E o Santos ri à toa.
4 – Os mitos criados por nós, os jornalistas esportivos
Quantas vezes você já ouviu verdadeiras teses sobre o tamanho do gramado; a estrutura; as duas linhas de quatro; o elemento surpresa; o jogador ou técnico “diferenciado”; a preleção do professor; a bronca no vestiário…? É tanta coisa que a Física não permite, Arnaldo.
3 – O calendário (isso não é mito)
A ordem é vermos um dia a Copa do Brasil ainda mais democrática, correndo em paralelo com o Brasileirão. E uma rica Sul-Americana em paralelo com a Libertadores. Estaduais ou regionais podem até sobreviver, mas têm de ser torneios rápidos – de início de temporada – com no máximo dez jogos para os times grandes.
2 – Falta de políticas contra a violência
A situação é tão braba que justifica a existência do item 9. É mais fácil elitizar de vez as torcidas do que apresentar propostas concretas que tornem ir ao estádio um passatempo salutar.
1 – A CBF e as federações estaduais
Uma se alimenta da outra e, de mãos dadas, mantêm o futebol brasileiro no século passado. Sempre amparadas por dignos representantes do poder legislativo.


Luiz, perfeito. Nada a acrescentar.
10 de May de 2010 às 16:22Postagem muito feliz.
Assinaria esse texto sem hesitar. Brilhante.
10 de May de 2010 às 16:31[...] This post was mentioned on Twitter by expeditopaz, Esporte Fino, gabi oliveira, Diogo Salles, José Antonio Lima and others. José Antonio Lima said: RT @BlogEsporteFino: Top 10 de maio: as coisas mais chatas do futebol brasileiro. http://migre.me/DA54 [...]
10 de May de 2010 às 16:45Isso do calendário parece algo tão simples de se fazer, mas aí entra o item 1, que impede o item 3.
Beira o engraçado pensar que a CBF não se importa de ver seu principal campeonato começar com os maiores times focados em outras competições. Aula de como se valoriza um produto.
10 de May de 2010 às 22:27A estrutura nos últimos anos está irritante… rs… Ela é fundamental mas não faz um perna de pau virar craque como alguns pensam… rs.
O estadual atrapalhando o calendário também é culpa do torcedor. Tem gente que ainda adora o estadual… rs
11 de May de 2010 às 01:46Os mitos criados pelos “jornalistas” (alguns nem merecem ter esse título) é um ítem muito bem lembrado, mas a CBF e as Federações (assim como os dirigentes de clubes) são imbativeis.
11 de May de 2010 às 18:25Incluam mais um item por favor. Toda hora ler alguém dizer que vai torcer contra o Brasil. Rs.
12 de May de 2010 às 01:26Paz e bem!
Faltou: Comentaristas esportivos que só dizem abobrinhas e torram nossa paciência – neste ponto o Galvão Bueno é hors concours.
Alguns podem até dizer que está contemplado no ítem 4. Mas mesmo que eventualmente os comentaristas tenham a profissão de jornalista, nestes casos estão há anosluz de fazerem jornalismo.
14 de May de 2010 às 18:51