Por Marcelo Cazavia
Repórter do Agora São Paulo e dono do Hora da Lombra
Não costumo crucificar treinadores porque a maioria não tem estabilidade no emprego e é obrigada a trabalhar em condições adversas, como assumir um time durante o campeonato e dispor de jogadores escolhidos pelos dirigentes. Este, porém, não é o caso de Vanderlei Luxemburgo em 2008.
Com um salário de R$ 570 mil mensais, segundo pessoas do próprio Palmeiras, e contando com a ajuda de um fundo de investimentos para trazer jogadores de sua preferência – de acordo com a Traffic, apenas Carlinhos Paraíba foi pedido e não foi contratado – conquistar um Paulista e uma vaga na pré-Libertadores é muito pouco.
Luxemburgo perdeu no Palestra Itália este ano mais do que havia perdido em todas as suas passagens anteriores somadas. Inclusive na rodada final do Brasileiro, em casa, contra um time já sem objetivos, igualzinho ao que aconteceu ao “estagiário” Caio Júnior. Também perdeu uma decisão, para o Grêmio, e empatou outra, contra o São Paulo, em casa. E sofreu goleadas vexatórias para Guaratinguetá (3 a 0), Sport (4 a 1 e 3 a 0), Internacional (4 a 1), Fluminense (3 a 0) e Flamengo (5 a 2).
As eliminações na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana foram totalmente de encontro às tradições alviverdes. Na primeira, caiu de goleada logo na segunda fase. Na segunda, perdeu já no primeiro confronto internacional protagonizando o lamentável episódio de mandar os atletas à Argentina e ficar no Brasil comentando as atuações dos próprios comandados pela TV.
O treinador também abriu mão de jogadores do clube, como Nen, Dininho, Wendel, Francis, Makelele, Willian e Osmar para trazer atletas de qualidade igual ou inferior (Gladstone, Jorge Preá e Thiago Cunha) ou que pertencem ao parceiro e, portanto, não renderão lucro ao seu empregador (Fabinho Capixaba, Jefferson, Jumar, Sandro Silva, Lenny). Acertou ao apostar na recuperação de Léo Lima e Élder Granja, mas errou em insistir com Denílson.
Também errou ao se indispor com o ídolo Valdivia, único capaz de furar retrancas adversárias e atrair torcedores mirins, e dizer que ele poderia ser negociado porque Evandro e Diego Souza dariam conta. Aliás, sob seu comando, Diego Souza não foi nem sombra do jogador que brilhou com Mano Menezes no Grêmio e Abel Braga no Fluminense.
Outro erro incompreensível para um treinador consagrado e bem-remunerado aconteceu na formação do sistema defensivo. Quando Henrique deixou o Palmeiras, Luxemburgo também utilizava o discurso de que “daria um jeito”. Não deu. Encostou David, inventou Gladstone, escalou Jéci com dois dias de clube, jogou um peso extra em Roque Júnior, queimou o jovem Maurício, alternou o esquema 3-5-2 e o 4-4-2 e, em seis meses, não conseguiu montar a zaga.
O principal problema de Luxemburgo em 2008 foi a falta de foco. Ao mesmo tempo em que quis comandar o time, ele foi comentarista, preocupou-se com o seu instituto, passou horas (ou dias) discutindo com a Comissão Nacional de Arbitragem e com o Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Agora, ao lado do promotor Paulo Castilho, está fazendo lobby para alterar a lei contra torcedores violentos.
As posições defendidas por Luxemburgo até são interessantes. Mas ele ainda é técnico e é pago para ser técnico. Ou faz como os demais e se concentra 100% na função de treinador ou abandona a profissão e passa a trabalhar nos bastidores do futebol. O que não pode é querer conciliar dez atividades, cobrar um salário absurdo para qualquer clube e atingir objetivos que a maioria dos treinadores obtém.
Luxemburgo já não é o melhor técnico do Brasil. Os três títulos estaduais em três anos o colocam no patamar, por exemplo, de Dorival Júnior. Para que 2009 seja mais feliz para o Alviverde, duas medidas imediatas têm de ser tomadas: o técnico voltar a ser só técnico e a diretoria assumir o comando do departamento e não deixar o técnico montar o elenco como bem quer.


Uma das melhores análises sobre Luxemburgo no Palmeiras-2008 que eu já li.
12 de December de 2008 às 16:09Idem.
12 de December de 2008 às 16:13Assino embaixo.
12 de December de 2008 às 19:20Assino embaixo. [2]
12 de December de 2008 às 20:02Grande Cazavia, texto e análise da hora
12 de December de 2008 às 22:32Muito bom mesmo.
14 de December de 2008 às 00:45Muito bom.
14 de December de 2008 às 00:50