Torcedores têm papel importante nos protestos do Egito

A onda de protestos que tomou as ruas das principais cidades do Egito desde o mês passado tem como grande força motriz torcedores de futebol.

De acordo com com o blog Mideastsoccer, os torcedores conhecidos como “Ultras” (termo também utilizado na Europa, em especial na Itália, para designar os mais radicais e violentos) têm desempenhado papel fundamental na organização e no embate com autoridades nas ruas do Cairo.

Tais ultras são majoritariamente torcedores do Al Ahly e possuem exatamente o perfil dos mais revoltados com o interminável governo de Hosni Mubarak. Ou seja, têm dificuldades financeiras, poucas oportunidades no mercado de trabalho e já não aguentam mais esperar por mudanças.

Vale lembrar que os protestos no Egito são muito menos políticos do que sociais – até porque a política foi banida do cotidiano da população ao longo dos 30 anos em que Mubarak está no poder.

Em um ambiente apolítico, mas repleto de sentimento de mudanças, nada mais prático do que o senso de organização e paixão dos torcedores do futebol para aglutinar a população.

“Boa parte dos torcedores do Ahly é formada por homens que vivem em pequenos apartamentos com a mulher, a sogra e cinco filhos. A vida dele é um saco e os jogos de futebol são a válvula de escape”, resume um ultra ao Mideastsoccer.

Mais um episódio para quem duvida do poder político e social do futebol.

Para acompanhar de perto o que se passa nos protestos do Cairo, acompanhe a cobertura de José Antonio Lima, um dos quatro autores do Esporte Fino, eviado especial da revista Época à capital egípcia.

Luiz Augusto Lima

Jornalista, 39 anos. Era fã do Frank Poncherello, mas o estilo sempre foi mais Jon Baker.
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2 Palpites

  1. “Como o futebol explica o mundo, capítulo 358″.

  2. Pedro Damin

    Legal o tema do post. Só discordo quando você diz que são protestos “apolíticos”. Na minha opinião (e na de gente bem mais embasada do que eu) não existe tal coisa. Qualquer protesto, qualquer atitude em sociedade é política. Pode não ser partidária, mas nunca apolítica.

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